segunda-feira, 2 de março de 2009

150 anos de “A Origem das Espécies”. Comemorar o quê?

Nem os evolucionistas, nem a humanidade em geral, têm o quê comemorar com os 150 anos da publicação da primeira edição do livro A Origem das Espécies, de Charles Darwin. Os primeiros, com um mínimo de honestidade intelectual, devem perceber que, ao longo deste século e meio, pulularam fortes objeções às suas mais preciosas convicções. Da gritante ausência nos registros fósseis (alguns até falsos, forjados) até à fragilidade metodológica da Datação Geralmente Aceita (DGA), (imprescindível para defender uma idade da Terra muita alta, condição necessária – mas não suficiente - para a evolução), sem falar no tiroteio teórico existente entre darwinistas clássicos, os heterodoxos e de outras linhas evolucionistas. Entre eles há autores chegando a dizer que o evolucionismo nem sequer é uma teoria, como Robert Peters. Enfim, a situação deles é complicada.

Sim, no imaginário coletivo, a força do evolucionismo é grande. Muita gente ainda confunde acreditar em dinossauros com acreditar que uma ameba virou macaco, e o macaco virou homem. É entre os leigos que eles desfrutam de outro triunfo, mais fácil de desmascarar, contudo: fizeram o povo pensar que há um problema grave com o fato de uma teoria científica, como é o caso de sua principal “rival”, o criacionismo, ter inspiração religiosa. Mas não há nenhum problema real de ordem científica nisso, e, na verdade, o mesmo se aplica ao evolucionismo: Darwin apenas deu uma roupagem ateísta e científica a uma velha crendice gnóstica (o que Marx fez com o socialismo, que muito antes dele já inspirava as conversas de velhos círculos ocultistas, teosóficos e espíritas europeus. Acorde para a vida, “esquerda cristã” ignorante!).

Para piorar, autores como Richard Dawkins, querendo transformar a teoria em fato e chegando a conclusões grosseiras por meio de argumentos pseudo-filosóficos que beiram a infantilidade intelectual (vejam o que tem a dizer Alvin Plantinga, Alister McGrath ou William Lane Craig a respeito), envergonham e descredibilizam ainda mais o representantes sérios do evolucionismo. “Não me confunda com ele”, disse um cientista ateu para McGrath.

Para a humanidade em geral também, nada a comemorar. O evolucionismo contribui para dar ares de cientificidade ao racismo. E aí estão os textos de Darwin e de discípulos seus como Haekel e Huxsley. Também transformou em “verdade científica” o que há de mais irracional: algumas das piores ideologias. Estas, por definição, desprezam a mediação empírica com a realidade. Como negar o apoio da teoria da evolução ao socialismo, esse monstro que gerou mentalidades, governos e outras instituições genocidas? Como negar as ligações entre o nazismo e essa teoria, além do fato do nazismo nada mais ser do que uma derivação nacionalista alemã do socialismo?

Também não há como negar que, mesmo tendo origens no gnosticismo, a teoria da evolução foi talvez a principal causadora da cisão entre a ciência e a fé na mentalidade moderna. Não foram poucos os que perderam a fé graças a essa falsa dicotomia, que, mesmo em muitos dos mais inteligentemente espirituais, reduziu suas certezas a um fideísmo (usar a razão para afirmar, sobre a fé, que fé e razão não se misturam) tosco que emburreceu as massas, e jogou o homem moderno num vácuo espiritual e num labirinto cognitivo do qual grandes contingentes de cristãos ainda têm dificuldade em encontrar a saída.



Leia também Cientificismo no ar: a nova ordem da ignorância mundial

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Cosmovisão cristã ou subserviência intelectual tosca?



Já está se tornando um personagem comum, típico em quase todas as igrejas, e principalmente, caricato. Mais ridículo ainda ficam seus trejeitos, cacoetes e mantras quando começa a liderar um "ministério", uma "rede" ou uma ONG (uau...). Senhoras e senhores, eu duvido que vocês já não tenham trombado com o novo intelectual evangélico brasileiro. Aquele rapazinho entre 25 e 30 anos de idade, que trabalha como professor, com meia-dúzia de livros lidos e uma pós-graduação mequetrefe que lhe confere a sensação e o prestígio entre os incautos para falar com autoridade sobre assuntos como sociologia, economia política, globalização, etc...

Como todo intelectual, ele é questionador. Se vê e quer ser visto como alguém que tudo questiona. Reclama da "alienação" alheia (sim, o esclarecido é ele) e está preocupado com as injustiças desse mundo e com a pobreza (sim, os egoístas são os outros).

O mais esquisito é que ele sempre está com nomes como Spurgeon, Lewis e Baxter na boca, criticando a forma com que a igreja (aliás, ele não pára de criticar a igreja) deixou sua fé manifestar-se unicamente na esfera pessoal, privada, e não a aplicou a todas as amplas questões que envolvem o convívio humano, a sociedade, a cultura, etc. Na verdade, ele não tem muito mais do que isso para falar. É esquisito porque esse intelectualzinho que vive de barba mal-feita comete exatamente o mesmo erro. Quanto mais falam em "cosmovisão cristã", em "visão integral" e afins, mais dá para perceber que ele entendeu muito pouco do que criam os autores que ele diz ser seus preferidos.

Na verdade, eles só citam desses autores aquilo que lhes interessa. O que nem sempre tem a ver com o "examinai tudo, retém o que é bom". Porque esse personagem tão comum aprendeu tantas coisas alheias não só ao que estes autores defendiam, mas à própria Bíblia, ao longo de sua vida, digamos, intelectual, que a última coisa esperável dessas figurinhas é essa visível incoerência e a fragmentação de seu conhecimento, não só digna de pena, porque ela é bem compreensível, tendo um fato claro a seu respeito: com a recusa metafísica característica da modernidade, houve a perda do sentido de conhecimento integrado, de uma cosmovisão cristã plena e articulada, na qual todas as principais teses convergem para os mesmas premissas, para os mesmos alicerces, numa epistemologia sólida, ao longo dos últimos dois séculos. Isso afetou também a igreja de Cristo, e num Brasil de educação precária, com os piores índices de desempenho educacional e com uma elite intelectual que taxa o Cristianismo, nos meios acadêmicos, como o pior conjunto de idéias que já apareceu sobre a Terra ao longo da história, não se poderia esperar outra coisa desse pelotão de presunçozinhos.

O resultado não poderia ser mais trágico: cristãos bem intencionados, mas sem o menor preparo para lidar com as questões as quais se propõem a lidar. Uma rápida passeada pelos blogs, pelos sites dos mil e um "ministérios" e das tais redes e ONG´s evangélicas, e um fato salta aos olhos: a "escolinha Jimmy Carter" deixou seus frutos (e frutas, mas deixa pra lá...). E o que é fazer parte da 'escolinha Jimmy Carter'? Simples: é, com a melhor das intenções, confiar no seu próprio entendimento, para, como cristão, dar apoio a tudo aquilo que não presta e se opõe à fé cristã.

É trocar figurinhas, idéias e apoio com partidos políticos abortistas e defensores do lobby gay. É, criticar os EUA para defender grupos de assassinos de cristãos, como os comunistas e os radicais islâmicos. É defender vastas intervenções do Estado na economia, e reclamar da pobreza. E por quê eles fazem isso? Porque o típico intelectualóide evangélico quer agir como cristão, mas aprendeu a ver o pobre como Marx. Quer ver a natureza como Deus vê, mas Stephen Jay Gould e os impostores do Greenpeace não saem de sua cabeça. Quer educação cristã em toda parte, mas louva Paulo Freire. Quer uma economia próspera, como tudo que está alinhado com os valores do Reino de Deus, mas aprenderam que a receita certa está em Keynes, ou, pior, em Lênin. Sonha com uma arte cristã mais rica, mas não conseguem admirar o que vai muito além do punk-rock e da literatura beatnik.

Querem um Brasil entregue a Jesus, mas agem como Robinson Cavalcanti, Rick Warren e outros militantes que se alinham e defendem instituições com agendas anti-cristãs na base, na essência, e em cada linha de seus estatutos.

Notem: eles sempre têm uma crítica à igreja na ponta da língua. E um louvor a qualquer Dawkins, Gandhi ou John Lennon da vida. Ele está tão a frente da "mentalidade atrasada que ainda há em nossas igrejas", que suas afinidades com os valores seculares não podem ser tidas como esclarecimento. É pura subserviência, é puro medo de desagradar seus ídolos mundanos.

J.P. Coutinho tempos atrás chamou este típico evangélico "preocupado com questões sociais", Jimmy Carter, de idiota útil. Útil aos que odeiam aquilo que Carter dizia defender. É difícil encontrar nome mais apropriado para esse imenso contingente de evangélicos brasileiros metidos a críticos, mas que nada mais são do que papagaios do Anticristo.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Flusser e a remagicização do mundo pela fotografia

Vilém Flusser, em sua coletânea de ensaios Filosofia da Caixa Preta, apresenta análises que considera como elementares para a construção de um arcabouço filosófico sobre a fotografia e suas relações com a condição humana, a história da comunicação e das representações das cosmovisões, seja as mais antigas e tribais bem como no mundo moderno, no qual a fotografia é inventada, fato que Flusser considera tão importante como a invenção da escrita:

Textos foram inventados no momento de crise das imagens, a fim de ultrapassar o perigo da idolatria. Imagens técnicas foram inventadas no momento de crise dos textos, a fim de ultrapassar o perigo da textolatria. Tal intenção implícita das imagens precisa ser explicitada.

Flusser aponta essa relação texto-imagem como fundamental para a compreensão da história do Ocidente, relação de conflito, mas dialética, na qual cada pólo absorve aspectos do outro, e faz com que imaginação – capacidade de compor e decifrar imagens – e conceituação – capacidade de compor e decifrar textos – se neguem e se reforcem mutuamente. As conseqüências diretas na produção de conhecimento e na cultura de massa são indicadas pelo filósofo. A crise dos textos gera o naufrágio da História, e surgem as imagens técnicas para suplantar essa ruptura. Mas Flusser não deixa de apontar para o risco da total substituição dos textos por tais imagens, que apenas aparentemente não são frutos “da cabeça” de um artista que lida com imagens, como um pintor. O fotógrafo e seu aparelho também fabricam suas imagens, e é por passar a impressão que esse processo, na produção das imagens técnicas, é menor, menos intenso, que ele denomina o complexo aparelho-operador de caixa-preta. Alusão ágil, que vai do aspecto físico e mecânico da máquina fotográfica ao mistério das caixas pretas das aeronaves, que ao seu modo também registram fatos, sempre de uma forma por demais discreta. Flusser, com tal metáfora, focaliza a natureza e a atividade do aparelho fotográfico e o trabalho do fotógrafo.

Quem vê input e output vê o canal e não o processo codificador que se passa no interior da caixa preta.

Aqui, o filósofo tcheco-brasileiro dá a direção e a chave para a crítica:

Toda crítica da imagem técnica deve visar o branqueamento dessa caixa. Dada a dificuldade de tal tarefa, somos por enquanto analfabetos em relação às imagens técnicas. Não sabemos decifrá-las.

Filósofo completo, que soube encarar as fragilidades conceituais do cartesianismo, com uma teoria do conhecimento própria, forjada com ferramentas conceituais de alta precisão na obra A Dúvida, em que impõe aos entusiastas do trabalho de René Descartes pesadas e bem fundamentadas objeções ao de omnibus dubitare do qual tanto se valem os céticos modernos, Vilém Flusser não deixa de apresentar em Filosofia da Caixa Preta a força de sua gnosiologia. Livre de racionalismos, vale-se da racionalidade ao investigar o ato de fotografar, a câmera, a fotografia na folha, os aspectos físicos da produção das imagens técnicas e os aspectos psicológicos, semiológicos e sociais da recepção de tais imagens. Ou seja, mais que meramente racional, Flusser também é empírico, e assim concilia habilmente o potencial de escolas filosóficas que muito se digladiaram ao longo da história da construção do pensamento ocidental sem perceber os adeptos de uma ala e da outra que a solução para tal problema já estava presente onde tudo começou, na obra do principal estruturador da forma ocidental de pensar: Aristóteles. Também outras dimensões do conhecimento humano estão ali presentes, contribuindo. Ali está o sensório-motriz, e também as intencionalidades, as ações e paixões, o aspecto fronético do conhecimento, enfim.

Entretanto, com a humildade que aos grandes mestres pertence e o torna gigantes, Flusser não passa por cima da dúvida enquanto ferramenta para empreendimentos teóricos sérios: cada verbete do glossário que ele, didaticamente, apresenta ao início da coletânea de ensaios contém o sentido que ele mesmo avisa que é provisório. Flusser sequer tenta fincar estacas. Quer apenas mapear o terreno. Mas o faz com tanta propriedade que já não é possível, ao ver as bases, deixar de visualizar ao menos o “esqueleto” de uma casa que tantos outros almejam alocar tijolos e abrir janelas. Hábil arquiteto, Vilém Flusser sabe trazer à vista o arché de um novo tema para a filosofia como poucos filósofos. Com sua visão privilegiada, não pisa nos ovos das cobras que picaram os olhos de outros pensadores, que, cegos, podem comprometer a importante tarefa filosófica a que ele se propõe e a outros convida: decifrar as imagens técnicas – as imagens produzidas por aparelhos.

E é na força da crítica e da reflexão filosófica que Flusser acredita para que a humanidade possa superar a remagicização e manipulação imposta pelas imagens técnicas. “A crítica pode ainda desmagicizar a imagem”. A cegueira de alguns ele considera monstruosa e de antemão os tem como incapazes de cooperar para o empreendimento que propõe: para ele, o crítico pode estar também envolvido, também programado para uma visão mágica do mundo, vendo forças ocultas em toda parte. Desta forma, o próprio aparelho tornar-se-á uma força oculta: o jornal, o partido, a agência de publicidade,o parque industrial são deuses a serem exorcizados pela fotografia e tudo isso, para Vilém Flusser, não passará de hierofania de segundo grau. E dispara: “a crítica da Escola de Frankfurt é um bom exemplo desse paganismo de segundo grau, exorcismo do exorcismo”.

“A realidade da guerra do Líbano, a realidade ela mesma está na fotografia. Não pode estar alhures. Se o receptor da fotografia for para o Líbano ver a guerra com seus próprios olhos, estará vendo a mesma cena, já que olha tudo pelas categorias da fotografia. Está programado para ver magicamente”. E não só tal homem está programado – e entenda-se aqui programa como “jogo de combinação com elementos claros e distintos”, como os próprios fotógrafos e críticos. Esses elementos estão na estrutura do aparelho, nas teorias aplicadas na construção de todo o material necessário para se construir uma câmera, para se fazer fotografia. Papel, lentes, filmes, etc. Todo o processo de abstração dos eventos, transmutados na fotografia como mera cena, para Flusser, dependem da categorização que todos esses elementos irão gerar, que com uma boa sacada resume a condição digamos, cognitiva da fotografia enquanto tentativa de apreender algum dado da realidade:

Em fenomenologia fotográfica, Kant é inevitável.

Para Kant, conhecemos segundo podemos conhecer, mas não conhecemos a “coisa-em-si”. Flusser identifica na fotografia a metáfora mais precisa da incognoscibilidade do “númeno” defendida pelo baixinho de Köenigsberg. Com fotos e câmeras, tudo o que temos é “fenômeno”. Para superar a alienação que aparelhos com essa condição geraram nos homens da cultura massificada, que pensou o aparelho e agora pensa sob as categorias do aparelho (e Flusser lembra que o mesmo processo aconteceu no século XVIII – o “mecanicismo”) há que se debruçar sobre os quatro problemas essenciais da fotografia, que Flusser aponta: o do aparelho, que é “infra-humanamente estúpido e pode ser enganado”; os programas, que permitem a inserção de elementos humanos não previstos; as informações que implicam símbolos; e a imagem que implica magia. Os fotógrafos experimentais, segundo Flusser sabem que são os problemas da imagem, do aparelho, dos programas e das informações que devem ser resolvidos.

“Urge uma filosofia da fotografia para que a práxis fotográfica seja conscientizada” afirma Flusser, que, com tais reflexões e análises, remete à crítica de C. S. Lewis sobre a produção de conhecimento técnico do homem, que antes de libertá-lo, escraviza-o. “A conquista da Natureza pelo Homem, caso se realizem os sonhos de alguns cientistas planejadores, significaria que algumas centenas de homens estariam governando os destinos de bilhões e bilhões.” Para Lewis, a cada avanço tecnológico, a humanidade corre o risco de aumentar o domínio do homem pelo homem, e não necessariamente aumentar o domínio do homem sobre a natureza. Flusser parece ter uma visão muito clara disso, e considera a atividade filosófica como uma busca pela liberdade. No que concerne à fotografia, seu esforço neste sentido fica evidente na seguinte declaração: “a filosofia da fotografia é necessária porque é reflexão sobre possibilidades de se viver livremente num mundo programado por aparelhos. Reflexão sobre o significado que o homem pode dar a vida”.

domingo, 26 de outubro de 2008

Gente, tô voltando...

Logo, logo, volto a postar. Já tenho umas coisinhas quase prontas...
Enquanto isso, aqui e acolá, vou dando meus pitacos...

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Homeschooling em pauta: uma alternativa para sair do atoleiro

Já tramita no Congresso Nacional um projeto de lei cujo posicionamento dos parlamentares diante da matéria será um dos melhores testes para ver quem realmente está interessado em defender os “direitos do cidadão”, os direitos individuais e os direitos da família, pilar de toda e qualquer sociedade. É a legalização homeschooling ― a escolarização em casa ―, direito e prática milenar de várias etnias e culturas, com resultados excelentes em países como Austrália, França, Canadá, Estados Unidos, Japão, Suíça, Irlanda, entre outros.

Proposta pelo deputado Henrique Afonso, o PL-3518/2008, que assegura e protege o direito da educação escolar em casa, não só evidenciará quem no Congresso e na sociedade brasileira pode realmente falar em democracia (se você acha que não funciona, porque não dar a liberdade para quem acha que funciona?), como oferecerá aos estudantes brasileiros o direito de ter uma educação nos mesmos moldes da que foi ministrada a homens como Albert Einstein, Leonardo da Vinci, Thomas Edison, Winston Churchill, Charles Chaplin e outros gênios do século XX e de outras épocas.

A proposta reaparece em momento oportuno e tem seis grandes méritos: (1) visa restaurar no Brasil um direito histórico, (2) oferece uma alternativa de educação eficaz num país em que, quando comparado a outros, percebe-se que tem um dos piores sistemas de educação do mundo. Também sugere (3) a criação de um amplo e novo mercado: num país repleto de professores mal-pagos e desvalorizados, quando não desempregados, haverá a possibilidade dos docentes atuarem como preceptores e tutores, atendendo às mais diferentes classes sociais.

Editoras, escolas, universidades e instituições dos mais diversos perfis poderão criar programas de escolarização em casa e oferecer serviços de acordo com suas orientações intelectuais e filosóficas: com a escolarização em casa, o direito da família de escolher a direção educacional de seus filhos (seja religiosa, filosófica, ideológica ou cultural) pode ser respeitado plenamente, com os pais supervisionando tudo o que será ensinado às suas crianças e adolescentes, se não forem eles mesmos que ministrem as aulas.

Vale imaginar (4) o quanto as atuais instituições de ensino em atividade no país, e me refiro às privadas, às escolas particulares (quanto às públicas, não vejo, nem com a lei aprovada, a menor possibilidade de melhora) terão de melhorar e mostrar qualidade para que as famílias não acabem por escolher um método de escolarização muito mais barato, seguro, e, se executado com o devido cuidado, muito melhor.

Outro grande mérito da proposta (5) é o fim do monopólio do ensino “tamanho único” do MEC, num país e numa sociedade que tanto fala em “pluralidade” ― raramente, porém, referindo-se ao melhor e mais profundo sentido do termo. Sempre questionada entre os pedagogos, a necessidade do estudante de estar no mínimo quatro horas diárias numa escola também acabará, ao menos legalmente.

Não menos importante (6), o debate acerca do direito à escolarização em casa ressaltará a toda nação que, mais do que responsabilidade do Estado, cabe ao próprio indivíduo e às famílias desenvolver a sede pelo conhecimento, pelo crescimento intelectual e pelo preparo para as grandes dificuldades do mercado e da vida.

É claro que só à grande massa interessa toda essa liberdade, pois, mesmo com todos esses benefícios que a legalização da escolarização nos lares traz, a proposta já foi rejeitada pelo Congresso Nacional anteriormente, graças às velhas víboras que, afirmando falar “em nome do povo”, atribuem ao Estado o direito de determinar o que cada cidadão pode e deve estudar. “Liberdade”, para os tais, é obrigar a sociedade a se por de joelhos perante o Leviatã estatal.

As objeções que criam para o homeschooling normalmente são falácias toscas, dentre as quais se destaca a que afirma que a escolarização no lar atrapalha o processo de socialização da criança. Como se as escolas fossem os únicos ambientes capazes de colocar as crianças em contato com outras, como se associações de famílias que aderem ao homeschooling fossem incapazes de elaborar atividades recreativas e pedagógicas eficazes e variadas, e como se a submissão a um programa educacional comprovadamente falido e corrompido, como é o do MEC, fosse sinônimo de contato sadio com pessoas e com os conteúdos que, se bem apreendidos, podem fazer as próximas gerações tirarem o Brasil do atual atoleiro educacional, cultural e sócio-político.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

O vermelho e o negro

Tenho tentado evitar escrever sobre as asneiras e idéias criminosas da esquerda e da versão gospel de seus cúmplices: os tais "evangélicos progressistas", "cristão de esquerda", "socialistas cristãos" e afins. Quem se alinha com terroristas, narcotraficantes, teóricos e escritores que legitimam o uso da violência, da falsificação histórica, da segregação classista, do aborto e das matanças institucionalizadas que alguns paspalhos ainda teimam em dizer que "aquilo não é o socialismo real", será o quê, senão cúmplice?

Pois bem, novamente vou eu escrever sobre essa gente. A resenha do romance Le Rouge et le Noir, de Stendhal, fica para outro dia, até porque, ao contrário de muitos de nossos sabidões da nossa mídia anticristã, não escrevo sobre o que desconheço. Mas conheço bem esquerdistas e politicamente corretos, e alguns desses agora me aparecem afirmando que "os negros evangélicos" (sim, eles gostam de falar por todos, pelo povo, por mais que você, amigo negro, não os subscreva. "Democráticos", não?) EXIGEM um "pedido de perdão por parte das igrejas históricas". E claro que a revista Ultimato prontamente se fez de megafone para a ladainha dos ressentidos. Jesus mandou seus discípulos perdoarem 490 vezes o irmão ofensor num único dia. Já a “esquerda evangélica” prefere desenterrar agressões de mais de um século atrás e chegar ao limite ridículo e vulgar da sanha acusadora e auto-vitimizatória: exigir um pedido de perdão daqueles que são, em grande parte, os responsáveis pela libertação de suas próprias vidas de uma escravidão muito pior: a do pecado, a das trevas, a do príncipe deste mundo, Satanás.

É lógico que deve haver negros evangélicos que caem nessa lorota que só serve para jogar irmãos contra irmãos, e, com o frisson gerado, enfiar outras tantas esquerdices na cabeça dos evangélicos brasileiros. Burrice não tem cor nem preferência por quantidades específicas de melanina. A esses eu recomendaria a leitura de artigos dos negros Walter Williams e de Thomas Sowell, que, não sendo evangélico, sabe dos estragos causados pela agenda politicamente correta e o quanto é descabido o clichê "a culpa é do homem branco".

Graças à hegemonia cultural conquistada pelos fãs de Fidel, Lênin e Guevara no Brasil, os evangélicos brasileiros têm cada vez mais dificuldades em pensar em política e cultura em termos bíblicos e livres de ranços ditos "progressistas". Se a igreja brasileira não despertar e não se posicionar, não só continuará vendo alguns de seus segmentos serem feitos de idiotas por parte de inimigos declarados da fé cristã, como acabará por ver-se reduzida à irrelevância cultural, política e espiritual: o objetivo confesso de teóricos comunistas como Antonio Gramsci, mentor da estratégia da revolução cultural, e Giörgy Lukacs, que via a cosmovisão judaico-cristã como o principal obstáculo ao sucesso de sua mórbida ideologia.

A corrupção e a apostasia começam pelos detalhes, pelos aspectos considerados periféricos, pelos "pontos menores". Mas o desgaste que a infiltração esquerdista já gerou à igreja brasileira, sobretudo no que concerne ao zelo pela "sã doutrina", é de difícil mensuração, por ser gigantesco. Que o Senhor levante, em todos os cantos desse Brasil de muitas misturas, homens e mulheres prontos a desmascarar essas ideologias diabólicas forjadas por racistas confessos como Karl Marx, e reafirmem com toda a coragem que "em Cristo, não há bárbaro ou cita, judeu ou grego, circunciso ou incircunciso, mas Cristo é tudo em todos".

terça-feira, 22 de abril de 2008

Um breve parágrafo sobre uma velha mentira

O Livro de Atos é famoso por sua descrição de um sistema de propriedade comum na igreja de Jerusalém. Os apóstolos aceitavam doações – doações muito grandes – dos membros da igreja de Jerusalém. Essa prática tem sido usada pelos defensores do socialismo cristão como um exemplo a ser imitado pelo mundo moderno. Mas esses socialistas não citam as palavras de Pedro a Ananias com respeito à propriedade do último: “Guardando-a não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder?” (Atos 5:4a). A posse em comum da Igreja de Jerusalém era voluntária, limitada em Atos a essa congregação, e administrada por homens que tinham revelação especial da parte de Deus. O que isso tem a ver com o socialismo moderno, que é compulsório, imposto sobre todas as pessoas numa sociedade, e administrado por burocratas apoiados pela polícia? Nada!

Gary North, na introdução do livro Sacrifice and Dominion, traduzido pelo Felipe Sabino. Aqui.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Teísmo Fechado

EU SOU O QUE SOU. Êxodo 3:14

Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso. Apocalipse 1:8

Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Israel, não são consumidos.
Malaquias 3:6

Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das Luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança. Tiago 1:17

Desde o início, faço conhecido o fim, desde tempos remotos, o que ainda virá. Isaías 46:10

Grande é o Senhor nosso e mui poderoso; o seu entendimento não se pode medir. Salmos 147:5

Aquele que é a Glória de Israel não mente nem se arrepende, pois não é homem para se arrepender. I Samuel 15: 29

Bastou?

Esse é o meu teísmo. O Teísmo da Abertura... da Bíblia. É um teísmo aberto ao que a Bíblia fala. Um teísmo relacional, de profundo relacionamento com a autoridade infalível da Palavra de Deus, e de profundo relacionamento com o Deus da Palavra infalível. Pode ser chamado também de teologia “do processo”. Do processo de abrir as Escrituras, ler, entender, e se render à revelação inerrante ali presente, sem espernear. Tranqüilo.

Ser teísta de verdade, teísta clássico, é bom. A nossa metafísica é imbatível. Ser cristão então, nem se fala: é a melhor coisa do mundo.

Em teísmo fechado não entra mosca.

(Sim, este é um post sobre aquela bobagem, sem pé nem cabeça, chamada "teísmo aberto".)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Liberdade: auto-governo e governo civil

Por preço fostes comprados; não vos torneis escravos de homens.
1 Co. 7: 23

Problemas políticos, no fundo, são problemas religiosos e morais.
Russel Kirk

“Quem é livre e pratica um ato livre é quem responde pelo que fez”, afirmava Mário Ferreira dos Santos, que identificava no Renascimento a origem de um conceito abstrato de liberdade que proclamava a irresponsabilidade. Por isso, o filósofo considerava exagerados os elogios que alguns prestavam a esse período da história. Não só a responsabilidade é evocada na afirmação de Mário Ferreira, mas também a racionalidade, que, como ele bem observa nas páginas finais de sua obra Teoria do Conhecimento, é excludente - “ou é... ou não é”. É fácil perceber porque tirania e relativismos morais e epistemológicos sempre andaram juntos.

Aristóteles, cuja filosofia política nada mais é do que uma extensão do estudo da ética e da natureza humana, via as ações humanas livres como aquelas desprovidas de coação e ignorância; sem liberdade da vontade, para agir e para escolher, não há ação moral alguma. Como outros gregos, cria que o homem que conhecesse o bem não poderia deixar de agir de acordo com ele, enunciado que o cristianismo atacou com veemência em sentenças como o franco “se vós, que sois maus” lançado pelo próprio Cristo diretamente aos ouvidos de seus seguidores no Sermão do Monte, e “faço não o bem que quero, mas o mal que não quero fazer, esse faço o tempo todo”, do apóstolo Paulo, presente na carta que é uma das mais importantes e brilhantes sínteses da fé cristã, endereçada à igreja que vivia em Roma.

Portanto, a mais ampla autodeterminação imaginável não deve satisfazer ao cristão como conceito pleno e verdadeiro de liberdade. Tampouco será a ausência de governo que a proporcionará, mas sim o governo certo. Fala-se nessa palavra, “governo”, e já se pensa no governo civil: monarquias, repúblicas, parlamentos, presidentes, etc. Rousas John Rushdoony se lamentava disso, e lembrava que, antes de tudo, governo é auto-governo e que essa associação equivocada bem denotava a mentalidade de uma geração cuja sanha de seu respectivo governo civil era ser a única e suprema forma de governo sobre os homens.

Ao observar a história e se ater às grandes especulações filosóficas sobre o poder temporal, infere-se que boas definições de liberdade política são aquelas que a apontam como resultado da mútua resistência entre forças políticas adversárias (estado versus igreja/religiosos versus intelectuais, por exemplo), ou como fruto de um ambiente no qual valores como a sacralidade da vida, a igualdade jurídica entre os homens e a responsabilidade pessoal estejam firmemente consolidados. Todos estes valores caros aos cristãos, e que geraram ótimos resultados políticos e culturais onde a cristianização das populações foi mais profunda.

Neste sentido, Rushdoony, como profundo conhecedor da cultura e da Bíblia, ainda dizia: “para se ter um governo civil livre é necessário ter em primeiro lugar homens cujo maior desejo é o auto-governo responsável sob Deus”. Outros apologetas da liberdade política que a viram apenas como feliz conseqüência de diversos fatores, seguiram a mesma linha: “quanto maior for o controle dos homens sobre si mesmos, menor será a necessidade de controles externos”. Não espanta que, com sua visão pessimista (muito mais precisa, porém, do que a de muitos cristãos moderninhos) da natureza humana, Hobbes defendia um governo absolutista. Talvez o mais grotesco de seus equívocos foi o de defender o controle despótico justamente de um único... ser humano.

A Bíblia fala que “onde o Espírito de Deus está, aí há liberdade,” - versículo que deve servir de alicerce para toda a construção teórica verdadeiramente cristã sobre política – e que o discípulo de Cristo é “templo do Espírito Santo”. O cristão autêntico sabe sobre o que se funda a liberdade, sabe onde ela começa. “Se o Filho, vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. Não é à-toa que são justamente os cristãos que dão ouvidos a teses que tornam o governo civil mais importante e mais poderoso do que ele realmente deve ser, os mais propensos a abrir mão do padrão de auto-governo exposto nas Escrituras. Então, chamam seus irmãos de legalistas, enquanto defendem os projetos totalitários de incrédulos e escarnecedores. Da mesma forma, quando aderem aos credos da “teologia do processo” e do “teísmo aberto”, a um só tempo relativizam a soberania de Deus e se tornam discípulos diretos ou indiretos de Hegel, coincidentemente, o papa da estatolatria moderna.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Cristãos, lembrem-se: ‘noblesse oblige’

É fácil estar atento à suposta sofisticação dos mais variados bens de consumo em seus detalhes. Não tenho dúvida de que qualquer cidadão comum conhece ao menos uma pessoa que não dedique grande parte do seu potencial intelectual e cognitivo ao glamour de certos artefatos ou às qualidades de certas tranqueiras criadas para facilitar a vida em algum aspecto.

Quem já perdeu horas assistindo amigos discutindo as proezas de um relógio Tag Heuer, ou dos acessórios opcionais de uma nova motocicleta, sabe de qual espécie de frivolidades e aridez mental me refiro. Não é preciso dizer que, entre cristãos, a coisa toda fica ainda mais ridícula e irritante.

Difícil parece ser, atualmente, imaginar a existência daquelas sutilezas presentes nas mais nobres realizações humanas, advindas dos grandes atributos da imaginação e do pensamento racional saudável, quando este se atém à busca de tudo aquilo que é belo, bom e verdadeiro - e que riqueza alguma compra. Aí está talvez a característica mais notória do filisteu (“o bárbaro imerso na cultura”, segundo Richard Weaver): o deslumbramento por tudo aquilo que facilita a vida do homem, gerando conforto e status, acompanhado da repulsa a toda expressão capaz de clarificar os aspectos mais profundos da condição humana. Quando “bom gosto” e “estilo” se reduzem à mera capacidade de se enquadrar em certos padrões de consumo, os homens já perderam de vista o que, de fato, os torna humanos. O apego ao status e o encanto “coisista” nada mais são do que as preocupações mais básicas e comezinhas, comuns a qualquer animal, numa polaridade distorcida e potencializada.

Esses e outros sintomas de alienação, contudo, não afetam apenas às elites ignaras e os novos ricos opulentos. Tanto o “idiota flamejante” na Mercedes-Benz “com cascata artificial e filhote de jacaré”, do qual falava Nélson Rodrigues, como o pessoal das periferias, sem estudo e entretidos com asneiras proferidas por participantes de reality-shows, estão sempre correndo o risco de dar mais um passo adiante no processo sobre o qual Julian Marías alertava: o cavalo não se descavaliza, mas o homem sim, este pode desumanizar-se.

Weaver também observou que

Uma das mais estranhas disparidades da história é a encontrada entre o sentimento de abundância das sociedades mais antigas e simples e o sentimento de escassez das sociedades atuais, ostensivamente ricas.

E nada pior do que tentar consertar um erro com outro. Qualquer pessoa hoje, enjoada do consumismo abobalhado, logo se torna vítima da “engenharia da culpa” de que as ideologias coletivistas se valem com diabólica habilidade. Reinterpretando a história após evocar antropologias e axiologias auto-indulgentes e falaciosas, estas ideologias têm sido formidáveis incentivadoras de uma desumanização brutal. Otto Maria Carpeaux foi incisivo: “o fascismo propaga-se e vence através das classes médias, das quais é a expressão triunfal”. E fascismo, que fique claro, tem e sempre teve tudo a ver com coletivismo, relativização de valores, revolução, anti-cristianismo e estatismo brutal. Qualquer semelhança com o consenso cultural e político vigente no Brasil de hoje - anticristão e socialista até a medula - não é mera coincidência.

E aí estão, pomposos e melodramáticos, magnatinhas e intelectuais, todos falando em nome do povo, incapazes, porém, de riscar o verniz de suas unhas para ajudar os necessitados sem mostrar suas faces em campanhas com mensagens lacrimogêneas. O cinismo do altruísmo terceirizado (“é função do estado...”) e dessa caridade anunciada aos quatro ventos choca e denota o quão falsificadas estão as virtudes entre os que exercem influência sobre a mentalidade das massas. Que cristãos repitam essas bobagens, isso só evidencia que eles próprios perderam de vista os fatos que a graça comum e a criação divina apontam com tanta clareza, os quais mesmo tantas das melhores cabeças não-cristãs perceberam. Ao cristão, o filistinismo é ainda mais vergonhoso e está se tornando cada vez mais comum. Portanto, a troca do falso pelo verdadeiro é cada vez mais urgente e imprescindível.

Que os filhos do Altíssimo acordem. Que os autênticos detentores da Revelação, resgatados pelo amor de Cristo e então direcionados pelo Espírito Santo para buscar “toda boa dádiva e dom perfeito”, que vem de Deus, parem de viver como filisteus, reflitam, façam jus à sua condição, e ajam. Num tempo de elites bárbaras, em que o sentido de autêntica nobreza simplesmente perdeu-se, vale lembrar sempre: noblesse oblige. A condição de nobreza traz suas obrigações. O cristão reinará com Cristo. Que viva com a honra de um príncipe de um reino que jamais se acabará desde hoje, colocando todas as suas potencialidades a serviço da obra de Deus, e todas as suas convicções em harmonia com Sua Palavra.

C. S. Lewis foi um homem que, com todas as suas falhas, aprendeu que devemos amar a Deus não só com a alma e com todas as nossas forças, mas também com todo o nosso entendimento. Na obra Cristianismo Puro e Simples (Mere Christianity), foi contundente:

Deus não detesta menos os intelectualmente preguiçosos do que qualquer outro tipo de preguiçoso. Se você está pensando em se tornar cristão, eu lhe aviso que estará embarcando em algo que vai ocupar toda a sua pessoa, inclusive seu cérebro.

Sem entendimento, e sem buscar a presença de Deus – pois quem realmente ama sempre quer estar perto - , cristão algum estará à altura da missão que lhe cabe. Estará conformado a este século e, sem contato com a sua Palavra - o Logos, aquele sem o qual “nada do que foi feito se fez”-, não poderá ter “a mente de Cristo” e “andar por modo digno do evangelho”, sendo, de fato, “sal da terra e luz do mundo”.

E o problema todo é muito mais do que simplesmente ministerial, sacerdotal, para cada um dos filhos de Deus. Também é muito mais do que político, econômico, cultural, ideológico ou civilizacional.

São vidas que estão em jogo. E Deus ama essas vidas.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Ah, os imparciais...

Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.
2 Tm. 4: 3,4.

Nos tempos em que os homens tinham um mínimo de brio, conseguiam respeitar o ponto de vista do outro, sem se magoar e posar de “ofendida” - pois sabiam que ser um homem autêntico é ter uma autonomia moral e intelectual que poderia levá-los a defender posições que nem sempre seriam populares - poucos se importavam com a tal “imparcialidade”. O que realmente importava era o certo, o bom, o nobre, o verdadeiro. Tempo do debate público franco, das tribunas livres. O jornalismo nasceu assim: cheio de fúria, cheio de opinião, marcando seu terreno, fazendo valer seu posicionamento, por ridículo que fosse. Não ser assim era ser covarde, vendido.

Passam-se as épocas e logo a busca da imparcialidade tem seu valor reconhecido. Ser imparcial era se ater aos aspectos mais patentes dos fatos e tentar apresentá-los de forma mais isenta possível. Mesmo esquivando-se da tomada de posição, havia o respeito pela verdade do fato. Tal postura tem sua virtude, desde que se admita o inescapável: fatos são apreendidos valorativamente. Quem ainda faz isso?

Mas a coisa piorou. E a pecha de imparcial logo começou a recair sobre quem moldava seu discurso de forma a não consternar os representantes de cada uma das facções envolvidas num conflito ou acontecimento qualquer. Abundam tais covardes.

O imparcial de hoje é quem, ao falar ou escrever, evita a todo custo ferir os caprichinhos e hipersensibilidades dos defensores da mentalidade hegemônica. Sem pusilanimidade, é impossível agradar a bebês quarentões e moleques aposentados.

Tente fugir do consensão das grandes redes, dos grandes partidos, dos grandes agentes históricos que querem mandar no mundo. Tente arranhar o confortável arremedo de verdade que dá aquela falsa segurança e massageia o ego das massas. Você será o manipulador, o tendencioso, o parcial, o desonesto, o brigão, o fanático, etc. Rótulos odiosos o aguardam.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Esquerda, Direita e Cristianismo

Publicado em 15/12 no site Mídia sem Máscara.

Conversar sobre política com meus irmãos cristãos, confesso, para mim tem sido um enorme desprazer há um bom tempo. Desinformação, ignorância presunçosa, desconhecimento histórico e moralismo bobo imperam, mesmo entre autoridades eclesiásticas conhecidas. O resultado desse triste quadro pode-se perceber à distância: posicionamentos mais díspares e estapafúrdios, que vão desde o ideologismo adolescente ao fisiologismo mais raso. O desdém pelo assunto, por parte de alguns pretensos espiritualóides, também me assusta.

Percebo que a maioria dos cristãos não sabe que o dualismo direita x esquerda é oriundo da valorização da dimensão sóciocósmica, terrena, em detrimento da espiritual, da relação Deus x homem. Cientes disso, os discípulos de Jesus do século XXI devem assumir uma posição muito crítica em relação à política, ao poder, e aos detentores do poder temporal. Afinal o Mestre foi muito claro: Meu reino não é deste mundo.

É preciso saber que entre os que valorizam mais a dimensão sóciocósmica do que a espiritualidade há uma cizânia que remonta o Renascimento e gera as seguintes dicotomias: historicistas versus naturalistas, humanidade versus cosmos, pensamento versus experiência, leis da razão versus leis físicas, mecanicismo versus vitalismo. Na filosofia, racionalistas versus empiristas. Em “Letras” e “Ciências” dividia-se a universidade fundada por Luís XIV.

Esta tensão, este antagonismo, sem buscar em Deus sua resolução, é, desde aquele período, o principal eixo da história do pensamento ocidental. No século XX, na esfera política, ele aparece na disputa entre capitalistas e comunistas, mas começou a se desenhar na Revolução Francesa.

O banho de sangue, advindo da ascensão do pensamento político modernista, ocorrido nos os últimos 200 anos, mostra o equívoco que é para o cristão escolher um desses lados numa atitude positiva. É preciso estar atento, pois socialistas, liberais, socialdemocratas, entre outros, sempre buscaram respaldo moral e legitimidade no Cristianismo; o fundamentalismo marxista pagou caro pelo ateísmo declarado.

Entretanto, parece estar na moda, entre os cristãos brasileiros, se dizer socialista. Dessa forma, atribuem a todas as variantes ideológicas mundanas com quais o termo “socialista” se associa, as qualidades e prerrogativas que são próprias do Cristianismo. É notório que essas ideologias usurpam a soliedariedade cristã, mas criminalizam toda a moralidade bíblica, como se o cultuadores do poder do Estado tivessem uma moral indiscutivelmente superior à dos cristãos. Basta uma rápida lida nos jornais para ver o quanto aquilo que hoje é considerado portador do legado judaico-cristão é encarado como algo opressivo, dominador e indiferente. Exemplos? Israel, o Vaticano, os EUA, o capitalismo, etc.

A maioria dos cristãos brasileiros atualmente não vê essas obviedades, pois, desprovidos de uma visão histórica mais abrangente e sem nenhum contraponto, foram doutrinados num ambiente onde a hegemonia esquerdista nos jornais, centros pensantes, artes e economia é devastadora.

Nesse contexto surgem os pastores socialistas, que apóiam invasões de terra mas não se dizem relativistas (como se o direito a propriedade não estivesse lá no Pentateuco), os teólogos que lêem Marx e Nietzsche em busca de “novos” pressupostos e outros cristãos que, em busca de equilíbrio, se dizem “de centro”. Imagino que quando eles lêem o livro de Jó e se deparam com seu sofrimento dizem: - Bem-feito pra esse latifundiário!

Nunca vi nenhuma palavra da Bíblia contra o comércio, contra a economia de mercado.O que vi foi apenas uma advertência: Balança enganosa é abominação ao Senhor. Portanto, o que o cristão assumido deve ter em mente é que o pragmatismo do mercado deve ser amenizado por uma forte influência do Cristianismo na sociedade, não com intervencionismo estatal de qualquer espécie. Nada há na Bíblia que o legitime. É Jesus que expulsa os vendilhões do templo. Não a guarda de César. É o amor ao próximo que supre as carências dos mais pobres, não a subserviência covarde a quem empreende “revoluções culturais” e cobra tributos exorbitantes – que se não pagos entrega aos leões seja quem for.

Já contra o Estado e o poder político instituído – a suprema obsessão dos socialistas - vejo inúmeras advertências bíblicas. Uma das mais notórias é quando o Espírito Santo advertiu os magos para não informarem a Herodes onde se encontrava o recém-nascido Jesus. Outra é quando por meio do profeta Samuel, os judeus são advertidos para não desejarem a configuração do seu quadro político semelhante ao dos povos que não conheciam a Deus. Os cristãos cometem erro parecido atualmente. Em vez de apoiarem uma influência cada vez maior do cristianismo na política e na configuração jurídica dos países onde vivem, impondo franca resistência à secularização de todos os aspectos da vida, cada vez mais submetida à política, colhem da prateleira das ideologias mundanas os ingredientes para preparar suas indigestas opiniões sobre política. Muitas vezes apoiando grupos que defendem premissas totalmente contrárias aos valores do Evangelho. Transformam, assim, suas justificativas de cunho pseudoteológico em elucubrações que beiram o blasfemo e correm o risco de entregar a César o que não lhe pertence: suas próprias almas.


Leia também:
Os evangélicos brasileiros e as causas do Anticristo
Política à luz da Bíblia
Agitação política e miséria espiritual
Robinson Cavalcanti: sempre socialista, nunca conservador

domingo, 4 de novembro de 2007

Estado, fé cristã, e a tal “homofobia”

Com tanta libertinagem e relativismos de toda ordem legitimados culturalmente, não vejo porque tanto medo da tal “homofobia”, palavra que, em seu sentido estrito, significa “medo do igual”, “medo do semelhante”, ou “medo do mesmo”. Sabe-se que tal rótulo foi inventado só para ser aplicado a qualquer pessoa que faça a mínima objeção às pretensões dos gayzistas, mas como a grande mídia prontamente aderiu à “causa”, tem até evangélico dito “esclarecido” (esses que lêem a Ultimato, sabe?) taxando uns e outros de “homofóbico” por aí.

Acesso o portal Terra, o UOL, o Globo.com ou de qualquer outra grande rede de comunicação ou jornal e lá estão as páginas destinadas ao público GLBT, sempre com o beatiful people por perto, repetindo os slogans do “movimento”. Afinal, pega bem, soa moderninho, tolerante e “conscientiza” as pessoas. Aí fico sabendo das gordas verbas que a ONGs que “defendem os direitos” desse pessoal recebe. Vejo a sanha com que querem aprovar o inconstitucionalíssimo projeto de lei conhecido como PLC 122/2006, que simplesmente criminalizará a fé cristã e colocará a Bíblia de uma vez por todas no Index Librorum Prohibitorum da esquerda e da “razão de estado”. Fica fácil de ver quem são os verdadeiros preconceituosos nesse rolo todo.

Sem o cristianismo, que sempre afirmou a responsabilidade do indivíduo em relação a seus atos — que a salvação é pessoal, que cada homem dará conta de si, e apenas de si diante de Deus, sendo um dia julgado por suas obras, e não pelas de outrem —, todo esse anseio por liberdade e todo o estamento jurídico atual que visa defender a dignidade e os direitos de cada pessoa, sobretudo ao direito de viver de acordo com suas próprias convicções, não teria legitimidade nenhuma. Sem a fé cristã, a liberdade azul dos iluministas simplesmente não existiria. Não há lei positiva sem um alicerce num código moral absoluto, que só poderia derivar de um Legislador Absoluto. Infelizmente, tal questão é por demais metafísica para os que reduzem suas convicções aos arranjinhos retóricos mais badalados da semana.

O problema começa quando se encara o estado como legislador absoluto. Aí começa o “divida e reine” dos políticos e burocratas. O poder temporal quer sempre ser maior, pois a natureza humana é viciada em poder e quanto mais determinados setores da sociedade lutarem entre si, maiores prerrogativas o poder estatal atribuirá a si mesmo. Afinal, dirão os burocratas, ali estão eles para manter a lei e a ordem. O que até é verdade. Mas difícil será vê-los admitir que seus deveres não vão muito além disso. A notória polarização e recrudescimento do debate sobre o projeto de lei 122/2006, com “religiosos” de um lado e a facção GLBT de outro, já é a primeira vitória do estado: não apenas sobre ambos os grupos, mas sobre toda uma sociedade ávida por liberdade e que é atualmente sufocada por intervenções estatais das mais violentas. “Ah, mas não é isso que eu percebo, Edson”. Pois é, e é justamente isso que faz o totalitarismo tão forte atualmente. Não percebemos, nos acostumamos e o consideramos a coisa mais normal e “democrática” do mundo.

Nem preciso dizer que aprovada a lei, o problema só irá se agravar. Piadas sobre boiolas, sapatas e afins surgem em qualquer conversa de forma tão espontânea que ninguém se dá conta que trata-se de um tipo específico de gracejo que logo poderá estar sobre a mira da lei. Já os “crimes de ódio” contra gays, hoje, no Brasil, são raríssimos. Se não fossem, veríamos notícias todos os dias na tevê, porque o caso de amor entre a mídia de massa e a nomenklatura gayzista está aí, a olhos vistos. E, convenhamos, ninguém sai do restaurante, do café ou da loja só porque entrou meia-dúzia de rapazes com o timbrezinho da voz um pouco “mole” de mais. Aprovado o projeto 122/2006, o povão, que nada entende de lei, na dúvida, vai preferir ir para outro estabelecimento. “Vai que a gente fala alguma coisa que as bibas não gostem”. Talvez assim a militância gayzista veja que o tiro sai pela culatra. E é muita ingenuidade, para um miúda parcela da população, querer ver sua “causa” sendo “respeitada” por meio de uma lei que criminaliza católicos, evangélicos, judeus e muçulmanos de uma só vez, num país em que é praticamente impossível não ter um parente ou amigo que professe uma dessas crenças. Gente, vamos parar de frescura!

O que falo para o militante gay é o seguinte: “se você quer ser gay, o problema é seu. Mas não me obrigue a pensar que sua condição é tão natural quanto a heterossexual. Sem heteros, não haveria gays. Não haveria mais humanidade. Sem gays... bem, sem gays, deixo por conta da sua imaginação”. Logo, a heterossexualidade e a homossexualidade não podem estar em pé de igualdade juridicamente. Contudo, acredito que a condição pecadora da humanidade vai além da questão sexual. E falo para o cristão: “se você está mais preocupado em recriminar o gay do que em afirmar que há um caminho melhor para ele, você, como ele, terá um dia de prestar contas a Deus”. Mas é justamente isso que o gay militante quer impedir o cristão de fazer, por meio desse projeto de lei absurdo. E o que restará, então: as mútuas tentativas de criminalização. “Guerra de todos contra todos”, ao melhor estilo hobbesiano. Não vejo, portanto, melhor alternativa para a turma GLBT “engajada” do que sossegar o facho. Até porque tudo indica, e aí está o exemplo dos líderes gayzistas Luiz Mott e Denílson Lopes com seus artigos e palestras, que, legalizado o estatuto superior da opção homossexual perante a fisiologia heterossexual do ser humano, o próximo passo será legalizar a pedofilia. Com “respeitados” professores defendendo sexo entre homens e meninos, alguém vai ter coragem de enviar seus filhos à escola?

Enfim, vivemos tempos duros. Mas um dia, constituição nenhuma terá algum valor. Só a imutável, eterna e absoluta lei do Criador de todas as coisas. De nada adiantarão passeatas e chiliquinhos.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Luther – W. H. Auden

Pessoal, poesia educa. Ensina a escrever, a falar, trabalha com toda a nossa capacidade intelectiva: imaginação, memória, raciocínio, etc. Toca, ataca, apascenta, deslumbra, sempre. É uma pena ver que a maioria das pessoas, com uma mentalidade cada vez mais barbarizada, fica indiferente a toda e qualquer forma de arte mais elevada, preferindo as inanidades da cultura de massa. Mesmo entre os cristãos, pessoas cuja coleção de livros que dá direção para suas vidas, a Bíblia, estando repleta de poesia, infelizmente a coisa não é diferente.Fiquem com uma (já citada aqui no blog) de um dos meus poetas favoritos, W. H. Auden. Abaixo vai a tradução/versão de João Paulo Paes. Fui.

Luther

With conscience cocked to listen for the thunder,
He saw the Devil busy in the wind
Over the chiming steeples and then under
The doors of nuns and doctors who had sinned.

What apparatus could stave the disaster
Or cut the brambles of man´s error down?
Flesh was a silent dog that bites its master,
World a still pond in which its children drown.

The fuse of Judgement spluttered in his head:
´Lord, smoke these honeyed insects from their hives.
All works, Great Men, Societies are bad.
The Just shall live by Faith...’ he cried in dread.

And men and women of the world were glad,
Who´d never cared or trembled in their lives.


Lutero

Consciência pronta a ouvir o ronco do trovão,
Viu o Diabo no vento, todo atarefado
Entrar em campanários, passar sob o vão
Da porta de freiras e doutos em pecado.

O desastre, de que modo evita-lo, como
Aparar o espinheiro dos enganos do homem?
Carne, um cão silente a morder o seu dono;
Mundo, um lago mudo que os filhos seus consome.

O estopim do Juízo queimava em sua mente:
“Fumiga esta colméia de abelhas, Senhor:
Tudo – obras, Sociedades, Grandes Homens – mente.
O Justo viverá pela fé...” gritou, temente.

E quem, homem e mulher do mundo, o temor
Ou zelo nunca atormentou, ficou contente.

sábado, 8 de setembro de 2007

Cientificismo no ar: a nova ordem da ignorância mundial


O cientificismo permanece até hoje como um dos poderosos movimentos gnósticos na sociedade ocidental; e o orgulho imanentista na ciência é tão forte que até mesmo os ramos especiais da ciência dei­xam sedimentos tangíveis nas variantes da salvação através da física, da economia, da sociologia, da biologia e da psicologia.
Eric Voegelin


Na edição de Veja desta semana, na matéria “Graças a Deus – não a Darwin”, o jornalista Marcos Todeschini, finalizando matéria na qual escolas adventistas eram criticadas por ensinarem o criacionismo, não se conteve: “Falta ainda a essas escolas, no entanto, entender que o criacionismo foi superado pela ciência há mais de um século.” E a naturalidade com que William Bonner anunciou a descoberta de nove dentes de gorila na Etiópia como um “elo perdido” na “cadeia evolutiva” do homo sapiens escandaliza apenas aqueles que ainda não se acostumaram com o amontoado de lorotas cientificistas divulgado todos os dias por diversos veículos de comunicação, especializados ou não. Quem viu a chamada do Jornal Nacional no dia 22 de agosto e está minimamente a par do debate notou: Bonner fez tudo o que Richard Dawkins manda: tratou a evolução como um fato, e não como uma especulação teórica.

Parece que não basta mais à Rede Globo soar ridícula no Fantástico. O Jornal Nacional também deve fazer sua parte. A editora Abril, por sua vez, ao permitir que bobagens como as de Todeschini e as da revista Superinteressante sejam publicadas, não fica atrás em matéria de caipirice.

Se, por um lado, o que se vê na mídia de massa sobre ciência nada mais é do que a afirmação de enunciados muito contestados, como os da datação geralmente aceita (DGA) para a idade do planeta e para o período em que viveram seres hoje extintos, por outro, teorias e fatos comprovados que põem em cheque a fé cientificista são simplesmente ignorados. Nunca se comenta, quando se fala em evolucionismo, afirmações como a do eminente defensor da evolução Stephen Jay Gould de que as “árvores evolutivas que enfeitam nossos livros só têm dados nas pontas e nos nós de seus galhos; o resto é dedução, por mais que razoável que seja, não evidência de fósseis”. Porém, mal se descobre uma ossada, e já se ouve a expressão “elo perdido” - falácia que pressupõe uma linha evolutiva com algumas lacunas, quando na verdade tais linhas sequer existem, como confessa Gould.

Diante disso, pode-se concluir: a modelagem do imaginário coletivo em direção ao agnosticismo e à descrença na religião revelada está em estado tão avançado que tratar uma dessas teorias como fato passou a ser um procedimento automático. E pior: confere ao seu emissor a pecha de “esclarecido”, palavra que, nesse contexto, define o crente no velho mito da luta entre religião e ciência, uma das maiores e mais daninhas farsas da história do pensamento ocidental, cujo resultado trágico ainda não pode ser mensurado, mas que em Dostoiévski já era possível detectar sua natureza macabra: “se Deus não existe, tudo é permitido”.

Interessante é que se você perguntar a um desses “esclarecidos” da mídia de massa o que é ciência, é quase certo que ele não saberá responder ou falará asneira. Quanto a isso, o físico escocês James Clerk Maxwell já alertava: “uma das provas mais difíceis para uma mente científica é conhecer os limites do método científico”. Se para tais mentes há essa dificuldade, imagine entre pitaqueiros profissionais, nerds e bobocas diplomados pelo... MEC. Assim fica fácil entender como a redução da pesquisa científica a uma ideologia burra e teofóbica vai ao ar e faz a cabeça da já confusa patuléia telespectadora. Para piorar, o fato é que faz parte do jogo dos cientificistas omitir o significado preciso do que seja ciência – a pesquisa experimental materialista, na definição concisa e certeira de Olavo de Carvalho. Logo, não será na grande mídia que o cidadão comum aprenderá certos conceitos fundamentais sobre a ciência, e tampouco conhecerá as teorias, descobertas e fatos que não só confrontam, mas que em muitos casos destroem na base a maior parte das presunções cientificistas.

Portanto, vale enumerar alguns conceitos e informações que a mídia cientificista omite do grande público.

Sobre o que a ciência pode falar ou não:

A pesquisa experimental materialista - mais conhecida como “ciência empírica” ou “ciências operacionais” - é, de acordo com Gene Calahan, “a tentativa de abstração dos dados experimentais na obtenção de uma relação mecânica universal entre as quantidades mensuráveis”. Não pode reduzir os fenômenos às suas relações mecânicas, nem falar do que algo realmente é. Muito menos afirmar sobre o que é certo ou errado do ponto de vista moral, como muitos que tentam embasar premissas éticas relativistas na Teoria do Caos, no Princípio da Indeterminação de Heisenberg ou na Teoria da Relatividade de Einstein com interpretações forçadas.

A ciência das origens, que investiga a origem, o início e por quais processos o universo teria passado para ser como é, não se enquadra como empírica, e sim como ciência forense, com princípios, regras e métodos diferentes de investigação, pois não lida com aspectos quantitativos e repetíveis, e sim com eventos singulares do passado.

Nenhum conhecimento dessa ordem tem caráter definitivo, e suas premissas, alicerces epistemológicos e conclusões devem passar sempre por um crivo filosófico rigoroso.

Sobre a DGA:


O apego à Datação Geralmente Aceita pelos cientificistas, sobretudo por parte de darwinistas, advém do fato que milhões de anos são uma condição necessária para a macroevolução. Mas para se endossar a DGA é preciso ter confiança cega em três coisas quais não há como provar: (1) que é possível saber as condições originais do artefato que terá sua idade medida – o quanto o mar tinha de sal, ou se isótopos de chumbo não existiam no princípio, por exemplo; (2) que não houve contaminações na amostra, capazes de alterar a taxa de decomposição; e (3) que a taxa de decomposição ao longo dos séculos foi exatamente a mesma.

Do contrário, a data resultante estará errada.

Sobre a natureza religiosa da formulação darwinista

Não há problema algum numa teoria por ter uma fonte inspiracional religiosa. O que uma teoria dita científica precisa ter é apoio científico possível ou real. Tal como o criacionismo, inspirado no Gênesis bíblico, o mito da evolução era uma antiga crença gnóstica que só por meio de Charles Darwin tornou-se hipótese científica, e como mito gnóstico é que grande parte de sua força pode ser explicada. Os tradicionais ataques à fé cristã perpetrados por darwinistas não passam de uma conseqüência natural desse fato, para quem conhece minimamente a história do gnosticismo na cultura ocidental e sua transmutação moderna nas mais variadas ideologias. Não é à toa que cientificismo, marxismo e nazismo sempre partilharam das teses evolucionistas e da fúria contra o legado cultural judaico-cristão.

Sobre teorias alternativas ao evolucionismo, como a do Design Inteligente:

Pouco espaço se dá na mídia de massa aos defensores da Teoria do Design Inteligente (TDI). Três são os motivos: as severas objeções às teses evolucionistas, o fato das suas especulações favorecerem o teísmo e a associação indevida da TDI com o criacionismo.

EM TEMPO: Nem o evolucionismo, nem o criacionismo, nem a TDI, como hipóteses científicas, poderão um dia provar que estão certas, não só pelas próprias limitações do método científico, como por objeções sérias de ordem filosófica: observar o mundo criado e pensar num Criador por analogia é válido. Já tentar provar a existência de Deus, ou do "Designer Inteligente", em laboratório, esquadrinhando fragmentos da criação é ridículo, pois a causa, o propósito e o sentido das coisas criadas estão sempre além delas mesmas. Nem se nega a existência e a necessidade dEle pela presença de combinações naturais bem-sucedidas que supostamente O descartariam. E quantas dessas combinações seriam necessárias para termos uma palmeira, uma ameba ou um elefante? A tese evolucionista esbarra no problema das séries infinitas, e para superá-la deve se ter uma capacidade equivalente a de dizer quantos pontos há numa reta.

Sobre evidências históricas e arqueológicas da veracidade dos relatos bíblicos:

Afirma Nelson Glueck em seu Rivers in the Desert: “nenhuma descoberta arqueológica jamais contradisse uma referência bíblica. Várias descobertas arqueológicas foram feitas que confirmam de forma geral ou em detalhes exatos as afirmações históricas na Bíblia.”

A confirmação de relatos bíblicos por fontes não cristãs, sobretudo sobre a vida de Cristo, também são abundantes, mas, entre fatos históricos comprovados e teorias capengas, a mídia cientificista prefere sempre produzir documentários sobre essas últimas.

Sobre o Princípio Antrópico:

Para que a vida na Terra fosse possível, no momento do big-bang uma série de fatores deveriam estar presentes, e estavam, diz o Princípio Antrópico. Divulgado tal postulado, o fortalecimento da crença em Deus como causa planejadora do universo pode ser tão grande nas massas quanto tem sido entre os mais eminentes cientistas, e isso a mídia não quer. Como diz o filósofo Peter Kreeft, “existem, relativamente, poucos ateus entre neurologistas, neurocirurgiões e astrofísicos, mas muitos entre psicólogos, sociólogos e historiadores. A razão parece óbvia: os primeiros estudam o design divino, e os últimos estudam o undesign humano.”

Sobre as leis da termodinâmica:

As duas primeiras leis (há uma lei “zero” que versa sobre a temperatura como propriedade de equilíbrio) da termodinâmica afirmam que: (1) a quantidade de energia real no universo prevalece constante e (2) a quantidade de energia utilizável está diminuindo, o universo tende à entropia, ao “desgaste”. Essa segunda lei tem uma implicação séria: o que se desgasta não pode ser eterno, logo, teve um início, uma Causa: Deus.

Perguntar não ofende

Por que teorias e postulados que favorecem especulações materialistóides, sempre com as insinuações anti-religiosas de praxe são tão divulgadas na mídia de massa e outras, que, se comprovadas (quando isso é possível) prensariam ateus e cientificistas contra a parede, simplesmente parecem inexistir? Há quanto tempo não se vê nas grandes redes de comunicação, nas revistas de grande circulação e na imprensa especializada tais temas sendo tratados?

Só uma bem articulada estratégia de promoção da ignorância cientificista auxiliada por jornalistas esquerdômanos anticristãos não explica a questão, se não se falar nos mentores do fenômeno. A crescente concentração do poder midiático nas mãos de grupos de planejadores mundiais bilionários, aliançados com a ONU, onde impera o gnosticismo, parece ser a explicação mais plausível para a disseminação sistemática da ideologia cientificista. E nem falo aqui da omissão criminosa da divulgação dos inúmeros pareceres científicos contrários ao discurso ecofascista, como o dos 17 mil cientistas que assinaram a Petição do Oregon, ou de especialistas eminentes como Paul Lindzen e Claude Allegre.

“A ignorância é a maior multinacional do mundo”, dizia o velho Paulo Francis. Qual será o tamanho dela no futuro, quando um mega-truste dessas proporções age sem parar, com todos os recursos ao seu dispor, ávido por dominar o planeta?

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Robinson Cavalcanti: sempre socialista, nunca conservador

Publicado em 09/08 no site Mídia sem Máscara.

Bastou uma leve aproximação no tom de seu discurso com o ideário conservador, e um dos mais proeminentes esquerdistas da igreja brasileira, o bispo anglicano Robinson Cavalcanti tem seu artigo publicado no mais importante veículo de comunicação assumidamente liberal-conservador do Brasil. Mas o erro não foi só dos brasileiros. Nos Estados Unidos, ocorreu algo parecido. Portanto, fica o aviso: não, senhores, o bispo anglicano Robinson Cavalcanti não é um conservador. Não é nem mesmo o que pode se chamar de direitista. Não é liberal clássico, nem um libertário, e muito menos um conservador, seja da vertente moderada, da mais anti-estatista, ou mesmo um neocon discípulo de Leo Strauss. Nem isso. Ele é e sempre foi um socialista.

Cavalcanti deve ter notado a associação indevida de sua pessoa com o conservadorismo, mas até agora não quis se pronunciar para desfazer o equívoco. Estaria ele agindo estrategicamente? É presumível que sim.

Ex-deputado pelo PT, partido pró-aborto, pró-gayzismo, aliançado com grupos terroristas de esquerda latinos como as FARC colombianas e o Sendero Luminoso no Foro de São Paulo, Cavalcanti, que também é cientista político, foi o mentor e fundador do MEP – Movimento Evangélico Progressista, agremiação de militantes “esquerdistas cristãos”. Afirmou que saiu do PT porque, além de ter sido eleito para o episcopado anglicano, em sua visão, o partido abrandou o discurso e não era mais de esquerda o suficiente:

não estou mais filiado ao Partido dos Trabalhadores desde 1997, em razão da minha eleição ao episcopado anglicano. Tenho memórias positivas de um passado de lutas pelo estado democrático, pela soberania nacional e pela justiça social. Tenho também percepções cada vez mais negativas da ruptura-ideológico-programática desse partido
(Revista Ultimato, edição de setembro/outubro de 2004)

No segundo turno da reeleição de Lula, em 2006, no mesmo sentido, Cavalcanti escreveu:

Depois de me esgotar rodando o Brasil nas campanhas de 1989 e 1994, sou surpreendido com a confissão de Lula: “Nunca fui de esquerda”. (...) Como funcionário público de classe média, professor universitário, aposentado, socialista democrático e evangélico, não tinha mais razão para votar em Lula.
(Ultimato, edição de janeiro/fevereiro de 2006)

Vale destacar que Robinson Cavalcanti não é um conservador nem mesmo em termos teológicos. É uma das principais referências no Brasil quando o assunto é a teologia da Missão Integral, uma espécie de versão protestante da “teologia” da “libertação”, com a qual militantes socialistas transformaram milhares de paróquias da América Latina em meros think-tanks da subversão política. Não é porque agora, com o recrudescimento do agitprop gayzista, que o deixou alarmado, que Cavalcanti abandonou o ideenkleid socialista. Ele não fez isso publicamente. E mesmo se o fizesse, quem conhece a história do comunismo sabe que após a rejeição pública de seus velhos e torpes ideais, o suposto ex-militante deve ficar sob observação atenta. No caso de Cavalcanti, esse cuidado não é necessário. Pois ele não negou nada do que está em seus livros, artigos e discursos, nos quais mistura e associa socialismo e cristianismo.

A teologia de Robinson Cavalcanti, bem como algumas de suas posições em relação à família e à sexualidade também afrontam não só o conservadorismo, mas também o cristianismo histórico. Sobre a monogamia, ele afirma:

O ideal existe, mas sua manifestação histórica pode ferir outros tantos ideais divinos: sanidade, amor, fé, pois a monogamia pode ser, em muitos casos, apenas aritmética (1+1) e não qualitativa. A manutenção de outros ideais divinos tem levado, por sua vez, à necessidade de modelos não-monogâmicos que tornam possível a preservação e a promoção daqueles outros valores e idéias diante da impossibilidade histórico-conjuntural da simultaneidade de todos os valores (p. ex. Israel no Antigo Testamento.
(no e-book Libertação e Sexualidade, págs 71 e 72)

É claro que ele omite a passagem bíblica em que Jesus Cristo reafirma aos fariseus a prescrição divina irrevogável: Deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua (no singular) mulher, tornando-se os dois uma só carne. Também não fala do padrão paulino para bispos e diáconos: maridos de uma só mulher.

Antes, a preocupação de Cavalcanti é meramente igualitarista, e acarreta na hipótese de que Deus estabeleceria padrões de conduta impossíveis de serem vivenciados ao longo da história:

O ideal divino, edênico, seriam as uniões monogâmicas? Sim, mas para todos. Ou seja, a exigência de absolutização desse modelo seria legítimo historicamente quando, concomitantemente, houvessem as condições objetivas para que todos a usufruíssem, não ficando ninguém sem casar, conforme, igualmente, o ideal edênico. Não seria teologicamente correto, nem eticamente honesto, exigência de um aspecto sem levar em conta a totalidade da Ordem da Criação.
(Libertação e Sexualidade, pág 72)

Aqui fica óbvia a transposição da mentalidade “socialista democrática” de Cavalcanti para a esfera teológica, com todas as suas nefastas conseqüências de ordem espiritual e moral. “Só não é pecado se todos tiverem o mesmo direito”. Mas nada apóia esse raciocínio comunistóide nas Escrituras. “As manifestações sociais do pecado, as perversões, como as guerras, as epidemias, as enfermidades, os acidentes, as desigualdades, os preconceitos, têm tornado impossível o outro lado desse ideal”, afirma o bispo no parágrafo seguinte. Como se a presença do pecado no mundo pudesse relativizar a ordenança divina, única fonte da qual se pode entender a noção mesma de pecado. A ilogicidade da assertiva raia o ridículo.

Esse é o verdadeiro e conhecido Robinson Cavalcanti, ainda que faça boas críticas à ditadura gay (que, na verdade, ajudou a forjar, pois sempre se empenhou para que os evangélicos brasileiros apoiassem candidatos esquerdistas) e reconheça que, em última instância, a verdade e justiça absoluta estão não mãos de Deus. O que não é suficiente para fazer dele um conservador, ou seja: alguém que não faz qualquer concessão a ideologias, ao intervencionismo estatal cada vez maior e à relativização de valores espirituais e morais. Robinson Cavalcanti é mais um exemplo daqueles cristãos que deixaram-se influenciar pela mentalidade secular em muitas de suas posições.

Fica a reprimenda aos conservadores autênticos: mais atenção, mais discernimento e mais conhecimento histórico é necessário. Não dêem crédito de imediato a qualquer assertiva de origem duvidosa, por mais que esta se assemelhe aos postulados conservadores. A história do movimento revolucionário mundial é a do ódio e da perversão travestidos de caridade e zelo moral. Para a esquerda, não interessa o discurso, desde que ela seja capaz de arrebanhar militantes e semear os impulsos gnóstico-revolucionários na alma de seus ouvintes, com um único objetivo: a revolução, a “nova ordem”. Estejamos atentos.

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Esse é meu segundo artigo que sai no MSM. O outro foi esse post.

Leia também o post Política à luz da Bíblia.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Nos tempos da blasfêmia pop

Eles valem-se do conceito bíblico de blasfêmia contra o Espírito Santo, acreditam que há um inferno e na fórmula infalível, de acordo com a Bíblia, de ir parar lá. Portanto, não se pode classificar o pessoal do Blasphemy Challenge, que está lançando a campanha do “desafio da blasfêmia”, de ateus sérios. Eles nada mais são que provocadores anticristãos.

Para divulgar o filme The God Who Wasn't There (O Deus que não estava lá) - alusão ao best-seller do apologeta presbiteriano Francis Schaeffer, The God Who Was There – o “ministério” Blasphemy Challenge (www.blasphemychallenge.com) propõe ao “desafiante” que grave um vídeo no qual blasfeme contra o Espírito Santo, o único pecado sem perdão, segundo o texto do Evangelho de Marcos 3 verso 29, e envie-o a sites como o YouTube. E avisam: “Jesus vai te perdoar por qualquer coisa que você fizer, mas ele não vai te perdoar se você negar o Espírito Santo. Nunca. Essa é uma estrada sem retorno que você esta escolhendo agora.” O prêmio? Uma cópia de The God Who Wasn't There.

Um dos objetivos confessos dessa turminha é aumentar a população do inferno. Nesse sentido, são mais crentes na Bíblia do que os adeptos da heresia universalista. A danação eterna poderá vir, no futuro, a muitos que aderiram à proposta, mas é para o presente momento que a idéia do Blasphemy Challenge tem visivelmente uma meta muito mais séria, por mais que não assumam: por meio da chacota, ridicularizar a fé em Cristo e contribuir para o recrudescimento do anticristianismo, fenômeno notório em quase todo o Ocidente. Certamente os idealizadores do projeto pouco se importam, ou mesmo ignoram de que cristianismo é a religião mais perseguida do mundo e o número de vítimas dessa caçada chegue a 90 mil por ano. A cumplicidade, mesmo inconsciente, é clara, e a História mostra que a perseguição cultural sempre precede à física, a matança em larga escala. É só perguntar a qualquer judeu alemão que assistiu a chegada de Hitler ao poder.

Com tantos adolescentes aderindo, não se pode negar o contorno de esporte radical, de X-Games, que o Blasphemy Challenge adquiriu. O anticristianismo, entre os adultos é supostamente intelectualizado, instigado e influenciado pelos bem-falantes da mídia de massa. O dos adolescentes, para emplacar, não poderia usar gravata: anda de skate e aparece no Youtube. É basicamente Jackass religioso. Aí está a nova tendência. Logo aparecerão mais filmes, videogames e streetwear baseados numa afronta estilozinha ao cristianismo.

Vale lembrar: fosse uma gozação ao budismo, ao hinduísmo, à wicca ou a qualquer culto tribal, os poodles midiáticos teriam chiliquinhos e gritariam: etnocêntricos! Intolerantes! Como é contra o cristianismo, “viva a liberdade de expressão”. Se fosse contra o islamismo, bem, o episódio dos cartuns na Dinamarca refresca a memória, serve de exemplo, e dispensa comentários.

Num quadro como o atual, se os cristãos realmente estivessem atentos, já teriam se posicionado de forma diferente. Infelizmente, parecem acuados demais por bobagens como o evolucionismo, o cientificismo, a manipulação lingüística dos politicamente corretos, a recriminação da fé nas escolas e na Academia, e a insistência na divulgação da mitologia iluminista que caricaturiza o cristianismo e faz as mais estapafúrdias distorções históricas. Cada um desses elementos tem um papel importante para a formação de uma sociedade cristofóbica. Não são poucos os que defendem tais coisas sabendo claramente disso.

Para agravar a situação, o fato é que os cristãos ainda não conhecem a superioridade de suas posições frente à lorota agnóstica e ateísta e acabam enredados pela gritara cética. Podem pagar caro por isso, e a secularização da Europa, já em estado avançado, o esvaziamento de muitas igrejas e as dificuldades crescentes para a evangelização são evidências de que é hora de um despertamento apologético e evangelístico de envergadura mundial.

Jonathan Edwards, rara combinação de teólogo erudito, apologeta e ousado avivalista, já avisava: o inferno é fechado pelo lado de dentro. O espetáculo trash perpetrado pelos “ateus” do Blasphemy Challenge confirma mais uma das convicções do velho mestre calvinista, e compactua, ainda que de maneira cínica e irresponsável, com uma chegada mais rápida de muitos mártires cristãos ao paraíso celeste.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Ide e adaptai?

Não consigo identificar gente mais tosca que esses teólogos auto-incumbidos da missão de criar uma teologia adaptada à realidade do país, que supostamente proporcionaria melhores resultados na pregação e na vivência do Evangelho no Brasil, algo que, dizem eles, contribuiria para a solução de muitos problemas na Igreja e na sociedade tapuia. Falam em teologia nativa, teologia autóctone, em “uma teologia nossa”. É óbvio que logo o teólogo pitaqueiro mostra a verve terceiro-mundista de suas motivações.E lá vem expressões como “precisamos de uma teologia livre dos ranços anglo-saxônicos” ou “um Evangelho condizente com a nossa condição subdesenvolvida, voltado para a diminuição da pobreza” e afins. Sim, há, também, fúria política nisso tudo, mas o cerne do problema é ainda mais grave.

O texto da chamada grande comissão não diz “ide a adaptai o Evangelho a toda criatura”. Nunca achei um trecho sequer de Paulo - que se fez de louco para ganhar os loucos - apontando para tal necessidade. Vejo, sim, a adaptação da estratégia do pregador, não da essência da mensagem. Vejo a necessidade das pessoas e povos se adaptarem, por meio do arrependimento, à mensagem da Cruz, que, em cada uma das cartas do apóstolo, destinadas a igrejas em contextos sócio-culturais distintos, é sempre a mesma.

Bem, não é de hoje que adaptam o Evangelho às mais variadas inspirações e motivações. Sejam ideológicas, e aí temos o exemplo soturno dos entusiastas da tal “Missão Integral” – rótulo que subentende a parcialidade do Evangelho quando desprovido da mistura com o socialismo – ou mesmo os mais torpes impulsos carnais, como no caso dos “evangélicos gays”, termo equivalente a “ateus politeístas”, “céticos crédulos” ou algo do tipo.

Em Cristo, diz a Bíblia, não há diferença entre circunciso e incircunciso, bárbaro ou cita, judeu ou grego. O Evangelho é um para todos, e é na busca do seu significado mais puro e profundo é que vidas poderão ser transformadas e ver muitos de seus problemas resolvidos. Não consigo perceber algo que tenha causado mais confusão e desavença na história da Igreja do que interpretações parciais e subjetivas da Palavra de Deus, que permanece a mesma, para sempre. Evangelho ao gosto do freguês acarretará sempre na perdição eterna do freguês.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

A minha fé e a deles

O materialista diz que nada há além da matéria. Mas a teoria dele não é matéria. O agnóstico radical diz que “não é possível saber” nada sobre Deus e sua existência. Mas como ele sabe disso? O cético duvida de tudo, menos do ceticismo, para o qual é crédulo como um bebê ao colo da mãe. Os convencionalistas afirmam taxativamente: “todo significado é relativo”. Relativo a quê? Eis a pergunta mais importante que tantos não ousam fazer a si mesmos. O supremo valor dos niilistas é o niilismo. Estranho. O deísta acredita num deus que pôde criar absolutamente tudo e não pode interferir em nada. Só porque o deísta não quer, ao que parece. Toda essa turma, cujos alicerces de suas teses são em si mesmos trombadas lógicas patentes, como se vê, só pode se basear numa fé cega para defender tais posições como se fossem as mais racionais. Já o fideísta usa a razão para dizer que, quando se fala em fé, a razão deve ser deixada de lado, caindo no mesmo umbiguismo dos incrédulos. Lindo de se ver. Aí falo que ainda não vi nada mais racional, embasado filosófica e historicamente que o Cristianismo que professo e logo sou taxado de louco ou ingênuo. Logo falam na Trindade. Nada mais previsível. Para quem mantém posições como as acima mencionadas, difícil seria conseguir distinguir entre pessoa e essência, entre mistério e falácia. Mas paciência é fruto do Espírito. Prossigamos rumo ao alvo, Cristo.