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domingo, 26 de janeiro de 2014

Fé cristã e política: entre o falatório e a realidade


(Publicado no Mídia Sem Máscara.)

 
Uma coisa é o Evangelho não ser nem de direita, nem de esquerda. Outra é compactuar com quem mente dizendo não haver como analisar questões políticas à luz dos princípios da fé cristã.

 
Não é muito difícil para um falastrão qualquer apresentar uma tese verdadeira em si mesma justamente para abrir o caminho para a aceitação de uma série de bobagens. Até crianças do ensino fundamental deveriam saber disso num ambiente cultural como o nosso, no qual tornou-se um vício usar a linguagem da forma mais irresponsável e malandra possível para fins políticos ou por pura egolatria.

Um exemplo sempre presente em conversas entre cristãos, quando o assunto é política é a frase: “o Evangelho não é de direita, nem de esquerda.” Eis uma obviedade, pelo simples fato do que o Evangelho, a Revelação, a Palavra de Deus, “permanece para sempre”. Já a clivagem esquerda/direita é só um meio de mapear linhas de pensamento e ação repleto de limitações, fruto de um período histórico determinado, além de ser facilmente manipulável.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Cosmovisão cristã, a igreja brasileira, e os rumos do país: uma nota


Numa conversa com um amigo no Facebook sobre o recente "endireitamento" da Bráulia Ribeiro (legal mesmo! mas tô de olho), fiz um comentário que deixo aqui por resumir muito do que tenho pensado sobre formação cristã, a hegemonia cultural da esquerda no Brasil e o papel da Igreja nessa confusão toda.


Já lembrava o Harry Blamires: para ter uma mentalidade cristã é preciso ter uma mente cristã, e para tê-la, é necessário ter um pensamento cristão. Em qual denominação brasileira isso é levado real e radicalmente a sério? Concebe-se a fé como meio de salvação, mas nunca como uma cosmovisão. Discipulado desse jeito dificilmente vai além do adestramento denominacional. O trabalho que a sentença de Blamires implica é árduo e requer pôr a mente (estudos) e o coração (curar e disciplinar a alma) para funcionarem. E mais: funcionarem de forma harmonizada, sob a batuta do Espírito Santo.

Enquanto soar como carnalidade entre cristãos realmente nascidos de novo o trato de temas que não estejam ligados diretamente às disciplinas teológicas básicas - quando a conversa ao menos nisso consegue chegar -, é muito difícil que a influência cultural real dos cristãos seja mais do que capenga. E rejeitar o esquerdismo e outras mentiras parecerá, para alguns, uma grande vitória, quando na verdade deveria ser apenas umas das primeiras lições.

Sem a busca da santidade intelectual não vai ter jeito.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Sobre a acusação do vigarista Thiago Lima Barros


(A acusação dele 
está aqui. Meu artigo ao qual ele se refere é este. Sim, é um texto de junho de 2011. Sim, somente agora, em agosto de 2013, ele resolveu dar chiliquinho. Viram com quem estou lidando? Pois é. Aí tem? Tem! E não se pode esquecer da análise que Olavo de Carvalho fez das acusações de Thiago Lima Barros contra Julio Severo.)

Em meu artigo, cito o cara diretamente e por repetidas vezes ao longo de cinco parágrafos, contestando toda a lorota escrita por ele, deixando bem claro a todos que Thiago Lima Barros é um sofista, um enrolador, um esquerdista desonesto intelectualmente, e o que ele faz? Se atém a um parágrafo lá no fim do texto - quando se passaram mais de 1.300 caracteres da última vez em que citei o nome dele -, para posar de vítima. Para ele, eu “insinuo”. Será mesmo? Restaria-me dizer que ele insinua que eu insinuei, certo?

Tudo isso para se aparecer, tentar emular uma réplica e se esquivar de provar onde está o “caudal de inverdades” que eu teria escrito.

O mais engraçado da situação toda é que ele pensa que todo mundo lê tão mal quanto ele.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Lições de Jaspers



Publicado no Mídia Sem Máscara e no Gospel Mais.



Como fogos de artifício que explodiam em brilho, mas logo deixavam tudo em trevas e caíam no absoluto esquecimento. Assim se pronunciou o maior filósofo que o Brasil já teve, Mário Ferreira dos Santos, sobre as inúmeras correntes filosóficas que surgiram desde o fim do século XIX até os anos 60. E ele se referia especialmente ao existencialismo, uma linhagem bem heterogênea e com a qual se associam nomes como Kierkegaard (seu “patrono”), Heidegger, Martin Buber, Gabriel Marcel e o escritor Jean-Paul Sartre.

A influência do existencialismo, contudo, ficou, e vale a pena examinar uma amostra do que ela trouxe, até porque perto de sandices como o desconstrucionismo, o neopragmatismo e a sanha destruidora e anticristã da Escola de Frankfurt, há muito no existencialismo que pode contribuir na análise de questões pertinentes ainda hoje, por conta não só de suas qualidades e ênfases, como também de suas próprias limitações.

domingo, 11 de novembro de 2012

No blog Púlpito Cristão: a velha bufonaria disfarçada de análise

(Publicado em minha coluna no Gospel Mais e no Mídia Sem Máscara.)


Leio num artigo postado em um blog cujos editores garantem não serem esquerdistas (já ficou claro que mentem) a seguinte pérola:

“A convergência de fenômenos como: o estimulo ao capital e consumo, a abertura e flexibilização da mídia, aumento do poder de compra, e o desejo coletivo em consumir, proporcionaram o cenário ideal para o crescimento da teologia da prosperidade no Brasil.”

E lá vamos nós. Aí está mais um exemplo claro de “bufonaria paramarxista”, como dizia Raymond Aron.  E, mais uma vez, disfarçada de crítica eclesiológica pretensamente apologética.

A começar pelo óbvio: para o autor, o problema da teologia da prosperidade é um problema decorrente da presença do livre mercado e de um estado de direito parecido com o das democracias liberais: com a possibilidade de que cada cidadão seja responsável pela melhoria de sua própria condição econômica, com imprensa livre e os direitos de propriedade e produção assegurados.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

José Genoino, Valdir Steuernagel e Robinson Cavalcanti - uma foto para a posteridade



A foto acima foi publicada na revista Ultimato em novembro de 1993.

Quando falarem de "Missão Integral", PT, "esquerda evangélica" e sandices afins, e apontarem as alianças espúrias entre essa horda, é bom ter uma certeza: sempre há mais coisas a se investigar.

Aí estão, petistas, o mensaleiro, vermelhos, e claro, mui, mas mui evangélicos, no II Fórum Nacional de Discussão e Entendimento entre Evangélicos e Partidos Progressistas.

Sempre com a cobertura da Ultimato, é claro. Assessoria de imprensa que se preza não perde um evento dos patrões. Tiete que é tiete não perde um aceno de seus ídolos.


(Foto recebida do Pr. Gustavo Abadie, via Facebook.)

domingo, 21 de outubro de 2012

Um totalitarismo hi-tech?


O filósofo francês Louis Lavelle, comentando as descobertas científicas de Max Plank, Werner Heisenberg, Einstein, Louis de Broglie e outros, em meados da década de 30 na revista Le Temps, observava que com os avanços na pesquisa sub-atômica, a nova física que surgia apontava para fenômenos completamente distintos do que até então se conhecia, o que causou muitas surpresas. Lavelle percebia que, mesmo diante de novidades  desconcertantes,  “a ciência provoca no espírito uma espécie de embriaguez”,  parecendo colocar nas mãos do homem parte do poder criador, por ser “uma  arma prodigiosa, cujo valor depende do uso que se fizer dela”. Por este motivo, Lavelle constatava que, por outro lado, tudo isso produzia “certo calafrio mesmo naqueles que mais a admiram e amam”.

Lavelle apontou para questões relativas à imagem que a ciência fazia de si mesma, do próprio mundo material que é seu objeto de investigação, e as implicações de questões como essas para o espírito humano. “A ciência não busca mais nos dar uma imagem das coisas. Ela as transforma e multiplica”.