"O intelectualismo isolado é como o luar, porque é uma luz sem calor, uma luz secundária refletida por um mundo morto. (...) a lua é completamente racional; a lua é mãe dos lunáticos, e a todos eles deu o seu nome." G. K. Chesterton
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Luther – W. H. Auden
Luther
With conscience cocked to listen for the thunder,
He saw the Devil busy in the wind
Over the chiming steeples and then under
The doors of nuns and doctors who had sinned.
What apparatus could stave the disaster
Or cut the brambles of man´s error down?
Flesh was a silent dog that bites its master,
World a still pond in which its children drown.
The fuse of Judgement spluttered in his head:
´Lord, smoke these honeyed insects from their hives.
All works, Great Men, Societies are bad.
The Just shall live by Faith...’ he cried in dread.
And men and women of the world were glad,
Who´d never cared or trembled in their lives.
Lutero
Consciência pronta a ouvir o ronco do trovão,
Viu o Diabo no vento, todo atarefado
Entrar em campanários, passar sob o vão
Da porta de freiras e doutos em pecado.
O desastre, de que modo evita-lo, como
Aparar o espinheiro dos enganos do homem?
Carne, um cão silente a morder o seu dono;
Mundo, um lago mudo que os filhos seus consome.
O estopim do Juízo queimava em sua mente:
“Fumiga esta colméia de abelhas, Senhor:
Tudo – obras, Sociedades, Grandes Homens – mente.
O Justo viverá pela fé...” gritou, temente.
E quem, homem e mulher do mundo, o temor
Ou zelo nunca atormentou, ficou contente.
sábado, 8 de setembro de 2007
Cientificismo no ar: a nova ordem da ignorância mundial
O cientificismo permanece até hoje como um dos poderosos movimentos gnósticos na sociedade ocidental; e o orgulho imanentista na ciência é tão forte que até mesmo os ramos especiais da ciência deixam sedimentos tangíveis nas variantes da salvação através da física, da economia, da sociologia, da biologia e da psicologia.
Eric Voegelin
Na edição de Veja desta semana, na matéria “Graças a Deus – não a Darwin”, o jornalista Marcos Todeschini, finalizando matéria na qual escolas adventistas eram criticadas por ensinarem o criacionismo, não se conteve: “Falta ainda a essas escolas, no entanto, entender que o criacionismo foi superado pela ciência há mais de um século.” E a naturalidade com que William Bonner anunciou a descoberta de nove dentes de gorila na Etiópia como um “elo perdido” na “cadeia evolutiva” do homo sapiens escandaliza apenas aqueles que ainda não se acostumaram com o amontoado de lorotas cientificistas divulgado todos os dias por diversos veículos de comunicação, especializados ou não. Quem viu a chamada do Jornal Nacional no dia 22 de agosto e está minimamente a par do debate notou: Bonner fez tudo o que Richard Dawkins manda: tratou a evolução como um fato, e não como uma especulação teórica.
Parece que não basta mais à Rede Globo soar ridícula no Fantástico. O Jornal Nacional também deve fazer sua parte. A editora Abril, por sua vez, ao permitir que bobagens como as de Todeschini e as da revista Superinteressante sejam publicadas, não fica atrás em matéria de caipirice.
Se, por um lado, o que se vê na mídia de massa sobre ciência nada mais é do que a afirmação de enunciados muito contestados, como os da datação geralmente aceita (DGA) para a idade do planeta e para o período em que viveram seres hoje extintos, por outro, teorias e fatos comprovados que põem em cheque a fé cientificista são simplesmente ignorados. Nunca se comenta, quando se fala em evolucionismo, afirmações como a do eminente defensor da evolução Stephen Jay Gould de que as “árvores evolutivas que enfeitam nossos livros só têm dados nas pontas e nos nós de seus galhos; o resto é dedução, por mais que razoável que seja, não evidência de fósseis”. Porém, mal se descobre uma ossada, e já se ouve a expressão “elo perdido” - falácia que pressupõe uma linha evolutiva com algumas lacunas, quando na verdade tais linhas sequer existem, como confessa Gould.
Diante disso, pode-se concluir: a modelagem do imaginário coletivo em direção ao agnosticismo e à descrença na religião revelada está em estado tão avançado que tratar uma dessas teorias como fato passou a ser um procedimento automático. E pior: confere ao seu emissor a pecha de “esclarecido”, palavra que, nesse contexto, define o crente no velho mito da luta entre religião e ciência, uma das maiores e mais daninhas farsas da história do pensamento ocidental, cujo resultado trágico ainda não pode ser mensurado, mas que em Dostoiévski já era possível detectar sua natureza macabra: “se Deus não existe, tudo é permitido”.
Interessante é que se você perguntar a um desses “esclarecidos” da mídia de massa o que é ciência, é quase certo que ele não saberá responder ou falará asneira. Quanto a isso, o físico escocês James Clerk Maxwell já alertava: “uma das provas mais difíceis para uma mente científica é conhecer os limites do método científico”. Se para tais mentes há essa dificuldade, imagine entre pitaqueiros profissionais, nerds e bobocas diplomados pelo... MEC. Assim fica fácil entender como a redução da pesquisa científica a uma ideologia burra e teofóbica vai ao ar e faz a cabeça da já confusa patuléia telespectadora. Para piorar, o fato é que faz parte do jogo dos cientificistas omitir o significado preciso do que seja ciência – a pesquisa experimental materialista, na definição concisa e certeira de Olavo de Carvalho. Logo, não será na grande mídia que o cidadão comum aprenderá certos conceitos fundamentais sobre a ciência, e tampouco conhecerá as teorias, descobertas e fatos que não só confrontam, mas que em muitos casos destroem na base a maior parte das presunções cientificistas.
Portanto, vale enumerar alguns conceitos e informações que a mídia cientificista omite do grande público.
Sobre o que a ciência pode falar ou não:
A pesquisa experimental materialista - mais conhecida como “ciência empírica” ou “ciências operacionais” - é, de acordo com Gene Calahan, “a tentativa de abstração dos dados experimentais na obtenção de uma relação mecânica universal entre as quantidades mensuráveis”. Não pode reduzir os fenômenos às suas relações mecânicas, nem falar do que algo realmente é. Muito menos afirmar sobre o que é certo ou errado do ponto de vista moral, como muitos que tentam embasar premissas éticas relativistas na Teoria do Caos, no Princípio da Indeterminação de Heisenberg ou na Teoria da Relatividade de Einstein com interpretações forçadas.
A ciência das origens, que investiga a origem, o início e por quais processos o universo teria passado para ser como é, não se enquadra como empírica, e sim como ciência forense, com princípios, regras e métodos diferentes de investigação, pois não lida com aspectos quantitativos e repetíveis, e sim com eventos singulares do passado.
Nenhum conhecimento dessa ordem tem caráter definitivo, e suas premissas, alicerces epistemológicos e conclusões devem passar sempre por um crivo filosófico rigoroso.
Sobre a DGA:
O apego à Datação Geralmente Aceita pelos cientificistas, sobretudo por parte de darwinistas, advém do fato que milhões de anos são uma condição necessária para a macroevolução. Mas para se endossar a DGA é preciso ter confiança cega em três coisas quais não há como provar: (1) que é possível saber as condições originais do artefato que terá sua idade medida – o quanto o mar tinha de sal, ou se isótopos de chumbo não existiam no princípio, por exemplo; (2) que não houve contaminações na amostra, capazes de alterar a taxa de decomposição; e (3) que a taxa de decomposição ao longo dos séculos foi exatamente a mesma.
Do contrário, a data resultante estará errada.
Sobre a natureza religiosa da formulação darwinista
Não há problema algum numa teoria por ter uma fonte inspiracional religiosa. O que uma teoria dita científica precisa ter é apoio científico possível ou real. Tal como o criacionismo, inspirado no Gênesis bíblico, o mito da evolução era uma antiga crença gnóstica que só por meio de Charles Darwin tornou-se hipótese científica, e como mito gnóstico é que grande parte de sua força pode ser explicada. Os tradicionais ataques à fé cristã perpetrados por darwinistas não passam de uma conseqüência natural desse fato, para quem conhece minimamente a história do gnosticismo na cultura ocidental e sua transmutação moderna nas mais variadas ideologias. Não é à toa que cientificismo, marxismo e nazismo sempre partilharam das teses evolucionistas e da fúria contra o legado cultural judaico-cristão.
Sobre teorias alternativas ao evolucionismo, como a do Design Inteligente:
Pouco espaço se dá na mídia de massa aos defensores da Teoria do Design Inteligente (TDI). Três são os motivos: as severas objeções às teses evolucionistas, o fato das suas especulações favorecerem o teísmo e a associação indevida da TDI com o criacionismo.
EM TEMPO: Nem o evolucionismo, nem o criacionismo, nem a TDI, como hipóteses científicas, poderão um dia provar que estão certas, não só pelas próprias limitações do método científico, como por objeções sérias de ordem filosófica: observar o mundo criado e pensar num Criador por analogia é válido. Já tentar provar a existência de Deus, ou do "Designer Inteligente", em laboratório, esquadrinhando fragmentos da criação é ridículo, pois a causa, o propósito e o sentido das coisas criadas estão sempre além delas mesmas. Nem se nega a existência e a necessidade dEle pela presença de combinações naturais bem-sucedidas que supostamente O descartariam. E quantas dessas combinações seriam necessárias para termos uma palmeira, uma ameba ou um elefante? A tese evolucionista esbarra no problema das séries infinitas, e para superá-la deve se ter uma capacidade equivalente a de dizer quantos pontos há numa reta.
Sobre evidências históricas e arqueológicas da veracidade dos relatos bíblicos:
Afirma Nelson Glueck em seu Rivers in the Desert: “nenhuma descoberta arqueológica jamais contradisse uma referência bíblica. Várias descobertas arqueológicas foram feitas que confirmam de forma geral ou em detalhes exatos as afirmações históricas na Bíblia.”
A confirmação de relatos bíblicos por fontes não cristãs, sobretudo sobre a vida de Cristo, também são abundantes, mas, entre fatos históricos comprovados e teorias capengas, a mídia cientificista prefere sempre produzir documentários sobre essas últimas.
Sobre o Princípio Antrópico:
Para que a vida na Terra fosse possível, no momento do big-bang uma série de fatores deveriam estar presentes, e estavam, diz o Princípio Antrópico. Divulgado tal postulado, o fortalecimento da crença em Deus como causa planejadora do universo pode ser tão grande nas massas quanto tem sido entre os mais eminentes cientistas, e isso a mídia não quer. Como diz o filósofo Peter Kreeft, “existem, relativamente, poucos ateus entre neurologistas, neurocirurgiões e astrofísicos, mas muitos entre psicólogos, sociólogos e historiadores. A razão parece óbvia: os primeiros estudam o design divino, e os últimos estudam o undesign humano.”
Sobre as leis da termodinâmica:
As duas primeiras leis (há uma lei “zero” que versa sobre a temperatura como propriedade de equilíbrio) da termodinâmica afirmam que: (1) a quantidade de energia real no universo prevalece constante e (2) a quantidade de energia utilizável está diminuindo, o universo tende à entropia, ao “desgaste”. Essa segunda lei tem uma implicação séria: o que se desgasta não pode ser eterno, logo, teve um início, uma Causa: Deus.
Perguntar não ofende
Por que teorias e postulados que favorecem especulações materialistóides, sempre com as insinuações anti-religiosas de praxe são tão divulgadas na mídia de massa e outras, que, se comprovadas (quando isso é possível) prensariam ateus e cientificistas contra a parede, simplesmente parecem inexistir? Há quanto tempo não se vê nas grandes redes de comunicação, nas revistas de grande circulação e na imprensa especializada tais temas sendo tratados?
Só uma bem articulada estratégia de promoção da ignorância cientificista auxiliada por jornalistas esquerdômanos anticristãos não explica a questão, se não se falar nos mentores do fenômeno. A crescente concentração do poder midiático nas mãos de grupos de planejadores mundiais bilionários, aliançados com a ONU, onde impera o gnosticismo, parece ser a explicação mais plausível para a disseminação sistemática da ideologia cientificista. E nem falo aqui da omissão criminosa da divulgação dos inúmeros pareceres científicos contrários ao discurso ecofascista, como o dos 17 mil cientistas que assinaram a Petição do Oregon, ou de especialistas eminentes como Paul Lindzen e Claude Allegre.
“A ignorância é a maior multinacional do mundo”, dizia o velho Paulo Francis. Qual será o tamanho dela no futuro, quando um mega-truste dessas proporções age sem parar, com todos os recursos ao seu dispor, ávido por dominar o planeta?
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Robinson Cavalcanti: sempre socialista, nunca conservador
Bastou uma leve aproximação no tom de seu discurso com o ideário conservador, e um dos mais proeminentes esquerdistas da igreja brasileira, o bispo anglicano Robinson Cavalcanti tem seu artigo publicado no mais importante veículo de comunicação assumidamente liberal-conservador do Brasil. Mas o erro não foi só dos brasileiros. Nos Estados Unidos, ocorreu algo parecido. Portanto, fica o aviso: não, senhores, o bispo anglicano Robinson Cavalcanti não é um conservador. Não é nem mesmo o que pode se chamar de direitista. Não é liberal clássico, nem um libertário, e muito menos um conservador, seja da vertente moderada, da mais anti-estatista, ou mesmo um neocon discípulo de Leo Strauss. Nem isso. Ele é e sempre foi um socialista.
Cavalcanti deve ter notado a associação indevida de sua pessoa com o conservadorismo, mas até agora não quis se pronunciar para desfazer o equívoco. Estaria ele agindo estrategicamente? É presumível que sim.
Ex-deputado pelo PT, partido pró-aborto, pró-gayzismo, aliançado com grupos terroristas de esquerda latinos como as FARC colombianas e o Sendero Luminoso no Foro de São Paulo, Cavalcanti, que também é cientista político, foi o mentor e fundador do MEP – Movimento Evangélico Progressista, agremiação de militantes “esquerdistas cristãos”. Afirmou que saiu do PT porque, além de ter sido eleito para o episcopado anglicano, em sua visão, o partido abrandou o discurso e não era mais de esquerda o suficiente:
não estou mais filiado ao Partido dos Trabalhadores desde 1997, em razão da minha eleição ao episcopado anglicano. Tenho memórias positivas de um passado de lutas pelo estado democrático, pela soberania nacional e pela justiça social. Tenho também percepções cada vez mais negativas da ruptura-ideológico-programática desse partido
(Revista Ultimato, edição de setembro/outubro de 2004)
No segundo turno da reeleição de Lula, em 2006, no mesmo sentido, Cavalcanti escreveu:
Depois de me esgotar rodando o Brasil nas campanhas de 1989 e 1994, sou surpreendido com a confissão de Lula: “Nunca fui de esquerda”. (...) Como funcionário público de classe média, professor universitário, aposentado, socialista democrático e evangélico, não tinha mais razão para votar em Lula.
(Ultimato, edição de janeiro/fevereiro de 2006)
Vale destacar que Robinson Cavalcanti não é um conservador nem mesmo em termos teológicos. É uma das principais referências no Brasil quando o assunto é a teologia da Missão Integral, uma espécie de versão protestante da “teologia” da “libertação”, com a qual militantes socialistas transformaram milhares de paróquias da América Latina em meros think-tanks da subversão política. Não é porque agora, com o recrudescimento do agitprop gayzista, que o deixou alarmado, que Cavalcanti abandonou o ideenkleid socialista. Ele não fez isso publicamente. E mesmo se o fizesse, quem conhece a história do comunismo sabe que após a rejeição pública de seus velhos e torpes ideais, o suposto ex-militante deve ficar sob observação atenta. No caso de Cavalcanti, esse cuidado não é necessário. Pois ele não negou nada do que está em seus livros, artigos e discursos, nos quais mistura e associa socialismo e cristianismo.
A teologia de Robinson Cavalcanti, bem como algumas de suas posições em relação à família e à sexualidade também afrontam não só o conservadorismo, mas também o cristianismo histórico. Sobre a monogamia, ele afirma:
O ideal existe, mas sua manifestação histórica pode ferir outros tantos ideais divinos: sanidade, amor, fé, pois a monogamia pode ser, em muitos casos, apenas aritmética (1+1) e não qualitativa. A manutenção de outros ideais divinos tem levado, por sua vez, à necessidade de modelos não-monogâmicos que tornam possível a preservação e a promoção daqueles outros valores e idéias diante da impossibilidade histórico-conjuntural da simultaneidade de todos os valores (p. ex. Israel no Antigo Testamento.
(no e-book Libertação e Sexualidade, págs 71 e 72)
É claro que ele omite a passagem bíblica em que Jesus Cristo reafirma aos fariseus a prescrição divina irrevogável: Deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua (no singular) mulher, tornando-se os dois uma só carne. Também não fala do padrão paulino para bispos e diáconos: maridos de uma só mulher.
Antes, a preocupação de Cavalcanti é meramente igualitarista, e acarreta na hipótese de que Deus estabeleceria padrões de conduta impossíveis de serem vivenciados ao longo da história:
O ideal divino, edênico, seriam as uniões monogâmicas? Sim, mas para todos. Ou seja, a exigência de absolutização desse modelo seria legítimo historicamente quando, concomitantemente, houvessem as condições objetivas para que todos a usufruíssem, não ficando ninguém sem casar, conforme, igualmente, o ideal edênico. Não seria teologicamente correto, nem eticamente honesto, exigência de um aspecto sem levar em conta a totalidade da Ordem da Criação.
(Libertação e Sexualidade, pág 72)
Aqui fica óbvia a transposição da mentalidade “socialista democrática” de Cavalcanti para a esfera teológica, com todas as suas nefastas conseqüências de ordem espiritual e moral. “Só não é pecado se todos tiverem o mesmo direito”. Mas nada apóia esse raciocínio comunistóide nas Escrituras. “As manifestações sociais do pecado, as perversões, como as guerras, as epidemias, as enfermidades, os acidentes, as desigualdades, os preconceitos, têm tornado impossível o outro lado desse ideal”, afirma o bispo no parágrafo seguinte. Como se a presença do pecado no mundo pudesse relativizar a ordenança divina, única fonte da qual se pode entender a noção mesma de pecado. A ilogicidade da assertiva raia o ridículo.
Esse é o verdadeiro e conhecido Robinson Cavalcanti, ainda que faça boas críticas à ditadura gay (que, na verdade, ajudou a forjar, pois sempre se empenhou para que os evangélicos brasileiros apoiassem candidatos esquerdistas) e reconheça que, em última instância, a verdade e justiça absoluta estão não mãos de Deus. O que não é suficiente para fazer dele um conservador, ou seja: alguém que não faz qualquer concessão a ideologias, ao intervencionismo estatal cada vez maior e à relativização de valores espirituais e morais. Robinson Cavalcanti é mais um exemplo daqueles cristãos que deixaram-se influenciar pela mentalidade secular em muitas de suas posições.
Fica a reprimenda aos conservadores autênticos: mais atenção, mais discernimento e mais conhecimento histórico é necessário. Não dêem crédito de imediato a qualquer assertiva de origem duvidosa, por mais que esta se assemelhe aos postulados conservadores. A história do movimento revolucionário mundial é a do ódio e da perversão travestidos de caridade e zelo moral. Para a esquerda, não interessa o discurso, desde que ela seja capaz de arrebanhar militantes e semear os impulsos gnóstico-revolucionários na alma de seus ouvintes, com um único objetivo: a revolução, a “nova ordem”. Estejamos atentos.
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Esse é meu segundo artigo que sai no MSM. O outro foi esse post.
Leia também o post Política à luz da Bíblia.
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Nos tempos da blasfêmia pop
Para divulgar o filme The God Who Wasn't There (O Deus que não estava lá) - alusão ao best-seller do apologeta presbiteriano Francis Schaeffer, The God Who Was There – o “ministério” Blasphemy Challenge (www.blasphemychallenge.com) propõe ao “desafiante” que grave um vídeo no qual blasfeme contra o Espírito Santo, o único pecado sem perdão, segundo o texto do Evangelho de Marcos 3 verso 29, e envie-o a sites como o YouTube. E avisam: “Jesus vai te perdoar por qualquer coisa que você fizer, mas ele não vai te perdoar se você negar o Espírito Santo. Nunca. Essa é uma estrada sem retorno que você esta escolhendo agora.” O prêmio? Uma cópia de The God Who Wasn't There.
Um dos objetivos confessos dessa turminha é aumentar a população do inferno. Nesse sentido, são mais crentes na Bíblia do que os adeptos da heresia universalista. A danação eterna poderá vir, no futuro, a muitos que aderiram à proposta, mas é para o presente momento que a idéia do Blasphemy Challenge tem visivelmente uma meta muito mais séria, por mais que não assumam: por meio da chacota, ridicularizar a fé em Cristo e contribuir para o recrudescimento do anticristianismo, fenômeno notório em quase todo o Ocidente. Certamente os idealizadores do projeto pouco se importam, ou mesmo ignoram de que cristianismo é a religião mais perseguida do mundo e o número de vítimas dessa caçada chegue a 90 mil por ano. A cumplicidade, mesmo inconsciente, é clara, e a História mostra que a perseguição cultural sempre precede à física, a matança em larga escala. É só perguntar a qualquer judeu alemão que assistiu a chegada de Hitler ao poder.
Com tantos adolescentes aderindo, não se pode negar o contorno de esporte radical, de X-Games, que o Blasphemy Challenge adquiriu. O anticristianismo, entre os adultos é supostamente intelectualizado, instigado e influenciado pelos bem-falantes da mídia de massa. O dos adolescentes, para emplacar, não poderia usar gravata: anda de skate e aparece no Youtube. É basicamente Jackass religioso. Aí está a nova tendência. Logo aparecerão mais filmes, videogames e streetwear baseados numa afronta estilozinha ao cristianismo.
Vale lembrar: fosse uma gozação ao budismo, ao hinduísmo, à wicca ou a qualquer culto tribal, os poodles midiáticos teriam chiliquinhos e gritariam: etnocêntricos! Intolerantes! Como é contra o cristianismo, “viva a liberdade de expressão”. Se fosse contra o islamismo, bem, o episódio dos cartuns na Dinamarca refresca a memória, serve de exemplo, e dispensa comentários.
Num quadro como o atual, se os cristãos realmente estivessem atentos, já teriam se posicionado de forma diferente. Infelizmente, parecem acuados demais por bobagens como o evolucionismo, o cientificismo, a manipulação lingüística dos politicamente corretos, a recriminação da fé nas escolas e na Academia, e a insistência na divulgação da mitologia iluminista que caricaturiza o cristianismo e faz as mais estapafúrdias distorções históricas. Cada um desses elementos tem um papel importante para a formação de uma sociedade cristofóbica. Não são poucos os que defendem tais coisas sabendo claramente disso.
Para agravar a situação, o fato é que os cristãos ainda não conhecem a superioridade de suas posições frente à lorota agnóstica e ateísta e acabam enredados pela gritara cética. Podem pagar caro por isso, e a secularização da Europa, já em estado avançado, o esvaziamento de muitas igrejas e as dificuldades crescentes para a evangelização são evidências de que é hora de um despertamento apologético e evangelístico de envergadura mundial.
Jonathan Edwards, rara combinação de teólogo erudito, apologeta e ousado avivalista, já avisava: o inferno é fechado pelo lado de dentro. O espetáculo trash perpetrado pelos “ateus” do Blasphemy Challenge confirma mais uma das convicções do velho mestre calvinista, e compactua, ainda que de maneira cínica e irresponsável, com uma chegada mais rápida de muitos mártires cristãos ao paraíso celeste.
terça-feira, 10 de julho de 2007
Ide e adaptai?
O texto da chamada grande comissão não diz “ide a adaptai o Evangelho a toda criatura”. Nunca achei um trecho sequer de Paulo - que se fez de louco para ganhar os loucos - apontando para tal necessidade. Vejo, sim, a adaptação da estratégia do pregador, não da essência da mensagem. Vejo a necessidade das pessoas e povos se adaptarem, por meio do arrependimento, à mensagem da Cruz, que, em cada uma das cartas do apóstolo, destinadas a igrejas em contextos sócio-culturais distintos, é sempre a mesma.
Bem, não é de hoje que adaptam o Evangelho às mais variadas inspirações e motivações. Sejam ideológicas, e aí temos o exemplo soturno dos entusiastas da tal “Missão Integral” – rótulo que subentende a parcialidade do Evangelho quando desprovido da mistura com o socialismo – ou mesmo os mais torpes impulsos carnais, como no caso dos “evangélicos gays”, termo equivalente a “ateus politeístas”, “céticos crédulos” ou algo do tipo.
Em Cristo, diz a Bíblia, não há diferença entre circunciso e incircunciso, bárbaro ou cita, judeu ou grego. O Evangelho é um para todos, e é na busca do seu significado mais puro e profundo é que vidas poderão ser transformadas e ver muitos de seus problemas resolvidos. Não consigo perceber algo que tenha causado mais confusão e desavença na história da Igreja do que interpretações parciais e subjetivas da Palavra de Deus, que permanece a mesma, para sempre. Evangelho ao gosto do freguês acarretará sempre na perdição eterna do freguês.
segunda-feira, 25 de junho de 2007
A minha fé e a deles
domingo, 20 de maio de 2007
Sete notas sobre a crítica ao consumismo
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Antes de se atacar a sociedade por consumir demais, deve-se elogiá-la por produzir muito e oferecer conforto e liberdade de escolha entre produtos e preços. Isso é reconhecer as vantagens do livre mercado, pecado mortal para tais críticos. Mas Chesterton já avisava: “o que há de errado com o mundo é que ninguém pergunta o que está certo.” E consumista é a pessoa, quando é o caso. Não a sociedade. Dizer que a sociedade é consumista é como dizer que o Brasil é rosa fosforescente.
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Normalmente o padrão para taxar alguém de consumista não é o quanto a pessoa gasta com coisas tidas como supérfluas (ainda mais no Brasil, quintal da esquerda-Romanée-Conti deslumbrada). É o quanto de suas preferências se identifica com os famigerados “valores burgueses”. Se você aplaudir o apedrejamento do McDonalds e sugerir o incêndio da Daslu, apreciar um Cohyba, um Grant’s e trufas com um “cumpanhêro” fará de você um asceta.
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Os críticos do consumismo defendem governos fortes e interventores. Eles não vão esperar o governo dos seus sonhos surgir (e já não está bom assim!?!?) para querer moldar uma das esferas mais subjetivas e distintas da vida, que é a da economia pessoal. Cada um gasta sua grana do seu jeito, mas para quem sonha com “igualdade” reconhecer isso é doloroso demais.
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Muitos dos anti-consumistas são facilmente identificáveis porque têm sua moda própria. Na verdade, seus correligionários dão as cartas no que se refere às tendências de consumo. A última coisa que o universo fashion seria, repleto de bibas politicamente corretas, é uma solenidade da TFP (por outro lado, ainda bem, mas olha aí cara do ‘Che’ em tudo o que é mochila, camiseta e boné estilozinho).
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O pelotão de crianças mimadas histéricas com o padrão de consumo alheio é crescente e só confirma a tese de Ortega y Gasset: o ‘homem-massa’ e o ‘mocinho satisfeito’ desfrutam de forma tão natural de tudo o que a civilização produziu que pensam que ela é a própria natureza, e não um fenômeno que séculos de produção de conhecimento e uma combinação de elementos morais e espirituais tornaram viável. Por isso endossam frivolamente o discurso dos que querem destruí-la. Tudo é postiço, falso, na vida dos que perdem o senso histórico e recusam a toda e qualquer instância superior de valores, bem como à transcendência. Abre-se assim espaço para as mais ridículas picuinhas relativas estritamente à esfera material.
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“Enquanto uns consomem desenfreadamente, milhões morrem de fome”, dizem os engenheiros da culpa auto-proclamados arautos do resgate da dignidade humana. Logo quem! Os primeiros a terceirizar a solidariedade, empurrando-a para o estado, pois a bondade individual, para os tais, “não resolve o problema”. O slogan supõe que a presença de riqueza num dado ambiente é fruto da pobreza instaurada em alguns outros. Mas isso só pode ser mendacidade ou burrice das mais extremas. Qualquer calouro de Economia sabe porque uma economia cresce. A crítica também supõe preocupação com os pobres e até atribui argúcia sociológica a seu emissor, mas as forças motrizes da ideologia subjacente é a inveja e a fúria gnóstico-revolucionária.
quarta-feira, 25 de abril de 2007
As atribuições do homem
Penso que toda pessoa já passou por isso, seja nas pequenas tarefas do cotidiano ou nas grandes questões existenciais. A forma que nos habituamos a encarar tais situações evidenciam o estado do nosso caráter, que, se essencialmente é o mesmo, ainda assim pode ser moldado. A grande doença de nossos tempos é a vontade de driblar as atribuições do homem frente à realidade, seja relativizando cada uma delas ou inventando uma interpretação mais cômoda do conjunto dos fatos. Tais mentes, muitas vezes, sim, imaturas, mas não raro deliberadamente intransigentes e omissas, buscarão no consentimento alheio o respaldo para os sofismas que inventaram para cauterizar suas próprias consciências.
Não tenho dúvidas que aí reside boa parte dos aspectos psicológicos e espirituais que forjaram a mentalidade moderna.
Logo me dirão:
-Eliot, o cristianismo também pode ser facilmente enquadrado como uma dessas fugas, prometendo para uma vida futura aquilo que nega para a presente.
Respondo:
- E você está de fato disposto a experimentá-lo, ao menos para ver se esse é o caso? Evidências da veracidade da fé cristã te garanto que não faltarão.
Mais de uma vez vi refletido no olhar de tais pessoas uma profusão dessas fugas, uma explosão desses sofismas, vindas das profundezas do ser.
Logo emendo:
- Quem te capacitará a andar com Deus, a seguir a Cristo, será o Espírito Santo.
Alguns dizem que disso sabem. Noutros, noto, condoído, o anseio louco e redobrado de se lançar com todas as forças no abismo das elocubrações herdadas dos que há séculos fazem de tudo para fugir de Deus.
Então noto que não é essa a condição para o qual o homem foi criado. Um ser forjado "à imagem e semelhança de Deus", mesmo aprisionado pelo pecado, necessita da verdade e da comunhão com seu Criador.
Cabe ao homem buscar saber até que ponto está disposto a buscar a verdade, em todas as áreas, e o que está disposto a fazer para estar próximo daquele que promete:
Buscar-me-eis e me achareis quando me buscares de todo o coração.
sábado, 31 de março de 2007
Crivella fala bobagem
Nada há em comum entre o amor altruísta, fruto da iniciativa pessoal de alguém que se relaciona com o Deus vivo, e uma ideologia de ódio ateísta por princípio, que evoca a luta de classes para centralizar o poder político e econômico nas mãos de supostos intelectuais que consideram o Cristianismo o maior obstáculo para a Revolução Comunista.
Mesmo assim, Crivella elogiou, segundo a Agência Senado, “a luta histórica da militância do PCdoB por um Brasil mais justo”. A revolta comunista de 1935 matou 500 pessoas em uma semana. Hoje, os socialistas do PT fazem os cofres da União pagarem indenizações milionárias para gente que foi perseguida na ditadura de 64, que — para evitar a ameaça comunista em nosso país — em longos 20 anos fez um pouco mais que a metade desse número de vítimas, mas sem dúvida alguma protegendo milhões de brasileiros inocentes.
Só para recordar, milhões de cristãos foram cruelmente trucidados em governos comunistas da União Soviética, China e outros, e ninguém ganhou indenização. No Brasil é diferente: além de ameaçarem instalar semelhante regime assassino, hoje os esquerdistas radicais recebem indenizações milionárias porque foram detidos na tentativa de golpe. Gente que é sempre a favor do aborto, da causa gay, da eutanásia e que, graças a declarações como essa de Crivella, desfrutam a cada dia que passa de mais prestígio entre os evangélicos brasileiros desinformados.
quarta-feira, 21 de março de 2007
Ateu não existe
Bem agora que estamos conversados, defenderei o porquê de, como cristão, não acreditar na existência de ateus. Em Eclesiastes 3:11, o pregador diz:
Tudo fez Deus formoso em seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras de Deus desde o princípio até o fim.
(Bíblia de Estudo Almeida,Revista e Atualizada)
A passagem sugere não só o anseio do homem em buscar o sentido máximo de sua vida e de todo o plano da existência, como também dá a entender que há um conhecimento inato de um Ser Superior inerente à condição humana, ou, ao menos, um conhecimento da imortalidade, da natureza espiritual do homem, e o que reforça essa análise é são os trechos do Gêneses que tratam do homem enquanto ser criado à imagem (Gen.1:27) e semelhança (Gen. 5:1) de Deus”.
Mesmo arautos do ateísmo como Marx, Sartre e Bertrand Russel foram teístas confessos em alguma fase de suas vidas. Alguns deles, ao assumirem-se como ateus, falaram desse posicionamento como algo terrível, duro, cruel. Talvez por ter de se deparar a todo instante com aquilo que negavam. Não sei, nunca fui ateu.
Além dessa evidência interna da existência de Deus, há também a evidência externa, a qual a passagem de Romanos 1:19-20 faz referência:
Porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, como também sua divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis;
(Bíblia de Estudo Almeida,Revista e Atualizada)
Infere-se, portanto, com base bíblica, a existência da revelação interna (no coração) e a revelação externa (presente na natureza) da existência de um Ser Superior, Criador e Sustentador do mundo. Não é à-toa que o salmista foi enfático em declarar: “Não há Deus, diz o tolo em seu coração” (e eis a base bíblica para afirmar que as universidades estão repletas de tolos). Só pode ser um tolo quem despreza sua experiência vivencial mais básica e tenta fazer vistas grossas ao que a Criação manifesta constantemente. Sempre tive a impressão que ateus confessos estão “fingindo ateísmo” o tempo todo.
Vale destacar que a revelação interna se faz presente no homem também pelo simples fato dele ser parte da Criação. E é bem no homem que revelação da existência de Deus é mais gritante, pois ele é a obra máxima da Criação, feito à imagem de Deus.
Alguém logo dirá: “ei, mais essa revelação não é suficiente para salvar o homem”. Concordo. Não estou falando aqui da salvação, do plano salvador de Deus executado por Cristo. Estou falando do “acreditar que Deus existe”, não no “acreditar em Deus” e muito menos no “acreditar que só em Jesus se obtém a salvação”. Falo da revelação geral, da teologia natural. Não da revelação especial, que é a Bíblia, a Palavra de Deus. E nela que, sim, podemos ter conhecimento da mensagem da cruz e não só ter comunhão com Cristo agora e na eternidade, como, por meio dessa comunhão, perceber de forma mais completa a beleza da Criação, da vida, e do amor eterno de Deus Pai, Criador e Sustentador (pois nEle, TUDO subsiste) de todas as coisas.
segunda-feira, 5 de março de 2007
O silêncio de Cavalcanti e sua trupe
Nem tudo, porém, os cala. Robson Cavalcanti fica todo alarmadinho quando vê o atual governo liberando verbas milionárias para passeatas gays e defendendo com unhas e dentes a agenda GLBT. Mas não é capaz de assumir, que, sendo um cientista político que até deputado pelo PT já foi, sabendo que o partido sempre foi pró-gay, pró-aborto, pró-eutanásia e pró-FARC´s, tem parte nisso tudo.
Hoje ele deixou de ser petista porque não acha o PT de esquerda o suficiente para ter seu apoio. Mas progressista nenhum deixa de dar seus brados quando é hora de pular do barco, de jogar os anéis para não perder os dedos. Faz parte do modus operandi dos socialistas. É claro que Cavalcanti fez isso como se também não estivesse presente no pacote vendido pela esquerda que ele, agora, considera a autêntica (daqui a meia-hora pode ser outra facção), a típica afronta a cada um dos enunciados cristãos que é da essência mesma do esquerdismo. Mas sobre ela Cavalcanti também silencia.
O problema maior é que, para Cavalcanti e asseclas não basta evidenciar a dissonância que há entre os princípios bíblicos e o socialismo. Não basta mostrar, na ponta do lápis, e com base histórica, a inviabilidade de regimes socialistas e de outros com pesado intervencionismo estatal na economia, que saem mais caros e só agravam o problema da pobreza. Também não basta evidenciar as raízes anticristãs das ideologias progressistas e os perfis, sempre variando entre o devasso e o homicida, de todos, (sim, todos) os grandes autores e heróis do progressismo/socialismo. “Pelos frutos, os conhecereis”, para eles, talvez não se encaixe aqui, tudo não deve passar de mera coincidência.
Quase cinco décadas de dominação gramsciana no Brasil, aliada a um provincianismo repleto de ressentimento e complexo de inferioridade em relação ao mundo desenvolvido, reduziram a caridade e o altruísmo cristão à mera práxis revolucionária. E pior, em apoio incondicional a terroristas treinados pelo regime cubano e seus respectivos lacaios e entusiastas, que, do PT, saltaram para os postos de chefia de várias instituições públicas do país. Sobre isso, tudo o que temos de boa parte dos evangélicos de esquerda também é silêncio.
O silêncio deles, porém não me desgosta totalmente. Na verdade, até prefiro-os bem quietinhos. Sem falar, sem escrever artigos, livros, sem aparecer na tevê e sem querer moldar a cosmovisão alheia. O silêncio deles, sim, evitará que a ação da Igreja se transforme em atividade legitimadora de ideologias mundanas e do governo do Anticristo, que, sem querer (assim espero), os evangélicos socialistas estão ajudando a construir.
Veja também:
Os evangélicos brasileiros e as causas do Anticristo e
A ONU começa a mostrar as suas garras
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
Provai e vede que o Senhor é bom
Quanto ao mais, irmãos meus alegrai-vos no Senhor. A mim não me desgosta e é segurança para vós outros que eu escreva as mesmas coisas (Fl 3.1).
Na que é provavelmente sua carta escrita em tom mais pessoal, Paulo reitera que está alegre e exorta seus irmãos nesse sentido. E lá está a alegria como item do “fruto do Espírito” na carta aos gálatas, o que nos leva a considerá-la como resultado direto da presença de Deus em nossas vidas (Gl 5:22-23).
Cristo disse que no mundo teríamos aflições, mas daí para dizer que esta vida é um “vale de lágrimas” há uma bela distância. Já cheguei a dizer que não acredito em depressão em cristãos maduros por motivos meramente emocionais, contingenciais, e ainda reluto em admitir que tenha exagerado. Foi Cristo que disse: “Tende bom ânimo”. Certamente há algo de muito errado na vida espiritual de quem está sempre melancólico, por mais que motivos não faltem para nos entristecer e revoltar. Mas deixar os sofrimentos do presente tomarem conta da nossa alma é ceder à “tristeza segundo o mundo”, que “produz morte” (2 Coríntios 7:10). É dessa depressão, dessa tristeza patológica a que me refiro.
Enfim, as promessas bíblicas para os que forem fiéis a Ele são muitas, e “seus mandamentos não são penosos” (1 João 5:3). Portanto, associar ortodoxia, fidelidade estrita à Palavra de Deus, a legalismo e a fardos farisaicos é um disparate que só aqueles que, segundo Eric Voegelin, “não possuem a força espiritual exigida para a heróica aventura da alma que é o Cristianismo” poderiam conceber.
“A lei do Senhor é perfeita e seus mandamentos alegram o coração”. A melhor alternativa para quem quer viver uma vida alegre é obedecer ao Senhor, buscar “o centro da Sua vontade”, como se diz. Vontade que, testificou o apóstolo, porque a experimentou: é boa, perfeita e agradável.
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007
Procura-se contra-argumentos decentes
O que me preocupa na atual ideosfera brasileira não é só a existência dessas pessoas. É constatar que a maioria esmagadora comporta-se dessa forma. Disparando clichês e frases-feitas assim que se toca em certos assuntos. Tais reações variam do gracejo bobo – alguns já bem previsíveis – até manifestações de fúria e severa reprovação.
Triste é perceber que parentes, amigos e outros que até ontem eu considerava esclarecidos estão desse jeito. Antes fossem apenas os âncoras dos telejornais...
Se hoje o louco da história sou eu, tudo bem. O futuro dirá. Ficarei feliz em estar errado. Se estiver correto e se tudo continuar como está, espero que Deus me permita, quando esse futuro chegar, estar bem longe do Brasil.
Que o Senhor sare essa nação. Porque o que se planta, colhe.
quarta-feira, 3 de janeiro de 2007
Ciência, fé e caipirismos progressistóides
Essa criancice cronocêntrica, que faz tantas pessoas pensarem que existe uma espécie de evolucionismo da verdade, começou com Hegel, se absolutizou com Marx e, na forma de uma idolatria determinista do devir histórico, mãe de todo progressismo e repleta de preconceitos imanentistas tolos, emburreceu (e corrompeu) meio mundo, impedindo milhares de mentes talentosas de descobrir as grandes lições deixadas pelos antigos.
Quem cai na conversa da “ciência versus fé” normalmente é vítima da propaganda agressiva dos ideólogos do materialismo naturalista travestido de ciência, que advoga o monopólio da definição cabal de tudo o que existe. O que é a vida, o que é o trabalho do cérebro, o que é o ato conjugal, como se formou o mundo etc. O que a “ciência” disser, concordem todos, especialmente os religiosos – retrógados e obscurantistas por excelência -, na visão dos cientificistas xiitas entusiastas do “progresso”.
Coloquei aspas na palavra ‘ciência’ na frase anterior porque aquilo que os materialistas dizem ser ciência não passa de uma visão bem estúpida do que ela realmente é. O verdadeiro cientista sabe que na mais completa e revolucionária de suas descobertas, nada mais fará do que abstrair de dados experimentais uma relação mecânica (num sentido lato) universal (uma dessas “leis”, p. ex.) entre quantidades definidas. E jamais poderá dizer que tal coisa “é realmente assim” ou é a “verdade absoluta sobre o fenômeno”. Esse cientista sabe que a abstração é derivada da experiência e que as relações mecânicas nela observadas são apenas partes do fenômeno. Newton sabia que suas leis não “eram” os porquês de alguns fatos, mas apenas descreviam aspectos mecânicos destes (1).
É por isso que ele e outros grandes gênios cientistas, como Max Plank, Werner Heisenberg, Galileu, Pasteur, Einstein, Blaise Pascal, Robert Boyle, Michael Faraday, James Clark Maxwell, Aristóteles(2), Gregor Mendel e Francis Bacon não eram ateus. Só o são esse bando de jacuzões cientificistas que influenciam outra horda de jecas-tatus: a dos progressistas teológicos.
Notas:
1- Ver o excelente O que é ciência?, de Gene Calahan.
2- Um cara com um nome muito legal, Arthur Lovejoy, disse que tudo o que a ciência faz são notas de rodapé aos livros de Aristóteles e Platão. Algo que torna isso claro é a própria história das teorias predominantes sobre o mundo físico, na qual há a linha dos deterministas (que vai de Platão a Newton) e a dos indeterministas (de Aristóteles à dobradinha Plank/Heisenberg e na atual física quântica).
sábado, 23 de dezembro de 2006
Natal, Ano Novo...
Romanos 14: 5
Ninguém pois vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir, porém o corpo é de Cristo.
Colossenses 2:16-17
Mesmo secularizado, cheio de distorções, e ainda assim, muito perseguido onde a opressão politicamente correta se manifesta (que o digam os cristãos europeus), desejo um Feliz Natal e um 2007 cheio da presença de Deus a todos os visitantes do P.U. Celebremos a Cristo todos os dias, pois Ele é a ressurreição e a vida, o caminho e a verdade. E aproveitemos esses dias para falar de amor de Cristo para os que mal sabem o que significa este fato histórico incontestável que é a Encarnação do Rei dos Reis e Senhor dos Senhores; Ele, Jesus, é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas pelos do mundo inteiro (1 João 2:2).
E por falar no Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, que veio ao mundo como um bebê, concluo o post com The Lamb, de William Blake. Fiquem com Deus!
The Lamb
Little Lamb, who make thee
Dost thou know who made thee,
Gave thee life, and bid thee feed
By the stream and o'er the mead;
Gave thee clothing of delight,
Softest clothing, wolly, bright;
Gave thee such a tender voice,
Making all the vales rejoice?
Little Lamb, who made thee?
Dost thou know who made thee?
Little Lamb, I'll tell thee;
Little Lamb, I'll tell thee:
He is called by thy name,
For He calls Himself a Lamb
He is meek, and He is mild,
He became a little child.
I a child, and thou a lamb,
We are called by His name.
Little Lamb, God bless thee!
Little Lamb, God bless thee!
ps: Acabo postando algo antes da virada do ano... abraço, povo.
terça-feira, 21 de novembro de 2006
Debater o bom debate
Engraçado é que esse povo chegado num forobodel teológico, assim que sai do ambiente reformado/evangélico/protestante (ou coisa que o valha), parece vira-lata caseiro quando sai dos domínios de seu dono e volta para a rua. Basta um ateu, um agnóstico ou um fiel de qualquer outra seita, que não pensa nas mesmas categorias que ele, bater o pé, que o zelotezinho criador de caso sai correndo. Se embanana pra responder, sente-se acuado, amaldiçoa gratuitamente, leva para o lado pessoal e mostra toda a envergadura espiritual de quem ainda não percebeu que os alicerces supremos do Evangelho estão no AMOR, no aspecto relacional, e não naquele hermeneuticismo racionalistóide vulgar dos que, por medo do cristianismo falso, não conseguem viver o cristianismo verdadeiro.
Gente, vocês vão me desculpar, mas porque vocês não vão evangelizar? Porque não vão mostrar a secularistas de diversas correntes a miséria conceitual de cada uma delas, para que, a partir disso, eles possam ver a autenticidade da fé cristã e, assim, se convertam? Para mim, ortodoxo digno do nome está muito mais preocupado e preparado para esse confronto, pois visa levar almas ao arrependimento e à salvação, do que para o debate sobre detalhes teológicos dentro dos meandros eclesiásticos. Que, claro não pode ser tido como irrelevante. Desde que feito na hora certa, no ambiente certo, com as pessoas certas. Aquele debate incondicionalmente guiado pelo Espírito Santo de Deus.
O evangelho verdadeiro nos leva a um relacionamento profundo e íntimo com o Senhor Jesus. O evangelho verdadeiro faz-nos ser guiados pelo Espírito Santo para ter comunhão plena com nossos irmãos, apesar das diferenças pontuais. A ortodoxia verdadeira nos leva ao amor, nos conduz a buscar pontos de contato e harmonia e não a buscar pontos de choque e desavença. A ortodoxia verdadeira sabe que não é uma teologia perfeita que transforma vidas e salva do inferno. É o amor a Cristo, que nos leva a submissão a seus excelsos mandamentos. É a obediência à direção do Espírito Santo, que nos levará a ter uma vida santificada. Sem santidade ninguém verá Deus.
segunda-feira, 30 de outubro de 2006
Os cristãos que se rendem a César e o ocaso do Ocidente
Investindo pesado nas novas armas que inviabilizarão a pressuposta DMA – Destruição Mútua Assegurada – que resguardou o mundo de tragédias nucleares colossais, russos e chineses não abrem mão de suas aspirações totalitárias e cooptam intelectuais, conspiradores, mercenários, terroristas e traficantes. Globalistas exercem influência cada vez maior na educação, na saúde e no imaginário coletivo. Graças à ONU, com seu já assumido objetivo de implantar um governo mundial, suas teses são consideradas máximas científicas cabais. E o cidadão ocidental médio acaba sem perceber e entender a intricada orquestração que visa implodir a sociedade na qual vive.
As idéias que norteiam a maior parte das mentes da Academia e da grande mídia - que a partir daí ditam quais e como serão discutidos os fatos pelas massas - nunca foram tão inadequadas para responder a tais questões e elas mesmas constituem a principal força motriz da atual derrocada civilizacional. Nessa ideosfera putrefata, imperam não só reducionismos como as interpretações mais simplórias, sempre regadas de gordurosa retórica coitadista. Legitimam-se pela técnica goebellsiana ante uma massa mais interessada nas flatulências de Shrek, nas imposturas de Dan Brown, Michael Moore e nas sandices de Saramago e Paulo Coelho. Opiniões resumem-se a slogans disparados assim que se ouvem as palavras chaves. E normalmente contêm mentiras que levam tempo e trabalho árduo para serem desmascaradas. Civilizações morrem de suicídio, não de assassinato, alertava Jean François Revel, falecido meses atrás.
Ao que tudo indica, o Ocidente já colocou a fronte à mira do revólver: a maior parte dos cidadãos ocidentais nem sabe, e muitos quando sabem, duvidam dos valores que os fazem viver no melhor dos mundos. A moral judaico-cristã dá asco, o capitalismo gera um desconforto no peito por mais que os pés estejam em confortáveis tênis Nike ou Adidas. O livre mercado, direito básico e fórmula simples e irrefutável para a diminuição da pobreza - soa como devaneio de velhotes de cartola. Como se um processo que surge naturalmente onde há seres humanos interessados em melhorar suas condições de vida, com base nas trocas livres e voluntárias fosse pior do que a centralização dos recursos econômicos nas mãos de um Estado que impõe sobre todos qual será o padrão de "igualdade" em que todos devem viver. Enfim, vivemos em uma geração que anseia por ser escrava, que, clamando por liberdade de expressão, normalmente a usa para tagarelar clichês libertinos e relativistas e defender aiatolás e ditadores. "Quando na há Deus, o governo se torna Deus." Nesse ponto, Nietzsche e Chesterton concordaram.
Quando a prosperidade alheia ofende, e a própria prosperidade traz culpa, nada resta senão entregar-se a decadência e à miséria. Quando os valores que garantem a liberdade se tornam um peso, os princípios escravocratas dos inimigos já sufocam com seus grilhões antes de qualquer guerra começar. É a derrota prévia, à qual o Ocidente parece já ter sucumbido. Eis os frutos do arcabouço de premissas prometéicas da tal modernidade, que, como bem lembrou o brilhante Eric Voegelin, não passa de um tumor dentro da sociedade ocidental, em oposição à tradição clássica e cristã.
O conhecido analista geopolítico Jeffrey Nyquist sabe que a decadência do Oeste é, sobretudo, espiritual. Nyquist é taxativo: as igrejas falharam. Infelizmente, alguns cristãos não vêem o problema dessa forma. Para eles, a solução se resume a colocar socialistas no poder. Assistem à criminalização progressiva de suas convicções e dela tornam-se cúmplices, defendendo os pressupostos que a ela deram origem e se envolvendo com os que, no futuro, farão da prática de cada princípio cristão um delito hediondo.
Talvez assim, perdendo o que tinham, sob perseguição, tendo de lutar bravamente numa nova ordem planetária, os cristãos vejam o lodaçal de equívocos no qual chafurdaram, lembrem-se do que deveriam ter feito e com quem se aliaram. Talvez assim percebam o rastro de obras infrutíferas e de alianças espúrias que deixaram e, com coração arrependido, tornem a Deus. Somente assim poderão levar o Evangelho puro e simples ao mundo inteiro. Tudo indica que será assim mesmo. A história mostra que há algo no sangue dos mártires que impulsiona o crescimento da Igreja, e o falatório subserviente dos que se deslumbram com as aspirações totalitárias de César são os primeiros sinais de apostasia.
quarta-feira, 20 de setembro de 2006
Espinheiro, avalanche...
Como aparar o espinheiro de enganos do homem?
Luther, W. H. Auden
Se há uma definição para a maior parte das idéias que constituem a mentalidade moderna, essa é “espinheiro de enganos”. Thanks, Mr. Auden! Pode-se pensar também numa avalanche de equívocos que pegou o homem no meio da montanha, engoliu-o, desarticulou-o e impulsionou-o com violência até um vale gelado, onde a neve evapora e forma uma densa névoa que impede a visão e fere os pulmões.
A facilidade com que o espinheiro de enganos moderno pode ser refutado me assusta tanto quanto a força com que ele se legitima e a fúria com que é defendido pelos que estão por ele enredados. Noções simplórias do que é ciência, do que é a fé, do potencial e dos limites da razão, além de preconceitos absurdos com o saber dos gênios do passado e de povos milenares. É claro que nem tudo nas tradições presta, mas mesmo muito do que a modernidade advoga ter libertado o homem é falacioso. Muitas dessas “soluções” se basearam em premissas tortas, e logo os problemas ressurgiram com contornos ainda mais macabros. Os exemplos estão aí: na política, o intervencionismo estatal é uma praga que corrói liberdades e recursos; na relação homem/mulher, o feminismo transformou mulheres em brucutus melindrosos; na ciência, materialistas transformam a abstração dos dados empíricos no fato em si e tornam-se robôs de si mesmos. E o que dizer do desespero dos existencialistas? Os exemplos compõem uma lista é longa, e os entusiastas de cada um desses cabrestos são maioria. Talvez por isso as indústrias do entretenimento e do turismo cresçam tanto. Essas pessoas não suportam mais a si mesmas, e precisam sempre de alguma atividade muito prazerosa para calar ao menos por alguns momentos aquela sede espiritual que sem dúvida é o traço mais marcante da natureza humana (e que faz os ateus militantes serem tão inquietos e importunos). Alguma atividade repleta de voluntarismo idealista também ajuda e faz o sufocado moderninho se considerar alguém importante, lutando “por um mundo melhor e pela paz mundial”, ao melhor estilo Ninrode/Torre de Babel. Já que aparar o espinheiro, ou sair de debaixo da neve requer coragem intelectual, espiritual, e o pior de tudo, está fora de moda, eis os paliativos.
- Ai, Eliot, dá um tempo! Justo hoje, no dia da rave você me vem com esse papo! Tenha dó!
Dó? Tenho. Muito!
terça-feira, 29 de agosto de 2006
A arte eterna
É no compromisso com a ordem do alma do criador, no fluir das experiências dele como ser humano enquanto cria e materializa a obra, naquele processo no qual visa superar as limitações das suas ferramentas e dos múltiplos devires da sua vida interior no momento mesmo da criação, no instante mesmo da conexão plena do seu ‘eu’ com sua obra, (o ápice da arte?) é que a arte, evidenciando o que há de mais nobre no ser humano, alcance suas mais nobres prerrogativas.
A arte que permanece, que acaba por tornar-se realmente relevante, que supera a passagem das épocas e que realmente emancipa e beneficia os homens é essa, comprometida não com as agitações frívolas, passageiras e desumanizadoras (porque imediatistas, pragmáticas e ávidas por dominação) dos discursos políticos, mas sim com o que é inerente a todos os homens, com aquilo que os faz os deiformes, autônomos e cosmonômicos. A obra de arte que fica é essa, que se torna “um clássico”, justamente por evocar o que abarca e transcende todas as eras.
Quando a arte é realizada por aqueles que estão submetidos à Verdade Absoluta, esta, uma vez louvada, resgata e projeta a subjetividade humana a uma nova dimensão, na qual a inspiração se renova e o Eterno se estabelece.
ps: Como bem me alertou um visitante, usei o termo "arte pela arte" de uma forma um tanto dúbia, equivocada. No anseio de falar sobre uma arte sem ranço panfletário, fiz, sem intenção, alusão a uma outra forma de pensar a arte: aquela na qual a obra é um fim em si mesmo. Como dá para perceber no restante do texto, não era dessa abordagem que quis me referir.
segunda-feira, 21 de agosto de 2006
P.R.O.P.I.N.A.
É óbvio que nestas hordas, há, sim, os que praticam o P.R.O.P.I.N.A. por pura burrice e ingenuidade – os típicos idiotas úteis - aquele povinho de classe média que lê Dan Brown, assiste o canal Futura e enche a boca para dizer que "o comunismo acabou". Porém, os mais perigosos praticantes do P.R.O.P.I.N.A. sabem exatamente o que estão fazendo.
Nos dois grupos que fazem do P.R.O.P.I.N.A. sua cadeira-de-rodas mental, há um aspecto comum e fundamental: ao dizer que não é de esquerda, subentender que nada seria mais correto, moral e lógico do que defender premissas coletivistas como a "justiça social" e a "distribuição de renda". Assim reafirmam o velho maniqueísmo falacioso: solidariedade e sensibilidade aos problemas alheios é monopólio da esquerda e a direita não passa de uma horda de avarentos moralistas. Não é preciso dizer que tais alienadores e alienados nunca leram uma linha sequer escrita por Ludwig von Mises ou Eric Voegelin.
Entre os do segundo tipo, muitos até dizem que odeiam Nietzsche, mas são o retrato vivo da tamanha umbigolatria que se pode chegar o "super-homem" idealizado pelo prussiano raivoso. "Quem tem rótulo é vidro de requeijão", dizem esses que, como Nietzsche pensou, pensam poder estar além e acima do bem e do mal. Mas como são humanos, demasiadamente humanos, é claro que acabam pendendo para um lado. E como todo "último-homem", seguem a boiada que entrou na onda hegemônica.
E lá vem eles, com aquela eloqüência sui generis: "não é a questão de ser de esquerda, ah, tipo, nada a ver, mas é que, pô, olha aí 'os pobrinho', tanta gente com fome, sem emprego... poxa, capitalismo é uma....". É o que dizem nas salas de aula, nas festas de família, à mesa do bar, na qual jogam a chave do Audi TT, o celular Nokia e os óculos Oakley. (Calma, o porco capitalista aqui só está descrevendo, não está fazendo "merchand" – mas gostaria e está precisando – Anuncie aqui!).
P.R.O.P.I.N.A., Plano Revolucionário de Ocultação Político-Ideológica Narcisista e Alienante: O que toda a (not so) New Left tapuia pratica compulsivamente, seja na forma da sigla – entre seus militantes, ou na pura acepção da palavra – com seus líderes engravatados. Pois ser de esquerda está na moda, é "cool", e todo esquerdista que se preze deve estar com o modelito mais "in": no momento, trata-se de um disfarce mal feito, mal cortado, mal costurado, sujo do sangue de milhões de vítimas e que sai voando assim que os mais desprezíveis esquerdômanos brasileiros abrem a boca.