segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Desgaste, compaixão e resgate

Assaltar um banco. Não, você não faria isso. Um homicídio? Tampouco, jamais. E é por saber que você não faria isso que o diabo não irá te tentar com propostas dessas. Quando vejo um irmão com sua chama meio apagada, papagaiando idéias alheias à Palavra, pessoa outrora referência de devoção, sabedoria e zelo, tenho certeza que, para chegar neste estágio, nada ocorreu da noite para o dia. Houve um processo, no qual se inclui uma série de fatores, como aquela acomodação advinda do orgulho (normalmente fruto da comparação com outros irmãos) capaz de, primeiramente, diminuir o ritmo de crescimento de uma vida espiritual, para depois, interrompe-lo. Por fim, inicia-se o retrocesso que faz o porco lavado ao retornar ao lodaçal, para ficar com as palavras do apóstolo.

E aí está nosso irmãozinho. Sedizente cristão, mas já com aqueles adereços que não foram produzidos na feirinha do arraial dos santos: palavrório, posturas e valores que já conhecemos bem, onipresentes na indústria cultural, e que tão facilmente brotam da alma de um ser humano entregue a si mesmo, ansioso por ‘liberdade’ e ‘independência’.

O que quero destacar é que a deteriorização da vida espiritual nunca é brusca, abrupta. O cristão descuida-se, aceita uma sugestão diferente aqui, outra ali, cede um pouco mais acolá. Isso pode durar semanas, ou meses. Até que chega um bacaninha, questiona alguma ordenança bíblica de forma muito bem disfarçada, sutil e sagaz. E o discípulo pensa: "É, não é bem assim".

A partir daí, acelera-se a derrocada. Em pouco tempo, poderemos ver o ex-líder de adoração num carro alegórico de escola de samba. É sempre fácil encontrar pessoas amadas neste processo, em estágios menos ou mais avançados em nossas famílias e na Igreja. A atitude mais comum e miserável é por o dedo em riste e entrar no batalhão da patrulha farisaica, que nunca tem problemas de excesso de contingente. E lá vai mais um ditado sueco para lembrar o povo de Deus que superambundante graça precisar ser espalhada a qualquer pessoa, em qualquer situação: "Procure me amar quando eu menos merecer, porque é quando mais preciso". Na mesma direção, as Sagradas Escrituras dizem:

"Se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte de seu Filho, muito mais agora, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida".
Romanos 5:10 (Bíblia Sagrada, trad. Almeida. Revista e Atualizada)

Resgatemos nossos soldados contaminados, que estão atrás das linhas inimigas.

quarta-feira, 14 de setembro de 2005

Misantropia x "Ser Sal"


"A liberdade reside na conformidade, não na separação.[Devemos] buscar o ponto onde a liberdade e o amor coincidem. Este é o ponto que Sartre ignora.O próprio da liberdade não é tão-somente fazer-me escolher entre possíveis no tempo, mas fazer-me escolher entre o tempo e a eternidade, ou antes, permitir-me preferir sempre a eternidade ao tempo".
Louis Lavelle – Graça e Liberdade
Tradução - Luiz de Carvalho.


Dias atrás, graças a um provérbio sueco que diz: "os jovens vão aos bandos, os adultos aos pares e os velhos sozinhos", eu andava desconfiado de ter passado subitamente da juventude para a velhice. "Será que eu passei a "vida adulta" e me tornei um xaropão ranheta e caduco antes do tempo"? Afinal, amo ficar sozinho, posso passar um dia inteiro só e mesmo assim me diverto bastante, com meus livros, textos, com minha guitarra, pensando em posts para o blog, etc... A sós, somos sempre nós mesmos, sozinhos, somos 'livres'.

Muitos sábios apreciaram o isolamento, lamentando o dilema entre tarefas pessoais e sociais, como fez Hermann Hesse, ou a complexidade das relações humanas, da qual queixava-se o über-jornalista Paulo Francis. Não estavam totalmente errados. Porém, entre eu e eles, há uma diferença, literalmente, crucial, no sentido mais estrito da palavra: sou cristão. Devo ser sal da terra e luz do mundo, candeia em lugar alto e visível para que a luz possa ser bem aproveitada. A introspecção é ótima e a meditação fundamental. Mas preciso resistir à tentação de evitar pessoas. Devo é amá-las, o que muitas vezes significa gastar tempo com elas, dividir dores e alegrias, misérias e virtudes, de forma que, através da minha vida, essas pessoas se aproximem do Altíssimo. Não é fácil, mas agir assim é exatamente imitar, em menor escala e em suas devidas proporções, o ato heróico e apaixonado de Jesus: despir-se de sua Deidade, deixar seu trono de glória e vir nascer num curral fétido, emprestado, filho de uma mulher cujo povo já era dos mais odiados, oprimido por um truculento império. Foi um carpinteiro cheio de gente a sua volta, cercado de discípulos bem burrinhos e sempre com legalistas manés (desculpem o pleonasmo) no seu rastro.

Portanto (eu e meus "portanto", não é mesmo?), quem sou eu, quem somos nós para pensarmos que os homens não merecem nossa companhia? Há tempo para tudo debaixo do sol, e que saibamos discernir hora certa de entrar e de sair da caverna. Para que a graça dEle transborde de nós, e que todos que estiverem a nossa volta sejam inundados do Amor Eterno.

quarta-feira, 7 de setembro de 2005

Em quais hostes militas?

Descobri o porquê de tanto sectarismo nas igrejas protestantes. Há dois tipos de pessoas dentro delas: os sedentos, os que querem mais, e “as crianças que brincam de religião”, que quando percebem que Deus irá se manifestar, fogem da raia. Com a palavra, ninguém menos que C.S. Lewis:

“E sempre assustador encontrar vida quando pensávamos estar sós. "Cuidado!" gritamos, "está vivo!”. E assim esse é exatamente o ponto onde muitos retrocedem - eu teria feito o mesmo se pudesse – e não continuam no Cristianismo. Um Deus "impessoal" – não basta. Um Deus subjetivo de beleza, verdade e bondade dentro de nossas cabeças - melhor. Uma força vital informe, surgindo através de nós, um vasto poder que podemos deixar fluir - perfeito. Mas o próprio Deus, vivo, puxando do outro lado da corda, talvez se aproximando numa velocidade infinita, o caçador, o rei, o marido – aí são outros quinhentos. Chega a hora em que as crianças que estavam brincando de ladrão de repente silenciam: o que ouvimos foram passos de verdade no corredor. Chega a hora em que as pessoas que estavam brincando de religião ("A busca de Deus por parte do homem!") subitamente retrocedem. E se O encontrássemos de verdade? Nunca imaginamos que isso pudesse acontecer! Pior ainda: e se Ele nos encontrou?”

C.S. Lewis – Milagres - Tradução minha, misturando outras duas.

Eu já vi isso acontecer. Até me lembrei do Gregório McNutt, que diz que sempre há líderes tentando apagar o fogo que o próprio Deus acende na vida de alguns cristãos....

A pergunta que fica é: De que lado estou? E você? “Examine pois o homem a si mesmo”...

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

Conhecimento X Revelação

Dedico o post "Conhecimento x Revelação, escrito por Norma Braga, para todos aqueles irmãos em Cristo que tem medo de usar o cérebro. Infelizmente, não são poucos.


Conhecimento X Revelação

Teólogos se ocuparam por séculos com a questão da obtenção da fé cristã: seria por revelação ou por conhecimento? Creio que a discussão se torna um quebra-cabeças insolúvel se tomada desta forma, "ou conhecimento, ou revelação". O ideal é deixarmos de antagonizar essas duas instâncias para entendermos que todo conhecimento verdadeiro também vem de Deus. A Bíblia diz que são culpados os homens que, ao olharem para tudo o que existe no mundo - a criação - , não louvam o autor, o criador. O que significa que as coisas criadas também falam de Deus, e sobre isso existe um salmo lindíssimo que diz: "Os céus proclamam a glória de Deus / E o firmamento anuncia a obra de Suas mãos". Para reconhecer essa glória visível no mundo, precisamos dos dois lados: o sensível, para chegar às coisas, e o inteligível, para fazer uma ponte entre elas e Deus. Tudo se faz assim, nada é apenas "revelação" solta, sem nossa participação, ou "conhecimento puro", com nossa mente em atividade no vazio ou apenas consigo própria.

Logo, como protestante, acredito firmemente na ênfase na revelação de Deus como modo de se obter a fé, mas não tomo a revelação como oposta ao conhecimento. Para mim, a melhor maneira de se entender isto é o seguinte: Ele começou primeiro. Ele já existia antes de tudo, Ele imaginou, Ele criou. Assim, a iniciativa é sempre Dele em tudo. Isto se chama, afinal, graça: diante de Deus, seremos sempre os agraciados, aqueles que recebem. Logo, recebemos: revelação e conhecimento, sempre. E o antagonismo revelação x conhecimento parece perder todo o sentido se pensamos na infalível graça de Deus. Pois, no final das contas, tudo é revelação no sentido lato, começando pela revelação de si e de seu amor: "Ele nos amou primeiro."

Acredito então que, ao se fundarem necessariamente no antagonismo, os defensores de ambas as posições incorrem em erro. Os cristãos protestantes tendem a privilegiar tanto a revelação "pura" que acabam menosprezando a razão como se esta fosse intrinsecamente separada de Deus. Logo, acabam sendo anti-intelectualistas. Já os gnósticos enfiam os pés pelas mãos porque, ao privilegiarem a razão (ou o que entendem ser razão - uma razão cartesiana, mutilada do sensível, já que se concentra em excesso na mente humana, nos processos interiores), subordinam-lhe a graça, e acabam prescindindo do verdadeiro iniciador de todo processo de conhecimento. As duas posturas geram doença: a primeira diz "só Deus", e a segunda diz "só o homem".

A doutrina protestante oferece uma boa dimensão da graça. Evangélicos em geral crêem certo quanto a Deus como o grande iniciador, mas têm um medo irracional de interferir no processo e gerar orgulho - o que é uma tolice, porque a graça de Deus não significa passividade humana. Ele nos chama para sermos co-participantes de sua glória, não para recebermos Dele de forma estática. Um dos mais belos detalhes na história de Moisés é quando Deus diz para ele tocar o cajado no mar. Deus não poderia ter simplesmente mandado o mar se abrir? Não poderia ter ecoado uma voz do céu assim: "Abre-te, mar"? Mas não: delega o gesto a Moisés, e o mar se abre. É óbvio que não foi Moisés quem abriu o mar, foi Deus; mas Ele o chamou para participar do milagre. A Bíblia inteira nos chama a essa co-participação dos milagres divinos, parecendo afirmar que somos mais humanos - somos plenamente humanos - quando agimos em conjunto com Deus, porque afinal Ele nos criou para isso. Jesus o mostrou perfeitamente, sendo o melhor ser humano que chegou ao mundo por estar em perfeita sintonia com Deus.

http://www.normabraga.blogspot.com/

quarta-feira, 31 de agosto de 2005

Depressão em cristãos?



Não acredito em depressão em cristãos. Não posso aceitar, não admito, não suporto a idéia. Não acredito que uma pessoa que busque viver segundo os padrões bíblicos possa vir a ter o tal "mal do século" (passado). A Bíblia mostra a alegria como uma característica intrínseca aos que anseiam viver próximos a Deus. O povo de Israel fazia um barulho razoável em suas festas, que não eram poucas. Nos casamentos, o festerê durava uma semana. Davi não cansava de salmodiar evocando a alegria; foi o rei que sai dançando pelas ruas, com os "comuns", quando a arca da Aliança voltou para Jerusalém – com júbilo e som de trombetas (2 Sam. 6:15).

A alegria habita em quem tem o Espírito Santo dentro si, lê-se na carta paulina aos Gálatas. Na carta aos Filipenses, Paulo enfatiza a importância da alegria na vida cristã; foi inspirado nessa carta que Charles Swindoll escreveu Ria-se De Novo – Experimente a alegria transbordante, bela obra sobre a questão. Na contra-capa da edição brasileira, há uma foto de Swindoll sobre sua Harley-Davidson acompanhado de sua "gatinha", ambos com mais 65 anos de idade.

Reitero: Não acredito em cristãos depressivos. Ou é uma coisa, ou outra. Nesse mundo teremos aflições, ok, Jesus avisou. Mas viver soterrado em lamúrias não é viver por modo digno do evangelho. E a tristeza que for segundo Deus, "produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza segundo o mundo produz morte" - (2 Cor.7:10).

Tristeza que mata, que é doença, não vem de Deus. Comigo não tem essa.

quinta-feira, 25 de agosto de 2005

Jogar limpo com Deus

"Ó Deus, não te amo, nem mesmo quero amar-te, mas desejo querer amar-te".
Teresa de Ávila

O brasileiro, nascido e criado nessa terra onde a informalidade escolheu esparramar desleixadamente seus longos tentáculos e fazer sua morada, pode correr o risco de transferir para sua vida espiritual, seguindo uma lei psíquica das compensações, uma reverência que, ao invés de fazê-lo posicionar-se de maneira sensata perante Deus, leve-o a ter uma atitude "cheia de dedos" ante o Criador. Uma reverência que não o posiciona na sua exata condição de servo e filho, mas uma reverência que faz com que se perca de vista a magnitude dos atributos de Deus e a dimensão dos esforços que Deus fez para poder se relacionar com aqueles que são o seu maior sonho e objeto máximo do seu amor: os seres humanos.

O homem que distorce o sentido da reverência a esse ponto, perde algo muito valioso em sua caminhada espiritual: a autenticidade e a transparência perante Deus. As conseqüências disso logo aparecerão: da dificuldade de apresentar suas aflições ao Pai, do não "lançar sobre Ele toda nossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de nós", surge um estado constante de angústia. Da dificuldade de confessar a Deus seu pecado, surge o sentimento de culpa, e a mão dEle começa a pesar sobre o homem, como pesou sobre Davi, que conseguiu admitir sua dificuldade em deixar de ocultar seus pecados a Deus. Assim, o homem acaba por atrapalhar a boa obra que Deus está a realizar em sua vidas, pois não se entrega plenamente a Ele. Como se sabe, o Espírito Santo não agirá na vida daquele que não lhe der permissão para agir.

Concluindo (senão o post fica longo demais e eu me passo por chato - mais uma vez):

* Homens que foram francos com Deus tiveram suas orações respondidas. Na Bíblia há vários exemplos.
* Homens que são francos com Deus têm seus pecados perdoados. Deus não resiste a um coração sincero e contrito.

Deus deseja se relacionar com cada homem na condição de Pai. Um Pai que anseia por sinceridade, franqueza, devoção e respeito. Um respeito advindo do reconhecimento da sua santa e doce onisciência, da sua fidelidade e do seu infinito amor.

terça-feira, 23 de agosto de 2005

Haloscan commenting and trackback have been added to this blog.

- Bem, a engine do Haloscan só esqeceu de me avisar que todos os comentários iriam para o balaio... tudo bem, acontece...

quarta-feira, 17 de agosto de 2005

"Teologia" da prosperidade

Quando vierem com essa conversinha de que você deve "reivindicar" as promessas da Bíblia para sua vida, leia essa oração do profeta Habacuque para seu interlocutor. É lindo e útil:

"Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado,
todavia eu me alegro no SENHOR; exulto no Deus da minha salvação
".

Habacuque 3:17,18 (Bíblia Sagrada, trad. Almeida. Revista e Atualizada)

Há líderes eclesiásticos que pensam que, por praticarem o que eu chamo de "Cristianismo de mercado", suas ovelhas farão o mesmo, começando a barganhar com Deus bênçãos de acordo com sua conduta e disciplina nas orações e no estudo da Palavra. Como se Deus fosse obrigado a deixar todos os seus filhos ricos! O livro de Jó e as cartas do apóstolo Paulo também nos dão preciosas lições a respeito disso. Vale a pena pesquisar sobre o tema.

É impressionante como é limitado o conceito de prosperidade desses envenenadores da Água da Vida. Foca apenas as finanças pessoais e a saúde. Em relação ao "crescer na graça e no conhecimento", e ao "deixar de ser criança que bebê leite e tornar-se adulto que se nutre de alimento espiritual sólido", esses pretensos pregadores nada falam. Porque talvez assim mantenham a influência e escondam sua mediocridade por mais tempo perante as pessoas que assistem suas pregações.

Ainda bem que uma rápida (mas bem orientada) consulta às Escrituras desmente muitas mentiras.

Há mais sobre este assunto aqui.

quinta-feira, 11 de agosto de 2005

Conhecer e desfrutar

"Creio que todos os cristãos concordarão comigo se disser que, embora o cristianismo pareça a princípio tratar apenas de moral, deveres e regras, culpa e virtude, apesar disso, ele o conduz adiante, longe disso tudo, para algo além. Alguém teve a visão de um país onde não se fala dessas coisas, exceto talvez por brincadeira. Todos ali estão repletos do que chamamos bondade. Mas não a chamam de bondade. Não a chamam de coisa alguma. Não pensam nela. Estão ocupados demais, olhando para a fonte de onde ela vem".

C.S. Lewis (Cristianismo Puro e Simples, São Paulo, ABU, 1979)


Não adianta conhecer a Bíblia de ponta a ponta e não desfrutar dela. Não deixar que Deus transforme a informação, o logos em rhema. Só podemos ter uma comunhão cada vez mais íntima com Deus na medida em que crermos sem reservas e vivamos de acordo com seus princípios não apenas por disciplina ou por certo ascetismo. Precisamos encará-lo como Pai, como Consolador, como Príncipe da Paz. Precisamos ver cada milagre, cada gesto de Jesus, cada atuação miraculosa do Espírito Santo como algo perfeitamente válido e possível para a nossa vida hoje. Se não for dessa forma, jamais conseguiremos fazer com que "rios de água viva jorrem de nosso interior".

Se nossos pais terrenos nos dão bons presentes, imaginemos então do que é capaz o Pai celeste que é a mais perfeita expressão do Amor e da Bondade!

Eu sei, eu sei, sabemos de tudo isso. Mas temos disto desfrutado? Tenho plena certeza que desfrutar da doce presença do Espírito Santo em nossos corações é o melhor e mais gostoso método de evangelização. Era assim que a igreja do livro de Atos crescia.

sexta-feira, 5 de agosto de 2005

Peter Singer

Ele assumiu que quer acabar com a moral judaico-cristã, esse filisteuzinho... Não é à toa que, por ele, os bebês podem ser sacrificados no altar do novo dagom moderno, a profana trindade hedonismo-conforto-praticidade. Onde o grande Eu Sou não habita, os mais fracos são massacrados impiedosamente. Sempre foi assim, em todas as culturas, com raríssimas exceções que só confirmam a regra.

quinta-feira, 4 de agosto de 2005

RH é com Ele !

E lá ia Jesus, com a multidão atrás dele. Uns apaixonados, outros querendo aprender, e outra boa parte querendo ver milagres ou ser curada. Lá de longe Jesus pressentiu (acabei de perceber que estou fazendo igual o Max Lucado, mas agora vou em frente) que um rapaz que ajudava seu pai, próximo à estrada pela qual Mestre caminhava, sentiu seu coração agitar-se dentro do peito, assim que O viu. Pensou: - Esse está qualificado, é o próximo. Jesus dá mais uns trinta passos e sela o destino de Levi, filho de Alfeu: - Segue-me.
(Marcos: 2:13-14)

domingo, 31 de julho de 2005

Post de domingo...

A alegria que um cristão obtém, quando se relaciona plenamente com Deus, é imensurável. Constrange quem vê, pois ela mesma está inundada do amor dEle. Quem convive com a presença de Deus acaba por lançar labaredas dela no próximo. Quem foge de Deus logo passará a se sentir incomodado. Por isso é que os cristãos, quanto mais zelosos e devotados, mais raiva despertam naqueles covardes, que não trocam meia dúzia de convicções áridas e sufocantes pela submissão à realidade mais patente: a existência de Deus e seu anseio em ter um relacionamento repleto de amor com cada ser humano.

Para fechar o post, René Girardi (leiam esse cara):

“Se ainda hoje, depois de 2 mil anos de cristianismo, censuram-se certos cristãos por não viver conforme os princípios que eles pregam é porque o cristianismo se impôs universalmente, mesmo entre aqueles que se dizem ateus”.

quinta-feira, 28 de julho de 2005

Sir Silence e um povinho do barulho

Como o silêncio faz bem! Os pensamentos ficam mais claros, mais definidos, quando nada invade nossos ouvidos. Infelizmente, a cultura brasileira não valoriza o silêncio, e a introspecção não é um hábito nosso. Perdemos muito com isso e ficamos superficiais e frívolos. Um povo perigosamente emotivo, com forças reflexivas débeis, com muito mais afinidade com percussão pesada, bumbos, apitos, tamborins e agogôs. Tenho amigos que odeiam o silêncio. Para dormir, ligam a tevê, o aparelho de som, e são sempre os primeiros a dar um grito irônico e impiedosamente estridente quando a conversa pára e todo mundo resolve dar uma epidérmica pensada no que ouviu e disse até então.

Sensuais, vaidosos e dionisíacos a não mais poder, embriagados pelas delícias dos cinco sentidos, eis os brasileiros. Precisam do afago e de beijos para a saudação, do visual impecável (segundo critérios normalmente questionáveis; o"baiano", por exemplo), da decoração da casa toda charmosinha, porém de funcionalidade também questionável. Enfeites que, kitsch ou bem-sacados, abundam em paredes e estantes, dividem espaço com uma enciclopédia velha e jamais lida, alguma literatura de auto-ajuda, uma tevê que quase não é desligada e com um aparelho de som prestes à marcar território assim que o mute do controle remoto do televisor for acionado. Nas festinhas, os dois concorrem entre si, com os gritos da criançada, o sambão de cavalheiros amortecidos pela caipirinha e a balbúrdia promovida pelo animado clube da Luluzinha, que precisa por a fofoca em dia, falar de moda, novela, e do marido de quem não veio.

A sinestesia é fato e todo mundo tem um pouquinho. Então, pode-se identificar até mesmo na "pegada" das cozinhas tapuias, um prazer pelo barulho transposto ao paladar. Sugiro essa associação. Esse apego ao que há de mais picante, de mais in-your-face, a exemplo do que ocorre na visão e no tato. E tome sal grosso no churrasco, tempero forte no marreco (catarinenses, não esqueci de vocês), sem falar nas gorduras pesadas da feijoada, do torresmo e da agressiva pimenta das panelas de Minas e da Bahia.

Para a minoria que sabe do valor do silêncio, porém, as madrugadas são preciosas, exceto as dos finais-de-semana, naturalmente. Nelas, estes afortunados escrevem, lêem, fazem orações e amadurecem idéias. As madrugadas ainda serão consideradas como salvadoras do que ainda há de valor em nossa cultura. Antes do alvorecer, o silêncio passeia livre, acenando cordialmente aos seus apreciadores, sem deixar de presenteá-los e desejar-lhes um novo encontro o mais breve possível. O silêncio acolhe calorosamente quem quer mais de seu intelecto, de sua alma e de seu espírito, com uma ternura que jamais deixa seus admiradores sem preciosas recompensas.

domingo, 24 de julho de 2005

Da santidade do ato conjugal

"Que belos são os teus amores, minha irmã, esposa minha! Quanto melhor é o teu amor do que o vinho! E o aroma dos teus ungüentos do que o de todas as especiarias!
Favos de mel manam dos teus lábios, minha esposa! Mel e leite estão debaixo da tua língua, e o cheiro dos teus vestidos é como o cheiro do Líbano.
Jardim fechado és tu, minha irmã, esposa minha, manancial fechado, fonte selada.
Os teus renovos são um pomar de romãs, com frutos excelentes, o cipreste com o nardo.
O nardo, e o açafrão, o cálamo, e a canela, com toda a sorte de árvores de incenso, a mirra e aloés, com todas as principais especiarias.
És a fonte dos jardins, poço das águas vivas, que correm do Líbano!
Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul; assopra no meu jardim, para que destilem os seus aromas. Ah! entre o meu amado no jardim, e coma os seus frutos excelentes!"
Cantares 4, 10-16.
(Bíblia Sagrada, trad. Almeida, Fiel e Corrigida)

Sexo é algo sagrado demais, para, nestes tempos de idiotia e barbárie, poder ser encarado da maneira correta pela maioria das pessoas. Uma relação sexual plena tem um sentido muito mais abrangente, profundo e espiritual do que os moderninhos costumam imaginar. O ato sexual é uma celebração da união plena de um homem e uma mulher perante Deus e toda a Sua criação. Deus mesmo institui essa celebração da vida porque é muito amoroso e festeiro. Sim, Deus é festeiro, alegre, mas também é santo e gosta de coisas que, como Ele, têm valor eterno. Por isso, é somente mediante o casamento que a humanidade pode encontrar a significação absoluta do ato sexual, que, ao contrário do que muitos religiosos afirmam, jamais se restringe à perpetuação da espécie. Um dos objetivos do sexo é o prazer, o deleite de um casal que possui uma aliança que transcende os sentidos imediatos e terrenos, e que atinge a dimensão sobrenatural. Portanto, quando se pensar em sexo, vale lembrar o que dizia G. K. Chesterton: "até para se ter prazer é necessária certa disciplina". E disciplina é coisa de discípulo. Se alguém deseja prazeres completos na vida, deve observar quem tem sido seu mestre. Não é a toa que Jesus disse que veio a este mundo “para que nosso gozo fosse completo”.

segunda-feira, 18 de julho de 2005

Desaprender

Se há algo na vida que é importante mesmo é desaprender. Demorei para aprender a desaprender, a largar velhos hábitos comuns a quase todas as pessoas que nada têm a ver com meu caráter, com o que penso, com o que vivo e sinto. São tantos costumes estúpidos, tantas baboseiras que nos ensinam, que acabamos desenvolvendo hábitos e mesmo vícios que ferem nossa essência, dos quais não abdicamos por que crescemos vendo todos fazerem igual.

Estar atento ao que é necessário desaprender é quase tão importante quanto desenvolver um olhar crítico e a capacidade de aprender. Ao longo de nossa passagem por este planeta, submersos na cultura, absorvemos besteiras demais para pensar que, bem adaptados aos devires culturais, teremos uma existência sadia. "Não vos espanteis se o mundo vos odeia", alertou-nos Jesus Cristo. O que denota bem que se nutrirmos uma posição passiva e submissa aos costumes e sensos-comuns, muito daquilo que há de mais precioso em cada vida será sufocado. Espíritos incautos, atolados na contingência e no absurdo serão os primeiros a nos repreender, esses bodes que seguem rumo ao matadouro. "Quer aparecer é?".

Por outro lado, ser "diferente" está na moda. O processo deve vir de longe, mas ficou mais evidente com os "filósofos" modernos (quando eu me referir a Nietzsche, Rossaeu, Voltaire e cia, irá sempre com aspas). Todos, hoje, parecem querer construir seu próprio ideenkleid, ou melhor, tentam viver livres de qualquer idéia ou conceito que não reconheçam como absolutamente seus. Jovens e adolescentes são mestres em manter esse posicionamento ingênuo, ensinados pela geração de super-homens nietzscheanos que promoveram duas sangrentas guerras mundiais no século passado. A exemplo destes, os jovens falam, pensam, se vestem e "digitaum" seus textos de forma cada vez mais parecida. Como bem observou Olavo de Carvalho, o "super-homem", ávido por idéias próprias e o "último-homem", totalmente passivo, pensados por Nietzsche, são exatamente a mesma pessoa. Não é a toa que o homem moderno, quanto mais libertário se diz, mais quer impor essa "liberdade" aos outros.

Portanto, parar de imitar a cultura vigente e as "novas tendências do pensamento contemporâneo", que aprisionam mais do que libertam, como tem sido percebido por muita gente intelectualmente honesta, faz muito bem a saúde. Precisamos desaprender muito do que nos têm sido ensinado desde a mais ingênua e tenra infância, em casa, na escola e "na rua". Sobre o que se ensina nas universidades então, nem se fala.

Desaprenda. Faça como Jesus, imite somente a Deus.

sexta-feira, 15 de julho de 2005

Verdades, sabedoria, conhecimento e crescimento

Já dizia Hermann Hesse: erudição é o saber dos outros. Erudição é boa. Mas trilhar o próprio caminho é imprescindível. Mais do que descobrir novas verdades, precisamos é aprender as antigas e buscá-las a cada dia. Ter conhecimento e ser sábio custa caro, mas está disponível a todos que tiverem um mínimo de coragem e humildade. Descobrir verdades pode machucar, pois elas sempre nos confrontam. Graças a Deus, verdades nunca vêm sozinhas, e uma completa o trabalho da outra. O que uma machuca, a outra cura. Logo, a alma fica cada vez mais fortalecida, pois a verdade que há pouco feriu, se aceita com honestidade, logo passa a ser mais um gerador de forças, mais uma baliza, mais uma revelação para a alma. Quem busca a Deus sabe do que estou falando.