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domingo, 26 de janeiro de 2014

Fé cristã e política: entre o falatório e a realidade


(Publicado no Mídia Sem Máscara.)

 
Uma coisa é o Evangelho não ser nem de direita, nem de esquerda. Outra é compactuar com quem mente dizendo não haver como analisar questões políticas à luz dos princípios da fé cristã.

 
Não é muito difícil para um falastrão qualquer apresentar uma tese verdadeira em si mesma justamente para abrir o caminho para a aceitação de uma série de bobagens. Até crianças do ensino fundamental deveriam saber disso num ambiente cultural como o nosso, no qual tornou-se um vício usar a linguagem da forma mais irresponsável e malandra possível para fins políticos ou por pura egolatria.

Um exemplo sempre presente em conversas entre cristãos, quando o assunto é política é a frase: “o Evangelho não é de direita, nem de esquerda.” Eis uma obviedade, pelo simples fato do que o Evangelho, a Revelação, a Palavra de Deus, “permanece para sempre”. Já a clivagem esquerda/direita é só um meio de mapear linhas de pensamento e ação repleto de limitações, fruto de um período histórico determinado, além de ser facilmente manipulável.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Lições de Jaspers



Publicado no Mídia Sem Máscara e no Gospel Mais.



Como fogos de artifício que explodiam em brilho, mas logo deixavam tudo em trevas e caíam no absoluto esquecimento. Assim se pronunciou o maior filósofo que o Brasil já teve, Mário Ferreira dos Santos, sobre as inúmeras correntes filosóficas que surgiram desde o fim do século XIX até os anos 60. E ele se referia especialmente ao existencialismo, uma linhagem bem heterogênea e com a qual se associam nomes como Kierkegaard (seu “patrono”), Heidegger, Martin Buber, Gabriel Marcel e o escritor Jean-Paul Sartre.

A influência do existencialismo, contudo, ficou, e vale a pena examinar uma amostra do que ela trouxe, até porque perto de sandices como o desconstrucionismo, o neopragmatismo e a sanha destruidora e anticristã da Escola de Frankfurt, há muito no existencialismo que pode contribuir na análise de questões pertinentes ainda hoje, por conta não só de suas qualidades e ênfases, como também de suas próprias limitações.

sexta-feira, 29 de março de 2013

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Visões inconciliáveis


“O homem que diz que a verdade não existe está pedindo para que você não acredite nele. Portanto, não acredite.”
Roger Scruton

Sempre encontro ex-cristãos, pessoas que alegam terem perdido a fé. Às vezes se dizem ateus, agnósticos, ou simplesmente falam que “largaram a Igreja”. Muito raramente encontro entre estes alguém que apostatou por conta de dúvidas de ordem filosófica mais profunda ou por alguma lacuna encontrada na apologética cristã. Na verdade, buscar muita coisa nesta direção é até uma certa ingenuidade, e pode sinalizar que perdeu-se de vista a dimensão existencial e relacional do problema, algo que apologetas autênticos como Alister McGrath tem procurado resgatar.

E então, o que se vê? Bem, o que sempre se pode ver nestes casos são ressentimentos, frustrações, uma imersão gradual no mundanismo vulgar (baladas, bebedeiras, sexo casual ou nem tanto) e a subsequente batalha perdida, no âmbito moral ou emocional, para se recuperar e voltar ao Caminho. De que as igrejas muitas vezes falham, e grotescamente, não há dúvida. O filistinismo, a subserviência intelectual a postulados seculares, e o despreparo técnico e existencial puro e simples são notórios nos púlpitos, nas lideranças e seminários. A falta de sensibilidade aos fenômenos culturais mais óbvios é assombrosa. Mas não há escapatória: a responsabilidade maior é sempre da pessoa. Conheço muita gente que aturou horrores entre irmãos (reais e falsos), mas soube discernir entre a perfeição das verdades do Evangelho e a falibilidade humana dos crentes. De outro lado, temos alguns com uma abertura sincera, ainda que restrita, e também um grande pelotão com frescurites e presunção de uma superioridade moral e intelectual puramente imaginária e auto-lisonjeira. Identificar os dois casos e dar o tratamento adequado é sempre um desafio. Há polaridades e nuances.

domingo, 21 de outubro de 2012

Um totalitarismo hi-tech?


O filósofo francês Louis Lavelle, comentando as descobertas científicas de Max Plank, Werner Heisenberg, Einstein, Louis de Broglie e outros, em meados da década de 30 na revista Le Temps, observava que com os avanços na pesquisa sub-atômica, a nova física que surgia apontava para fenômenos completamente distintos do que até então se conhecia, o que causou muitas surpresas. Lavelle percebia que, mesmo diante de novidades  desconcertantes,  “a ciência provoca no espírito uma espécie de embriaguez”,  parecendo colocar nas mãos do homem parte do poder criador, por ser “uma  arma prodigiosa, cujo valor depende do uso que se fizer dela”. Por este motivo, Lavelle constatava que, por outro lado, tudo isso produzia “certo calafrio mesmo naqueles que mais a admiram e amam”.

Lavelle apontou para questões relativas à imagem que a ciência fazia de si mesma, do próprio mundo material que é seu objeto de investigação, e as implicações de questões como essas para o espírito humano. “A ciência não busca mais nos dar uma imagem das coisas. Ela as transforma e multiplica”.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

O globalismo ocidental e o “espírito crítico”

Já está exaustivamente documentada, e até com uma boa quantidade de confissões, a articulação, em pleno andamento no Ocidente, para criar um governo mundial. Ao se ter contato com as obras de Antony Sutton, Gary Allen e outros autores, sabe-se que o processo já dura mais de um século. Fatos como o apoio financeiro de Wall Street à Revolução Russa e o gordo patrocínio de fundações internacionais como a Ford e a Rockefeller a insanidades como o Fórum Social Mundial e a ONG’s abortistas, gayzistas e feministas raivosas bem evidenciam que os esquemas mentais para interpretar a realidade que a esquerda hegemônica faz prevalecer no ambiente cultural não passam de ferramentas para ocultar o processo todo.

Com poucas exceções, quase tudo do que se entende hoje como “terceiro setor” foi criado justamente para dar legitimidade pública a esse plano. Adornando-se com atuação filantrópica doutrinadora, as ONG’s aliançadas nessa rede disseminam slogans e “significantes vazios”, termos-chave usados justamente para criar demandas públicas, e dar ares de cientificidade, relevância, e nobreza de intenções para táticas específicas de modelagem cultural, social, e, por fim, jurídicas e políticas. Sempre conforme requeira o momento, sob a ótica da estratégia de dominação cultural, como explicou o teórico comunista Ernesto Laclau, inventor do truque manipulatório.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Três motivos para detestar ideologias

“Não sentir a putrefação do mundo moderno é sintoma de contágio.”
Nicolás Gómez Dávila


A chamada guerra cultural é um fato latente de nosso tempo que nenhum cristão maduro pode deixar de levar em conta se almeja entender os atuas fenômenos culturais e políticos. O termo “disputa por corações e mentes” remete a Guerra Fria, mais ainda serve para evocar uma realidade que se tornou nas últimas duas décadas ainda mais complexa do que aquela em que apenas dois pólos se opunham. Intelectuais agindo em redes organizadas, próximos ao centros de poder e de divulgação de informações para as massas têm definido não só os temas a serem debatidos, mas principalmente os termos nos quais se deve-se debater questões políticos e culturais decisivas.

O boicote e as ameaças que cientistas que se recusaram endossar a tese do “aquecimento global” sofreram são provas claras que certos grupos não descartam recorrer à chantagem e a métodos escusos para modelar, mais do que a opinião pública por alguns meses, o imaginário coletivo por décadas.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

A praga do fideísmo


Entre os muitos exercícios para a paciência que encaro todos os dias há um que está sempre no “hard mode”: ouvir cristãos, ao emitirem opiniões (opinião, essa deusa vulgar) sobre aspectos da doutrina, sobre vida devocional, ou sobre aquilo que crêem que é correto do ponto de vista teológico e bíblico, jogando o fideísmo ao quatro ventos. “Abandone sua razão para entender o que Deus quer de você e para você”; “pare de se ater ao seu entendimento se quiser viver uma vida cristã mais rica”; “deixe de raciocinar e ouça ao Espírito”. Quem nunca ouviu tais frases? Nem é preciso dizer que daí em diante surgem os pitacos mais estapafúrdios sobre as relações entre a fé e a racionalidade, e claro, as mais “maduras” e mui “espirituais” críticas a quem é visto como apegado ao estudo de temas sérios, ao aprendizado sistemático das doutrinas cristãs, ou meramente a uma vida intelectual menos miserável.

O fideísmo é isso: usar a razão para afirmar, sobre a fé, que fé e razão não se misturam. Soa engraçado e contraditório? Sim. Mas é uma mania consolidada em muitos segmentos da igreja brasileira. Kierkegaard caiu nessa. Karl Barth também. (Barth também caiu em outras piores, assunto para outra ocasião.) E que ninguém se engane. Às portas e mesmo dos púlpitos de templos das denominações de grande tradição e legado intelectual é possível ouvir tais disparates.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Perguntas rápidas para ateus e secularistas sensatos


Buscar-me-eis e achareis quando me buscarem de todo o coração.
Jr. 29:13



Nada nas ciências prova a impossibilidade da ocorrência de milagres. Muito bem. Então por que o ceticismo diante dos inúmeros relatos de milagres? Não passam de relatos? Ok. E as conclusões da ciência, não são baseadas nos relatos das experiências? Por que crer nos relatos inusitados de uns poucos cientistas e não crer em milhares de depoimentos que fortalecem-se uns aos outros ao longo de séculos?



Muitos secularistas atribuem as mais diversas motivações psicológicas para a crença em Deus. Principalmente para a crença no Deus dos cristãos, que, segundo estes, é bom, justo, e ao fim da história humana, eliminará o mal para sempre. Você tem certeza que para o ateísmo não há nenhuma motivação psicológica reconfortante, como por exemplo, a crença de que ao fim de sua vida terrena você simplesmente deixará de existir e não terá que prestar contas a nenhum Ser Superior que tudo sabe sobre você é que é perfeitamente justo e santo?

sábado, 11 de agosto de 2012

O Salvador filósofo

Mário Ferreira dos Santos, o maior filósofo que o Brasil já teve, afirmou que o cristianismo era por definição a grande religião capaz de levar os homens à condição de verdadeiros filósofos. A lista destes é imensa, e inclui gigantes de várias épocas, como Justino Mártir, Agostinho, Tomás de Aquino e Edmund Husserl. Recorrendo a ela, deve-se concluir que se o “ide e fazei discípulos” resultou no surgimento de inúmeros filósofos ao longo da história, certamente algo há em Cristo e em sua doutrina que gera esse maravilhoso resultado.

O filósofo norte-americano Peter Kreeft, em seu The Philosophy of Jesus –  traduzido para o português dos brasileiros com o título marotamente marketeiro Jesus, o maior filósofo que já existiu – destaca, usando um parecer de C. S. Lewis, que se num certo sentido, Confúcio, Buda e Maomé são filósofos, Jesus Cristo também o é, não só por conta do conteúdo da sua mensagem, mas também pela forma com que a apresentava, para que os homens apreendessem o sentido mais profundo de seus ensinamentos.

sábado, 7 de julho de 2012

O Brasil da fé e da devastação cultural

O cristianismo que se torna relevante culturalmente é aquele que é vivido de fato. Na vida individual dos milhões de cristãos de um país, na vida das famílias cristãs, nas comunidades, nas igrejas, até chegar ao grande debate político e cultural, à Academia, até, por fim, tornar-se uma força transformadora onde os rumos de uma nação são decididos. Assim surgiu o mundo ocidental, ainda que com seus muitos conflitos e problemas, e assim surgiu a velha e gloriosa Europa cristã, onde as artes, a música, a grande literatura, e a ciência moderna floresceram. A Europa de Shakespeare e Bach, Dante e Dürer, Leibniz e Kepler. O segredo: a profunda influência da cosmovisão cristã na cultura.
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E por que falar disso? Ora, estamos no Brasil, e acabou de sair o Censo 2010 do IBGE, com informações sobre o segundo maior país cristão do mundo. Sim, e um dos mais violentos, constando no ‘Top 20’. O pior nos exames internacionais de educação. Um país alinhado em sua política externa com o Eixo do Mal: Irã, Venezuela, Cuba, etc. Um país com péssima colocação em liberdade econômica, em qualidade de modelo institucional, e despontando nos índices de corrupção. Com um mínimo de vergonha na cara, cabe aos cristãos brasileiros perguntarem a si mesmos: que cristianismo de araque é esse o nosso?

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Pela restauração dos absolutos


Se não houvesse um padrão de moralidade absoluto, discussões morais não fariam o menor sentido, lembrava C. S. Lewis. Padrões morais distintos só podem ser comparados à luz de um padrão moral absoluto, oriundo, inescapavelmente, de um Legislador Moral absoluto.

E se na esfera individual a ética é absoluta, também deve ser em âmbito coletivo. E o ordenamento da sociedade, quanto mais alinhado a este padrão, melhor será. Alguma dúvida quanto a isso? Se ainda há - mesmo diante do colapso moral e intelectual do Brasil - vale investigar, na história, as idéias predominantes na ascensão e no declínio dos povos e civilizações.


Outra conclusão fundamental, e até óbvia, de Aristóteles, que serviu de alicerce para toda a filosofia política na Idade Média, seja no contexto árabe, cristão ou judaico, foi a de que se a polis é o domínio onde os atributos da natureza humana podem se realizar de forma plena, para compreendê-la é necessário ter uma visão clara e realista da natureza humana, dos seres que compõem a polis. Enquanto os acadêmicos de hoje se descabelam, considerando problemático o fato de que, nas ciências humanas, o sujeito que estuda e o objeto de estudo é exatamente o mesmo - o homem-, Aristóteles e os grandes filósofos daqueles tempos afirmavam que essa era, e é, justamente, a solução do problema, no que tange à epistemologia.


Por que essas considerações? Simples. Para lembrar que política, e o conhecimento válido a respeito do assunto, não se reduzem meramente a achismos, mera subjetividade, atribuir culpa a esta ou aquela corrente, ou que “falou em política, falou em sujeira”, como se esta dimensão da natureza do homem, como se este ramo do conhecimento, fosse algo essencialmente maligno. Se é, por que se tem tanta esperança que processos, planejamentos, agentes, ideologias e partidos políticos podem trazer melhorias concretas para a sociedade?


Triste é constatar que os indivíduos mais esperançosos no aprimoramento do homem e da sociedade por meio dos processos políticos são os primeiros a jogar para o alto as premissas mais preciosas do conhecimento nesta área, recriminando toda e qualquer oposição a seus postulados apriorísticos (ideologia é essencialmente uma doença cognitiva baseada no apego irracional a postulados desta ordem, desconexos de mediação empírica, com a realidade) de forma arbitrária.


Para cristãos, cair nestes erros é ainda pior. Uma fé que: (1) defende o caráter absoluto da moralidade, (2) afirma a condição caída do homem, e com um (3) parecer taxativo deste Deus onisciente e perfeito sobre a condição moral da humanidade: “vós, que sois maus” (Mt.7:11), não pode, de forma alguma, ceder a relativismos epistêmicos, que jogam a orientação política de cada fiel no cesto das preferências meramente subjetivas, e das utopias que prometem paraísos na terra. Que paraíso, que reino de justiça e paz é esse repleto de homens que, enquanto estiverem vivos, serão maus?


Aí estão conclusões inescapáveis para qualquer pessoa com um mínimo de bom senso. Infelizmente, o ímpeto revolucionário, ou seja, a revolta contra a realidade, a suprema rejeição de sua condição, de sua natureza e das circunstâncias quais foi inserido, por parte do homem, se alastrou de tal forma no presente estágio da história, que a perda, ou melhor, a cegueira obstinada quanto a estes princípios redundou no surgimento das assassinas ideologias de massa, e na infiltração destas em todos os ramos do conhecimento humano. Perdidos os princípios, o debate no campo das ciências humanas, em larga medida, reduziu-se a algo semelhante às discussões de futebol: “meu time (no caso, ‘minhas teorias favoritas’) são melhores que as suas simplesmente ‘porque sim’”.


Mais de uma vez debati com pessoas que, não podendo lidar com estes e outros princípios, pois se chocavam brutalmente com suas opiniões de estimação (na prática, verdadeiras muletas existenciais), apelavam para o xingamento, para o chiste vazio, e para risadinhas que evidenciavam mais o estado deplorável de suas almas do que qualquer outra coisa. Jamais cogitaram na possibilidade de que filosofia política, ciência política, e economia política são assuntos tão espirituais quanto soteriologia, cristologia, harmatiologia, etc.


“Não vou mais discutir com você. Vou escolher outros eruditos, que falam justamente o contrário, e seguí-los”, disse-me certa vez um rapaz. Não foi o primeiro a me chamar de “erudito”, o que denota não só o desaparecimento dos eruditos, mas, pior, a quase onipresente incapacidade de identificá-los; sequer sabe-se o que é um autêntico erudito atualmente. O mais grave mesmo, na afirmação da pobre alma, é que ela me remeteu diretamente a um aviso bíblico:


Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.
(2 Tm. 4: 3,4)


É claro que é sempre divertido encurralar gente presunçosa. Mas é lamentável ver este rapaz, e toda uma geração, rejeitando, na prática, os princípios, os absolutos, a noção mesma da verdade e da possibilidade de conhecê-la. Na política, na antropologia, na teologia, na busca de conhecimento sólido e devidamente fundamentado. Querendo dominar e aprimorar o mundo, perderam o controle de suas próprias mentes, e tornaram-se zumbis, autênticos mortos vivos, e levam o cheiro da morte por onde passam.


Já afirmei anteriormente que ser um “cidadão do nosso tempo” é essencialmente afirmar com todas as forças não suportar a mentira e a injustiça, e em seguida, dizer que a verdade é relativa e que não existe certo e errado. Há muitos que não chegam a tanto, mas abrem exceções para algumas áreas, e política costuma ser preferida. Ainda assim, sem notar na contradição em que caem, querem dar seus pareceres no assunto. Comprometidos com a verdade é que eles não podem estar, certo?


domingo, 21 de fevereiro de 2010

Reflexões após o XII Congresso da VINACC


Eles não são do mundo, como também eu não sou. Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.
João 17:16,17.

Líderes e palestrantes de diversas denominações, unidos, reafirmando a Palavra de Deus como o alicerce para uma vida cristã plena, pura, e capaz de impactar a sociedade de forma relevante e abençoadora. Algo que certamente alegrou e honrou ao Senhor Jesus, que, na chamada oração sacerdotal de João 17, pede a Deus Pai:

21)a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.
(22) Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; (23) eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim.

Palestras sobre doutrinas fundamentais da fé cristã, ciência, sexualidade, apologética, um painel sobre globalismo, política e a ideologia queer (gayzismo), eventos artísticos, e um povo amável que manteve o Parque do Povo, no centro de Campina Grande (PB), lotado. Como nenhuma dessas coisas se dão nem se harmonizam ao acaso, ficou clara a ação de Deus em tudo. A provisão, a proteção e a direção dEle se fizeram manifestas.

Problemas? Coisas a serem melhoradas? Também. O evento estava repleto de seres humanos, meu chapa.

Assim foi o XII Congresso Nacional da Consciência Cristã, uma iniciativa da VINACC. Fica o exemplo para a igreja do sul do país, que tem recursos, gente capacitada, e que pode, unida, e em Deus, fazer diferença, alargar o espaço de suas tendas, resgatar vidas, e preparar seus futuros líderes.

Quanto a mim, aprendi a dar palestra (acho...). Fui para abençoar, mas nada do que fiz se compara ao que o Senhor fez na minha vida. É sempre assim. Ele sempre nos surpreende, Ele sempre tem o melhor para os seus filhos. O amor dEle nos constrange.

Para 2011
O retorno para o evangelho da cruz. Este será o tema do XIII Congresso Nacional para a Consciência Cristã de 2011, e foi muito bem escolhido. Quando se atenta para a importância da ordem de Cristo “tome sua cruz e siga-me”, e para a centralidade da cruz na pregação e no ministério do apóstolo Paulo (nós pregamos a Cristo, e este crucificado), pode-se perceber melhor a relevância do tema na vida cristã.

Nas palavras de Donald Carson, no livro A Cruz e o Ministério Cristão (Ed. Fiel, 2009, págs 50, 51):

A mensagem da cruz esmaga as grandes idolatrias do mundo eclesiástico: nossa autopromoção interminável, amor ao mero profissionalismo e nosso vício por métodos bem definidos. Sem dúvida, em algumas circunstâncias, pode ser errado criticar qualquer dessas tendências. No entanto, consideradas juntas, elas formulam um padrão de ministério que está tão distante da mensagem da cruz, do demonstrável alcance da cruz e desta descrição neotestamentária do pregador da cruz, que temos de confessar, com vergonha, que nos voltamos aos ídolos e por isso arrepender-nos de nosso pecado.

O Congresso da VINACC tem o mérito de tratar assuntos que quase a totalidade da igreja brasileira nem sequer reconhece como importantes para a vida cristã. Muitos de nossos líderes ainda acham que política, geopolítica, cultura e o papel dos meios de comunicação de massa e a construção de conhecimento firmemente embasado e harmonizado com a Palavra de Deus não seriam “assuntos espirituais”. Em 2011, a mensagem da cruz, e o chamado ao quebrantamento, ao arrependimento, e à uma reavaliação de nossas diretrizes existenciais e ministeriais que tal mensagem evoca, estarão no centro das discussões na próxima edição do congresso. Num tempo em que a proliferação de pseudo-evangelhos repletos de misturas com doutrinas humanas (até com socialismo!) é um fato notório e alarmante, o retorno à cruz por parte dos que realmente crêem no sacrifício definitivo de Cristo, Rei do Reis, e Senhor dos Senhores, é fundamental, é de suma importância.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Eu, no XII Congresso Nacional da Consciência Cristã


Supondo que nunca existiu nenhum indivíduo neste mundo, em nenhuma época do tempo, que nunca haja vivido uma vida cristã perfeita em todos os níveis e possibilidades, tendo o Cristianismo sempre brilhante em todo o seu esplendor, e parecendo excelente e amável, mesmo sendo essa vida observada de qualquer ângulo possível e sob qualquer pressão, eu resolvi agir como se pudesse viver essa mesma vida, mesmo que tenha de me esforçar no máximo de todas as minhas capacidades inerentes e mesmo que fosse o único em meu tempo.
(Resolução 63, de Jonathan Edwards, 14 de Janeiro e 3 de Julho de 1723)

Certo dia orei: “Senhor, quando, e se o Senhor quiser, que me chamem, pois eu não vou atrás disso”. E não é que me chamaram para ensinar o que tenho aprendido ao longo dos últimos anos! Quem chamou foi o pastor Euder Faber, presidente da ONG (essa é “do bem”, e não “do B”, como a maioria) VINACC – Visão Nacional Para a Consciência Cristã. A indicação foi do meu amigo Julio Severo.

E lá vou eu para o XII Congresso, um evento consolidado e influente, realizado anualmente em Campina Grande, na Paraíba. Para mim, um desafio, afinal, dentre outros preletores estão Luiz Sayão, Adauto Lourenço e Russell Shedd. Mas vou com fé, crendo que é Deus quem está me capacitando. Vou participar do 2º Painel sobre Políticas Públicas e Estratégias da Nova Ordem Mundial, cujo tema será “Confrontando a Ideologia “Queer”. Vou debater esse tema com o teólogo Franklin Ferreira, a psicóloga Rozângela Justino, e com os pastores Joide Miranda, ex-travesti, e Jorge Noda.

Também serei o preletor do 3º Fórum de Capacitação de Lideranças Cristãs, abordando três temas:

“A Ética Esquecida: A Ética Intelectual do Cristão”;

“Ética Cristã: Fundamentos e Princípios para a Excelência Pessoal e Institucional”, e

“Ética Cristã e Mídia de Massa: Preparando-se para o Combate Cultural”.


Por enquanto, estou estudando, organizando o material das palestras, coletando informações, documentos, medito na Palavra de Deus, e busco seguir a recomendação do apóstolo Paulo ao jovem Timóteo: “torna-te padrão dos fiéis”, pois, como esse jovem pastor da igreja do primeiro século, desde a infância conheço “as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus”.

Mais informações, no site no VINACC.
Fiquem com Deus!
Fui!

sábado, 31 de outubro de 2009

Alguns pensamentos...

É assustadora a pressa dos que dizem “não tô nem aí” e “nem quero saber” em expor suas opiniões quando o assunto nunca antes estudado acaba por despertar algum interesse. Se a pressa pela obtenção da resposta é a mãe da burrice, a pressa em oferecer aquele pitaco idiota ou papagaiar um clichê qualquer pode ser seu mais grave sintoma.

*
É perfeitamente possível, e fácil até, ter etiqueta, sem ter educação.
E ser educado, polido, sem ter um mínimo de apreço pelo próximo.
Ser inteligente, e continuar ignorante.
Ter estudo, diploma, e não ter, de fato, uma formação.
Que conhecimento e sabedoria vivem sem o outro, é ponto pacífico.

*
Ser um “cidadão do nosso tempo” é essencialmente afirmar com todas as forças não suportar a mentira e a injustiça, e em seguida, dizer que a verdade é relativa e que não existe certo e errado.

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Confúcio disse que “o homem de bem exige tudo de si próprio, e o homem medíocre espera tudo dos outros.” Para Confúcio, um medíocre não é um homem de bem. E ser um medíocre é precisamente ficar na média, fazendo apenas aquilo que deve ser feito, tornando-se assim o homem definido pelo Senhor Jesus como “servo inútil”. Muitos já escreveram que a excelência, o talento evidente, o mérito digno de honra, irrita às hordas medíocres. Charles Swindoll lembra em Eu, um servo? Você está brincando! que a perseguição vem sempre sobre aqueles que fazem o que é certo e que Jesus disso sabia. Swindoll destaca que quando Jesus diz: “bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós”, Jesus não usa o termo “se”, mas sim “quando”. O cristão é o alvo da flecha certeira dos perseguidores e a mediocridade e corrupção reinante mostra que se o mundo nos ama, certamente estamos com algum grave problema.

*
Dicionário Brasil:
“Consciência crítica”: ter os clichês dos livros recomendados pelo MEC na ponta da língua.
“Fascista”: Sujeito provido da capacidade de desmentir o livro recomendado pelo MEC.

*
Para quem exerce algum cargo de chefia, uma trovinha de Rui Barbosa propõe o auto-exame:

Há tantos burros mandando
Em homens de inteligência
Que às vezes fico pensando
Que a burrice é uma ciência.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Os sofismas da “fé” pós-moderna


Desde os filósofos pré-socráticos se fala nas limitações do conhecimento humano. Mas o Jorge Camargo, que nada entende de Teoria do Conhecimento, endossa o parecer errado do Brian McLaren: “A pós-modernidade não relativiza o que é absoluto. Apenas admite que, diante do absoluto, nossas interpretações serão sempre relativas!” Que Brian McLaren não entende nada de cristianismo, eu já sabia. A novidade aí está: ele também não sabe nada da filosofia (se é que pode ser assim chamada) dita pós-moderna. Quem conhece minimamente a obra de um baluarte do pós-modernismo como Michel Foucault sabe que para ele a verdade é apenas um discurso de poder, é a fala dos mais poderosos, que criam um “regime de verdade”.

Outro ícone dessa turba da sofistas, Jacques Derrida, afirmava que nenhum texto tem sentido objetivo, unívoco, e nele não há sentido absoluto capaz de transcender e ter o mesmo significado em contextos culturais distintos. Não é preciso pensar muito e aplicar esse método hermenêutico aos próprios postulados de Derrida e notar que estes sim, não fazem o menor sentido.

Portanto, chamar esse tipo de asneira com o pomposo nome de “filosofia pós-moderna” é coisa de caipirões que consideram Brian McLaren referência para alguma coisa, como Jorge Camargo e René Padilla, o “pai” da tal “Missão Integral”, que nas primeiras páginas do seu livro “O que é Missão Integral?” cita McLaren. Por aí se vê as intenções de Padilla. Ou alguém aí pensa que está comprometido com a pureza do Evangelho um autor que cita (sem ressalvas) alguém que não vê a cruz de Cristo como o sacrifício expiatório definitivo para a salvação daquele que crê, mas sim como “propaganda enganosa” da fé cristã, e nem acredita na existência do inferno? É o caso de McLaren. Pense comigo: além das Sagradas Escrituras, inerrantes, infalíveis e suficientes, temos dois milênios de história do cristianismo, com seus mártires, heróis, teólogos, filósofos e pregadores apaixonados. E essas figuras escolhem justamente Brian McLaren para falar de fé, da igreja, e outros assuntos.

Sempre lembrando que Foucault e Derrida são ídolos da esquerda acadêmica. E a versão “gospel” do seus lacaios aí estão, com seus artigos na revista Ultimato.

Aí vem o Élben L. Cezar com aquele chororô: “a revista não flerta com o liberalismo teológico” e “não, a Ultimato não é de esquerda”. Esse povo tem uma dificuldade em se assumir... Porém, por mais que não sejam muito chegados no princípio epistemológico da não-contradição, a Bíblia é clara: “Seja seu sim, sim, e seu não, não, e o que passar disso, vem do maligno”. Para o esquerdistas e pós-modernos, isso é puro diletantismo, pura coerção. Para os que crêem na Palavra, ela é o poder de Deus.

Finalizo com vídeo com Brian McLaren se enlameando em heresias (em inglês). Não sem deixar um breve recado do apóstolo João, direto da Bíblia:

Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o anticristo. Olhai por vós mesmos, para que não percamos o que temos ganho, antes recebamos o inteiro galardão.Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho.
2 João 1:7,8,9.

domingo, 5 de julho de 2009

Contra o quê eles pelejam?

A verdade vem de Deus onde quer que a encontremos, e ela é nossa e é da igreja. Não devemos transformar tais coisas em ídolos, mas a verdade, onde quer que a encontremos, é da igreja.
Richard Sibbes, pastor puritano.


Quase todas as grandes questões discutidas na sociedade sobretudo ao longo dos últimos três séculos, por mais que pareçam meras disputas filosóficas, políticas, ideológicas e científicas, vão além disso. Se é verdade que os desdobramentos últimos das supostas resoluções desses problemas são sempre difíceis de prever, o aspecto subjacente que deve realmente ser identificado como o grande motor da questão deve ficar bem claro aos cristãos e não deve jamais ser perdido de vista: cada conflito existente no campo das idéias, é, em essência, uma batalha na guerra espiritual entre as verdades de Deus contra os sofismas das hostes de Satanás, aquele que vem para “roubar, matar e destruir”.

Sim, a verdade é invencível, pois ela vem de Deus, e Ele mesmo é o Caminho, a Verdade e a Vida. A luta daqueles que não conhecem a Deus e o rejeitam, esses que são “por natureza, filhos da ira”, não é uma luta contra a verdade. Contra ela, eles nada podem fazer, e em certa medida, dependem dela para transformar seus ensinamentos falsos em consenso no seio da sociedade. O que eles querem, por mais apaixonados que se digam pela verdade, é encobri-la. Tantos para eles mesmos como para os outros. Querem roubá-la dos que a possuem. Destruí-la desde dentro (ah, e quantos infiltrados na igreja de Cristo...) e desde fora (você conhece um intelectual e um “livre-pensador” típico).

É claro, contudo, que há muita gente séria, mas iludida, a defender mentiras diabólicas, e pessoas que sempre rejeitaram o Deus dos cristãos, mas não a totalidade das verdades que podem ser descobertas lendo as Escrituras ou observando com um mínimo de honestidade existencial e intelectual a Criação, pela qual muito se pode conhecer dos atributos do Criador.

Mais do que disputas entre linhas teóricas, perspectivas e versões da história, o que temos é uma guerra entre a verdade de Deus e a multidão de mentiras dos “réprobos quanto a fé”, como disse o apóstolo Pedro, dos cuja linguagem “corrói como o câncer”, segundo o apóstolo Paulo, dos aprisionados pelo príncipe deste mundo. Um mundo que “jaz no maligno”.

Parece um tanto dramático? Talvez sim, para alguns. Mas percebamos ou não, a cada verdade encoberta sobre o ser humano, sobre a estrutura da existência, sobre Deus e seus planos para a humanidade, o “inimigo de nossas almas” ganha terreno. E a vida piora já em nossa época, com resultados muitas vezes imediatos. Sem falar nas dificuldades crescentes em mostrar a seres humanos cada vez mais desnorteados intelectual, social e espiritualmente, as verdades excelsas do amor de Deus, seu plano de Redenção e sua vontade específica para cada homem, vontade que é “boa, perfeita e agradável”, por mais que muitas vezes incompreensível.

Note: em cada grande reivindicação, a cada grande polêmica levantada pelos “cidadãos do nosso tempo”, os portadores da tal “consciência moderna”, há sempre uma grande objeção à fé cristã, direta, ou subjacente. Dos abortistas aos planejadores sócio-econômicos, dos eco-fascistas aos cientificistas militantes, só se pode vê-los como “pessoas em busca de um mundo melhor” se o discípulo de Cristo entender que para os tais, “mundo melhor” é sinônimo de “mundo sem o Deus Verdadeiro e suas verdades”. Essa é a “luta” deles. Uma luta contra Deus, contra seu próprio Criador.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Cosmovisão cristã ou subserviência intelectual tosca?



Já está se tornando um personagem comum, típico em quase todas as igrejas, e principalmente, caricato. Mais ridículo ainda ficam seus trejeitos, cacoetes e mantras quando começa a liderar um "ministério", uma "rede" ou uma ONG (uau...). Senhoras e senhores, eu duvido que vocês já não tenham trombado com o novo intelectual evangélico brasileiro. Aquele rapazinho entre 25 e 30 anos de idade, que trabalha como professor, com meia-dúzia de livros lidos e uma pós-graduação mequetrefe que lhe confere a sensação e o prestígio entre os incautos para falar com autoridade sobre assuntos como sociologia, economia política, globalização, etc...

Como todo intelectual, ele é questionador. Se vê e quer ser visto como alguém que tudo questiona. Reclama da "alienação" alheia (sim, o esclarecido é ele) e está preocupado com as injustiças desse mundo e com a pobreza (sim, os egoístas são os outros).

O mais esquisito é que ele sempre está com nomes como Spurgeon, Lewis e Baxter na boca, criticando a forma com que a igreja (aliás, ele não pára de criticar a igreja) deixou sua fé manifestar-se unicamente na esfera pessoal, privada, e não a aplicou a todas as amplas questões que envolvem o convívio humano, a sociedade, a cultura, etc. Na verdade, ele não tem muito mais do que isso para falar. É esquisito porque esse intelectualzinho que vive de barba mal-feita comete exatamente o mesmo erro. Quanto mais falam em "cosmovisão cristã", em "visão integral" e afins, mais dá para perceber que ele entendeu muito pouco do que criam os autores que ele diz ser seus preferidos.

Na verdade, eles só citam desses autores aquilo que lhes interessa. O que nem sempre tem a ver com o "examinai tudo, retém o que é bom". Porque esse personagem tão comum aprendeu tantas coisas alheias não só ao que estes autores defendiam, mas à própria Bíblia, ao longo de sua vida, digamos, intelectual, que a última coisa esperável dessas figurinhas é essa visível incoerência e a fragmentação de seu conhecimento, não só digna de pena, porque ela é bem compreensível, tendo um fato claro a seu respeito: com a recusa metafísica característica da modernidade, houve a perda do sentido de conhecimento integrado, de uma cosmovisão cristã plena e articulada, na qual todas as principais teses convergem para os mesmas premissas, para os mesmos alicerces, numa epistemologia sólida, ao longo dos últimos dois séculos. Isso afetou também a igreja de Cristo, e num Brasil de educação precária, com os piores índices de desempenho educacional e com uma elite intelectual que taxa o Cristianismo, nos meios acadêmicos, como o pior conjunto de idéias que já apareceu sobre a Terra ao longo da história, não se poderia esperar outra coisa desse pelotão de presunçozinhos.

O resultado não poderia ser mais trágico: cristãos bem intencionados, mas sem o menor preparo para lidar com as questões as quais se propõem a lidar. Uma rápida passeada pelos blogs, pelos sites dos mil e um "ministérios" e das tais redes e ONG´s evangélicas, e um fato salta aos olhos: a "escolinha Jimmy Carter" deixou seus frutos (e frutas, mas deixa pra lá...). E o que é fazer parte da 'escolinha Jimmy Carter'? Simples: é, com a melhor das intenções, confiar no seu próprio entendimento, para, como cristão, dar apoio a tudo aquilo que não presta e se opõe à fé cristã.

É trocar figurinhas, idéias e apoio com partidos políticos abortistas e defensores do lobby gay. É, criticar os EUA para defender grupos de assassinos de cristãos, como os comunistas e os radicais islâmicos. É defender vastas intervenções do Estado na economia, e reclamar da pobreza. E por quê eles fazem isso? Porque o típico intelectualóide evangélico quer agir como cristão, mas aprendeu a ver o pobre como Marx. Quer ver a natureza como Deus vê, mas Stephen Jay Gould e os impostores do Greenpeace não saem de sua cabeça. Quer educação cristã em toda parte, mas louva Paulo Freire. Quer uma economia próspera, como tudo que está alinhado com os valores do Reino de Deus, mas aprenderam que a receita certa está em Keynes, ou, pior, em Lênin. Sonha com uma arte cristã mais rica, mas não conseguem admirar o que vai muito além do punk-rock e da literatura beatnik.

Querem um Brasil entregue a Jesus, mas agem como Robinson Cavalcanti, Rick Warren e outros militantes que se alinham e defendem instituições com agendas anti-cristãs na base, na essência, e em cada linha de seus estatutos.

Notem: eles sempre têm uma crítica à igreja na ponta da língua. E um louvor a qualquer Dawkins, Gandhi ou John Lennon da vida. Ele está tão a frente da "mentalidade atrasada que ainda há em nossas igrejas", que suas afinidades com os valores seculares não podem ser tidas como esclarecimento. É pura subserviência, é puro medo de desagradar seus ídolos mundanos.

J.P. Coutinho tempos atrás chamou este típico evangélico "preocupado com questões sociais", Jimmy Carter, de idiota útil. Útil aos que odeiam aquilo que Carter dizia defender. É difícil encontrar nome mais apropriado para esse imenso contingente de evangélicos brasileiros metidos a críticos, mas que nada mais são do que papagaios do Anticristo.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Flusser e a remagicização do mundo pela fotografia

Vilém Flusser, em sua coletânea de ensaios Filosofia da Caixa Preta, apresenta análises que considera como elementares para a construção de um arcabouço filosófico sobre a fotografia e suas relações com a condição humana, a história da comunicação e das representações das cosmovisões, seja as mais antigas e tribais bem como no mundo moderno, no qual a fotografia é inventada, fato que Flusser considera tão importante como a invenção da escrita:

Textos foram inventados no momento de crise das imagens, a fim de ultrapassar o perigo da idolatria. Imagens técnicas foram inventadas no momento de crise dos textos, a fim de ultrapassar o perigo da textolatria. Tal intenção implícita das imagens precisa ser explicitada.

Flusser aponta essa relação texto-imagem como fundamental para a compreensão da história do Ocidente, relação de conflito, mas dialética, na qual cada pólo absorve aspectos do outro, e faz com que imaginação – capacidade de compor e decifrar imagens – e conceituação – capacidade de compor e decifrar textos – se neguem e se reforcem mutuamente. As conseqüências diretas na produção de conhecimento e na cultura de massa são indicadas pelo filósofo. A crise dos textos gera o naufrágio da História, e surgem as imagens técnicas para suplantar essa ruptura. Mas Flusser não deixa de apontar para o risco da total substituição dos textos por tais imagens, que apenas aparentemente não são frutos “da cabeça” de um artista que lida com imagens, como um pintor. O fotógrafo e seu aparelho também fabricam suas imagens, e é por passar a impressão que esse processo, na produção das imagens técnicas, é menor, menos intenso, que ele denomina o complexo aparelho-operador de caixa-preta. Alusão ágil, que vai do aspecto físico e mecânico da máquina fotográfica ao mistério das caixas pretas das aeronaves, que ao seu modo também registram fatos, sempre de uma forma por demais discreta. Flusser, com tal metáfora, focaliza a natureza e a atividade do aparelho fotográfico e o trabalho do fotógrafo.

Quem vê input e output vê o canal e não o processo codificador que se passa no interior da caixa preta.

Aqui, o filósofo tcheco-brasileiro dá a direção e a chave para a crítica:

Toda crítica da imagem técnica deve visar o branqueamento dessa caixa. Dada a dificuldade de tal tarefa, somos por enquanto analfabetos em relação às imagens técnicas. Não sabemos decifrá-las.

Filósofo completo, que soube encarar as fragilidades conceituais do cartesianismo, com uma teoria do conhecimento própria, forjada com ferramentas conceituais de alta precisão na obra A Dúvida, em que impõe aos entusiastas do trabalho de René Descartes pesadas e bem fundamentadas objeções ao de omnibus dubitare do qual tanto se valem os céticos modernos, Vilém Flusser não deixa de apresentar em Filosofia da Caixa Preta a força de sua gnosiologia. Livre de racionalismos, vale-se da racionalidade ao investigar o ato de fotografar, a câmera, a fotografia na folha, os aspectos físicos da produção das imagens técnicas e os aspectos psicológicos, semiológicos e sociais da recepção de tais imagens. Ou seja, mais que meramente racional, Flusser também é empírico, e assim concilia habilmente o potencial de escolas filosóficas que muito se digladiaram ao longo da história da construção do pensamento ocidental sem perceber os adeptos de uma ala e da outra que a solução para tal problema já estava presente onde tudo começou, na obra do principal estruturador da forma ocidental de pensar: Aristóteles. Também outras dimensões do conhecimento humano estão ali presentes, contribuindo. Ali está o sensório-motriz, e também as intencionalidades, as ações e paixões, o aspecto fronético do conhecimento, enfim.

Entretanto, com a humildade que aos grandes mestres pertence e o torna gigantes, Flusser não passa por cima da dúvida enquanto ferramenta para empreendimentos teóricos sérios: cada verbete do glossário que ele, didaticamente, apresenta ao início da coletânea de ensaios contém o sentido que ele mesmo avisa que é provisório. Flusser sequer tenta fincar estacas. Quer apenas mapear o terreno. Mas o faz com tanta propriedade que já não é possível, ao ver as bases, deixar de visualizar ao menos o “esqueleto” de uma casa que tantos outros almejam alocar tijolos e abrir janelas. Hábil arquiteto, Vilém Flusser sabe trazer à vista o arché de um novo tema para a filosofia como poucos filósofos. Com sua visão privilegiada, não pisa nos ovos das cobras que picaram os olhos de outros pensadores, que, cegos, podem comprometer a importante tarefa filosófica a que ele se propõe e a outros convida: decifrar as imagens técnicas – as imagens produzidas por aparelhos.

E é na força da crítica e da reflexão filosófica que Flusser acredita para que a humanidade possa superar a remagicização e manipulação imposta pelas imagens técnicas. “A crítica pode ainda desmagicizar a imagem”. A cegueira de alguns ele considera monstruosa e de antemão os tem como incapazes de cooperar para o empreendimento que propõe: para ele, o crítico pode estar também envolvido, também programado para uma visão mágica do mundo, vendo forças ocultas em toda parte. Desta forma, o próprio aparelho tornar-se-á uma força oculta: o jornal, o partido, a agência de publicidade,o parque industrial são deuses a serem exorcizados pela fotografia e tudo isso, para Vilém Flusser, não passará de hierofania de segundo grau. E dispara: “a crítica da Escola de Frankfurt é um bom exemplo desse paganismo de segundo grau, exorcismo do exorcismo”.

“A realidade da guerra do Líbano, a realidade ela mesma está na fotografia. Não pode estar alhures. Se o receptor da fotografia for para o Líbano ver a guerra com seus próprios olhos, estará vendo a mesma cena, já que olha tudo pelas categorias da fotografia. Está programado para ver magicamente”. E não só tal homem está programado – e entenda-se aqui programa como “jogo de combinação com elementos claros e distintos”, como os próprios fotógrafos e críticos. Esses elementos estão na estrutura do aparelho, nas teorias aplicadas na construção de todo o material necessário para se construir uma câmera, para se fazer fotografia. Papel, lentes, filmes, etc. Todo o processo de abstração dos eventos, transmutados na fotografia como mera cena, para Flusser, dependem da categorização que todos esses elementos irão gerar, que com uma boa sacada resume a condição digamos, cognitiva da fotografia enquanto tentativa de apreender algum dado da realidade:

Em fenomenologia fotográfica, Kant é inevitável.

Para Kant, conhecemos segundo podemos conhecer, mas não conhecemos a “coisa-em-si”. Flusser identifica na fotografia a metáfora mais precisa da incognoscibilidade do “númeno” defendida pelo baixinho de Köenigsberg. Com fotos e câmeras, tudo o que temos é “fenômeno”. Para superar a alienação que aparelhos com essa condição geraram nos homens da cultura massificada, que pensou o aparelho e agora pensa sob as categorias do aparelho (e Flusser lembra que o mesmo processo aconteceu no século XVIII – o “mecanicismo”) há que se debruçar sobre os quatro problemas essenciais da fotografia, que Flusser aponta: o do aparelho, que é “infra-humanamente estúpido e pode ser enganado”; os programas, que permitem a inserção de elementos humanos não previstos; as informações que implicam símbolos; e a imagem que implica magia. Os fotógrafos experimentais, segundo Flusser sabem que são os problemas da imagem, do aparelho, dos programas e das informações que devem ser resolvidos.

“Urge uma filosofia da fotografia para que a práxis fotográfica seja conscientizada” afirma Flusser, que, com tais reflexões e análises, remete à crítica de C. S. Lewis sobre a produção de conhecimento técnico do homem, que antes de libertá-lo, escraviza-o. “A conquista da Natureza pelo Homem, caso se realizem os sonhos de alguns cientistas planejadores, significaria que algumas centenas de homens estariam governando os destinos de bilhões e bilhões.” Para Lewis, a cada avanço tecnológico, a humanidade corre o risco de aumentar o domínio do homem pelo homem, e não necessariamente aumentar o domínio do homem sobre a natureza. Flusser parece ter uma visão muito clara disso, e considera a atividade filosófica como uma busca pela liberdade. No que concerne à fotografia, seu esforço neste sentido fica evidente na seguinte declaração: “a filosofia da fotografia é necessária porque é reflexão sobre possibilidades de se viver livremente num mundo programado por aparelhos. Reflexão sobre o significado que o homem pode dar a vida”.