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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Baderna totalitária, massas nas ruas e a profecia que permanece

Em poucas horas, o pretexto-estopim, o preço da passagem, forjado por um grupo que recebia verbas do governo federal, aliado a partidos de extrema-esquerda que cooptaram punks para as manifestações, passou a ser um conglomerado de indignações genéricas, emotivas, apontadas a ninguém. Notoriamente baseadas em slogans midiáticos e sempre fundamentadas em premissas da mentalidade esquerdista, ainda que nem sempre de forma tão direta. Bastou. Dessa forma, encantaram até mesmo milhões de cristãos, levados a pensar que a “justiça” pela qual clamam os baderneiros totalitários é a mesma das Escrituras e que serviu de base para o surgimento das instituições e políticas que garantiram um mínimo de liberdade civil na civilização ocidental.

Quando a Rede Globo, o PSTU, o PSOL, petistas e ONG´s financiadas por George Soros estão TODOS irmanados num movimento, o mais elementar é concluir é que isso não evocará nem um princípio, meio ou objetivo minimamente alinhado a valores cristãos. Os quais nem mesmo nas táticas de propaganda revolucionária, montada a cooptar quem quer que seja, foram vistos. Tanto que os baderneiros já reclamam: “Não é uma causa pelos valores e pela família. Não estamos pedindo o fim do Estado – pelo contrário!” Mas há uma facilidade demasiadamente perigosa em esquecer que “o mundo jaz no maligno”. Velhas ordenanças bíblicas, como “não te associe com os revoltosos” (Pv. 24, 21,22) ou “não seguirás a multidão para fazeres o mal” (Ex. 23:2), que bem apontam o erro brutal que há em seguir massas enfurecidas, simplesmente sumiram da mente de milhares de cristãos.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

José Genoino, Valdir Steuernagel e Robinson Cavalcanti - uma foto para a posteridade



A foto acima foi publicada na revista Ultimato em novembro de 1993.

Quando falarem de "Missão Integral", PT, "esquerda evangélica" e sandices afins, e apontarem as alianças espúrias entre essa horda, é bom ter uma certeza: sempre há mais coisas a se investigar.

Aí estão, petistas, o mensaleiro, vermelhos, e claro, mui, mas mui evangélicos, no II Fórum Nacional de Discussão e Entendimento entre Evangélicos e Partidos Progressistas.

Sempre com a cobertura da Ultimato, é claro. Assessoria de imprensa que se preza não perde um evento dos patrões. Tiete que é tiete não perde um aceno de seus ídolos.


(Foto recebida do Pr. Gustavo Abadie, via Facebook.)

domingo, 22 de julho de 2012

Economia, lógica, e um velho debate


Não adianta fugir, pois o assunto sempre surge. Mas um dos caminhos mais curtos para se resolver nas conversas entre amigos questões sobre o papel do estado na economia, e de como os cristãos devem se posicionar a respeito, é recorrer à fundamentação teórica de cada modelo econômico. Tudo o que um “evangélico progressista” tem na mão para se alicerçar são a falácia marxista da “mais-valia”, as quantificações descabidas de John Maynard Keynes, e, é claro, muita tagarelice gnóstico-revolucionária vinda diretamente das urucubacas iluministas, sobretudo as
francesas.

Para disfarçar essa miséria intelectual toda, muitos deles evocam a tal “teologia da Missão Integral”, que no fim das contas é a tentativa de cristianizar aquilo que sempre foi anticristão, uma vez que um de seus ícones máximos no Brasil, Ariovaldo Ramos, admitiu que esta é a versão protestante da “Teologia da Libertação” que os comunistas inventaram para se infiltrar na Igreja Católica. Já o livre comércio sempre existiu, não há nenhuma objeção bíblica ao livre mercado, e as refutações da teoria econômica liberal, sobretudo da Escola Austríaca, mostram a fragilidade teórica (a prática está mais que evidente ao longo da história) dos modelos socialistas. E o que não tem lógica, o que está desprovido de coerência interna, não pode vir de um Deus que se identifica com o próprio Logos, o fundamento da realidade e da capacidade humana (limitada, sim) em apreendê-la, cuja palavra é inerrante, e que é perfeito, justo, e pronto para manifestar sua provisão àquele que for fiel.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Cristãos, lembrem-se: ‘noblesse oblige’

É fácil estar atento à suposta sofisticação dos mais variados bens de consumo em seus detalhes. Não tenho dúvida de que qualquer cidadão comum conhece ao menos uma pessoa que não dedique grande parte do seu potencial intelectual e cognitivo ao glamour de certos artefatos ou às qualidades de certas tranqueiras criadas para facilitar a vida em algum aspecto.

Quem já perdeu horas assistindo amigos discutindo as proezas de um relógio Tag Heuer, ou dos acessórios opcionais de uma nova motocicleta, sabe de qual espécie de frivolidades e aridez mental me refiro. Não é preciso dizer que, entre cristãos, a coisa toda fica ainda mais ridícula e irritante.

Difícil parece ser, atualmente, imaginar a existência daquelas sutilezas presentes nas mais nobres realizações humanas, advindas dos grandes atributos da imaginação e do pensamento racional saudável, quando este se atém à busca de tudo aquilo que é belo, bom e verdadeiro - e que riqueza alguma compra. Aí está talvez a característica mais notória do filisteu (“o bárbaro imerso na cultura”, segundo Richard Weaver): o deslumbramento por tudo aquilo que facilita a vida do homem, gerando conforto e status, acompanhado da repulsa a toda expressão capaz de clarificar os aspectos mais profundos da condição humana. Quando “bom gosto” e “estilo” se reduzem à mera capacidade de se enquadrar em certos padrões de consumo, os homens já perderam de vista o que, de fato, os torna humanos. O apego ao status e o encanto “coisista” nada mais são do que as preocupações mais básicas e comezinhas, comuns a qualquer animal, numa polaridade distorcida e potencializada.

Esses e outros sintomas de alienação, contudo, não afetam apenas às elites ignaras e os novos ricos opulentos. Tanto o “idiota flamejante” na Mercedes-Benz “com cascata artificial e filhote de jacaré”, do qual falava Nélson Rodrigues, como o pessoal das periferias, sem estudo e entretidos com asneiras proferidas por participantes de reality-shows, estão sempre correndo o risco de dar mais um passo adiante no processo sobre o qual Julian Marías alertava: o cavalo não se descavaliza, mas o homem sim, este pode desumanizar-se.

Weaver também observou que

Uma das mais estranhas disparidades da história é a encontrada entre o sentimento de abundância das sociedades mais antigas e simples e o sentimento de escassez das sociedades atuais, ostensivamente ricas.

E nada pior do que tentar consertar um erro com outro. Qualquer pessoa hoje, enjoada do consumismo abobalhado, logo se torna vítima da “engenharia da culpa” de que as ideologias coletivistas se valem com diabólica habilidade. Reinterpretando a história após evocar antropologias e axiologias auto-indulgentes e falaciosas, estas ideologias têm sido formidáveis incentivadoras de uma desumanização brutal. Otto Maria Carpeaux foi incisivo: “o fascismo propaga-se e vence através das classes médias, das quais é a expressão triunfal”. E fascismo, que fique claro, tem e sempre teve tudo a ver com coletivismo, relativização de valores, revolução, anti-cristianismo e estatismo brutal. Qualquer semelhança com o consenso cultural e político vigente no Brasil de hoje - anticristão e socialista até a medula - não é mera coincidência.

E aí estão, pomposos e melodramáticos, magnatinhas e intelectuais, todos falando em nome do povo, incapazes, porém, de riscar o verniz de suas unhas para ajudar os necessitados sem mostrar suas faces em campanhas com mensagens lacrimogêneas. O cinismo do altruísmo terceirizado (“é função do estado...”) e dessa caridade anunciada aos quatro ventos choca e denota o quão falsificadas estão as virtudes entre os que exercem influência sobre a mentalidade das massas. Que cristãos repitam essas bobagens, isso só evidencia que eles próprios perderam de vista os fatos que a graça comum e a criação divina apontam com tanta clareza, os quais mesmo tantas das melhores cabeças não-cristãs perceberam. Ao cristão, o filistinismo é ainda mais vergonhoso e está se tornando cada vez mais comum. Portanto, a troca do falso pelo verdadeiro é cada vez mais urgente e imprescindível.

Que os filhos do Altíssimo acordem. Que os autênticos detentores da Revelação, resgatados pelo amor de Cristo e então direcionados pelo Espírito Santo para buscar “toda boa dádiva e dom perfeito”, que vem de Deus, parem de viver como filisteus, reflitam, façam jus à sua condição, e ajam. Num tempo de elites bárbaras, em que o sentido de autêntica nobreza simplesmente perdeu-se, vale lembrar sempre: noblesse oblige. A condição de nobreza traz suas obrigações. O cristão reinará com Cristo. Que viva com a honra de um príncipe de um reino que jamais se acabará desde hoje, colocando todas as suas potencialidades a serviço da obra de Deus, e todas as suas convicções em harmonia com Sua Palavra.

C. S. Lewis foi um homem que, com todas as suas falhas, aprendeu que devemos amar a Deus não só com a alma e com todas as nossas forças, mas também com todo o nosso entendimento. Na obra Cristianismo Puro e Simples (Mere Christianity), foi contundente:

Deus não detesta menos os intelectualmente preguiçosos do que qualquer outro tipo de preguiçoso. Se você está pensando em se tornar cristão, eu lhe aviso que estará embarcando em algo que vai ocupar toda a sua pessoa, inclusive seu cérebro.

Sem entendimento, e sem buscar a presença de Deus – pois quem realmente ama sempre quer estar perto - , cristão algum estará à altura da missão que lhe cabe. Estará conformado a este século e, sem contato com a sua Palavra - o Logos, aquele sem o qual “nada do que foi feito se fez”-, não poderá ter “a mente de Cristo” e “andar por modo digno do evangelho”, sendo, de fato, “sal da terra e luz do mundo”.

E o problema todo é muito mais do que simplesmente ministerial, sacerdotal, para cada um dos filhos de Deus. Também é muito mais do que político, econômico, cultural, ideológico ou civilizacional.

São vidas que estão em jogo. E Deus ama essas vidas.