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domingo, 26 de janeiro de 2014

Fé cristã e política: entre o falatório e a realidade


(Publicado no Mídia Sem Máscara.)

 
Uma coisa é o Evangelho não ser nem de direita, nem de esquerda. Outra é compactuar com quem mente dizendo não haver como analisar questões políticas à luz dos princípios da fé cristã.

 
Não é muito difícil para um falastrão qualquer apresentar uma tese verdadeira em si mesma justamente para abrir o caminho para a aceitação de uma série de bobagens. Até crianças do ensino fundamental deveriam saber disso num ambiente cultural como o nosso, no qual tornou-se um vício usar a linguagem da forma mais irresponsável e malandra possível para fins políticos ou por pura egolatria.

Um exemplo sempre presente em conversas entre cristãos, quando o assunto é política é a frase: “o Evangelho não é de direita, nem de esquerda.” Eis uma obviedade, pelo simples fato do que o Evangelho, a Revelação, a Palavra de Deus, “permanece para sempre”. Já a clivagem esquerda/direita é só um meio de mapear linhas de pensamento e ação repleto de limitações, fruto de um período histórico determinado, além de ser facilmente manipulável.

domingo, 11 de novembro de 2012

No blog Púlpito Cristão: a velha bufonaria disfarçada de análise

(Publicado em minha coluna no Gospel Mais e no Mídia Sem Máscara.)


Leio num artigo postado em um blog cujos editores garantem não serem esquerdistas (já ficou claro que mentem) a seguinte pérola:

“A convergência de fenômenos como: o estimulo ao capital e consumo, a abertura e flexibilização da mídia, aumento do poder de compra, e o desejo coletivo em consumir, proporcionaram o cenário ideal para o crescimento da teologia da prosperidade no Brasil.”

E lá vamos nós. Aí está mais um exemplo claro de “bufonaria paramarxista”, como dizia Raymond Aron.  E, mais uma vez, disfarçada de crítica eclesiológica pretensamente apologética.

A começar pelo óbvio: para o autor, o problema da teologia da prosperidade é um problema decorrente da presença do livre mercado e de um estado de direito parecido com o das democracias liberais: com a possibilidade de que cada cidadão seja responsável pela melhoria de sua própria condição econômica, com imprensa livre e os direitos de propriedade e produção assegurados.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

O globalismo ocidental e o “espírito crítico”

Já está exaustivamente documentada, e até com uma boa quantidade de confissões, a articulação, em pleno andamento no Ocidente, para criar um governo mundial. Ao se ter contato com as obras de Antony Sutton, Gary Allen e outros autores, sabe-se que o processo já dura mais de um século. Fatos como o apoio financeiro de Wall Street à Revolução Russa e o gordo patrocínio de fundações internacionais como a Ford e a Rockefeller a insanidades como o Fórum Social Mundial e a ONG’s abortistas, gayzistas e feministas raivosas bem evidenciam que os esquemas mentais para interpretar a realidade que a esquerda hegemônica faz prevalecer no ambiente cultural não passam de ferramentas para ocultar o processo todo.

Com poucas exceções, quase tudo do que se entende hoje como “terceiro setor” foi criado justamente para dar legitimidade pública a esse plano. Adornando-se com atuação filantrópica doutrinadora, as ONG’s aliançadas nessa rede disseminam slogans e “significantes vazios”, termos-chave usados justamente para criar demandas públicas, e dar ares de cientificidade, relevância, e nobreza de intenções para táticas específicas de modelagem cultural, social, e, por fim, jurídicas e políticas. Sempre conforme requeira o momento, sob a ótica da estratégia de dominação cultural, como explicou o teórico comunista Ernesto Laclau, inventor do truque manipulatório.

domingo, 22 de julho de 2012

Economia, lógica, e um velho debate


Não adianta fugir, pois o assunto sempre surge. Mas um dos caminhos mais curtos para se resolver nas conversas entre amigos questões sobre o papel do estado na economia, e de como os cristãos devem se posicionar a respeito, é recorrer à fundamentação teórica de cada modelo econômico. Tudo o que um “evangélico progressista” tem na mão para se alicerçar são a falácia marxista da “mais-valia”, as quantificações descabidas de John Maynard Keynes, e, é claro, muita tagarelice gnóstico-revolucionária vinda diretamente das urucubacas iluministas, sobretudo as
francesas.

Para disfarçar essa miséria intelectual toda, muitos deles evocam a tal “teologia da Missão Integral”, que no fim das contas é a tentativa de cristianizar aquilo que sempre foi anticristão, uma vez que um de seus ícones máximos no Brasil, Ariovaldo Ramos, admitiu que esta é a versão protestante da “Teologia da Libertação” que os comunistas inventaram para se infiltrar na Igreja Católica. Já o livre comércio sempre existiu, não há nenhuma objeção bíblica ao livre mercado, e as refutações da teoria econômica liberal, sobretudo da Escola Austríaca, mostram a fragilidade teórica (a prática está mais que evidente ao longo da história) dos modelos socialistas. E o que não tem lógica, o que está desprovido de coerência interna, não pode vir de um Deus que se identifica com o próprio Logos, o fundamento da realidade e da capacidade humana (limitada, sim) em apreendê-la, cuja palavra é inerrante, e que é perfeito, justo, e pronto para manifestar sua provisão àquele que for fiel.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Um breve parágrafo sobre uma velha mentira

O Livro de Atos é famoso por sua descrição de um sistema de propriedade comum na igreja de Jerusalém. Os apóstolos aceitavam doações – doações muito grandes – dos membros da igreja de Jerusalém. Essa prática tem sido usada pelos defensores do socialismo cristão como um exemplo a ser imitado pelo mundo moderno. Mas esses socialistas não citam as palavras de Pedro a Ananias com respeito à propriedade do último: “Guardando-a não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder?” (Atos 5:4a). A posse em comum da Igreja de Jerusalém era voluntária, limitada em Atos a essa congregação, e administrada por homens que tinham revelação especial da parte de Deus. O que isso tem a ver com o socialismo moderno, que é compulsório, imposto sobre todas as pessoas numa sociedade, e administrado por burocratas apoiados pela polícia? Nada!

Gary North, na introdução do livro Sacrifice and Dominion, traduzido pelo Felipe Sabino. Aqui.

domingo, 20 de maio de 2007

Sete notas sobre a crítica ao consumismo

Há casos de consumismo psicopatológico. Certamente. Mas na crítica ao consumismo há uma psicologia aplicada para gerar resultados políticos, não para prevenir cidadãos de desequilíbrio algum. A opção preferencial dos críticos do consumismo, sabe-se, é pelos pobres. Riquinhos problemáticos e a classe-média “alienada”, para eles, só estão bebendo do próprio veneno.

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Antes de se atacar a sociedade por consumir demais, deve-se elogiá-la por produzir muito e oferecer conforto e liberdade de escolha entre produtos e preços. Isso é reconhecer as vantagens do livre mercado, pecado mortal para tais críticos. Mas Chesterton já avisava: “o que há de errado com o mundo é que ninguém pergunta o que está certo.” E consumista é a pessoa, quando é o caso. Não a sociedade. Dizer que a sociedade é consumista é como dizer que o Brasil é rosa fosforescente.

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Normalmente o padrão para taxar alguém de consumista não é o quanto a pessoa gasta com coisas tidas como supérfluas (ainda mais no Brasil, quintal da esquerda-Romanée-Conti deslumbrada). É o quanto de suas preferências se identifica com os famigerados “valores burgueses”. Se você aplaudir o apedrejamento do McDonalds e sugerir o incêndio da Daslu, apreciar um Cohyba, um Grant’s e trufas com um “cumpanhêro” fará de você um asceta.

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Os críticos do consumismo defendem governos fortes e interventores. Eles não vão esperar o governo dos seus sonhos surgir (e já não está bom assim!?!?) para querer moldar uma das esferas mais subjetivas e distintas da vida, que é a da economia pessoal. Cada um gasta sua grana do seu jeito, mas para quem sonha com “igualdade” reconhecer isso é doloroso demais.

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Muitos dos anti-consumistas são facilmente identificáveis porque têm sua moda própria. Na verdade, seus correligionários dão as cartas no que se refere às tendências de consumo. A última coisa que o universo fashion seria, repleto de bibas politicamente corretas, é uma solenidade da TFP (por outro lado, ainda bem, mas olha aí cara do ‘Che’ em tudo o que é mochila, camiseta e boné estilozinho).

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O pelotão de crianças mimadas histéricas com o padrão de consumo alheio é crescente e só confirma a tese de Ortega y Gasset: o ‘homem-massa’ e o ‘mocinho satisfeito’ desfrutam de forma tão natural de tudo o que a civilização produziu que pensam que ela é a própria natureza, e não um fenômeno que séculos de produção de conhecimento e uma combinação de elementos morais e espirituais tornaram viável. Por isso endossam frivolamente o discurso dos que querem destruí-la. Tudo é postiço, falso, na vida dos que perdem o senso histórico e recusam a toda e qualquer instância superior de valores, bem como à transcendência. Abre-se assim espaço para as mais ridículas picuinhas relativas estritamente à esfera material.

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“Enquanto uns consomem desenfreadamente, milhões morrem de fome”, dizem os engenheiros da culpa auto-proclamados arautos do resgate da dignidade humana. Logo quem! Os primeiros a terceirizar a solidariedade, empurrando-a para o estado, pois a bondade individual, para os tais, “não resolve o problema”. O slogan supõe que a presença de riqueza num dado ambiente é fruto da pobreza instaurada em alguns outros. Mas isso só pode ser mendacidade ou burrice das mais extremas. Qualquer calouro de Economia sabe porque uma economia cresce. A crítica também supõe preocupação com os pobres e até atribui argúcia sociológica a seu emissor, mas as forças motrizes da ideologia subjacente é a inveja e a fúria gnóstico-revolucionária.