quarta-feira, 25 de abril de 2007

As atribuições do homem

Algo muito humano é reconhecer uma fraqueza, um problema ou uma pendência que precisa de solução e tentar esquecê-la, desviar-se dela, protelar o confronto consigo mesmo e com a tal tarefa. Quem já não lembrou, num momento de lazer ou alegria, de um dever ainda não cumprido, que requer justamente aquilo que se pensa não poder dar, seja por medo, dificuldade de qualquer ordem, ou por pura negligência orgulhosa e empedernida? A protelação então, mancha o bom momento, gera um desconforto quase inconsciente que se prolonga por dias, semanas, meses. A consciência, como um acorde dominante repleto de intervalos alterados, pede resolução plena, a função tônica que finaliza a harmonia tonal. Enfim, pede o cumprimento do dever, o confronto com a realidade, a realização do que ainda é idéia ou ideal.

Penso que toda pessoa já passou por isso, seja nas pequenas tarefas do cotidiano ou nas grandes questões existenciais. A forma que nos habituamos a encarar tais situações evidenciam o estado do nosso caráter, que, se essencialmente é o mesmo, ainda assim pode ser moldado. A grande doença de nossos tempos é a vontade de driblar as atribuições do homem frente à realidade, seja relativizando cada uma delas ou inventando uma interpretação mais cômoda do conjunto dos fatos. Tais mentes, muitas vezes, sim, imaturas, mas não raro deliberadamente intransigentes e omissas, buscarão no consentimento alheio o respaldo para os sofismas que inventaram para cauterizar suas próprias consciências.

Não tenho dúvidas que aí reside boa parte dos aspectos psicológicos e espirituais que forjaram a mentalidade moderna.

Logo me dirão:
-Eliot, o cristianismo também pode ser facilmente enquadrado como uma dessas fugas, prometendo para uma vida futura aquilo que nega para a presente.

Respondo:
- E você está de fato disposto a experimentá-lo, ao menos para ver se esse é o caso? Evidências da veracidade da fé cristã te garanto que não faltarão.

Mais de uma vez vi refletido no olhar de tais pessoas uma profusão dessas fugas, uma explosão desses sofismas, vindas das profundezas do ser.

Logo emendo:
- Quem te capacitará a andar com Deus, a seguir a Cristo, será o Espírito Santo.

Alguns dizem que disso sabem. Noutros, noto, condoído, o anseio louco e redobrado de se lançar com todas as forças no abismo das elocubrações herdadas dos que há séculos fazem de tudo para fugir de Deus.

Então noto que não é essa a condição para o qual o homem foi criado. Um ser forjado "à imagem e semelhança de Deus", mesmo aprisionado pelo pecado, necessita da verdade e da comunhão com seu Criador.

Cabe ao homem buscar saber até que ponto está disposto a buscar a verdade, em todas as áreas, e o que está disposto a fazer para estar próximo daquele que promete:

Buscar-me-eis e me achareis quando me buscares de todo o coração.

sábado, 31 de março de 2007

Crivella fala bobagem

É bem provável que tudo não tenha passado de frufru pomposo para agradar o aniversariante — no caso, o PC do B — que fazia 85 anos e, portanto, uma das mais nobres instituições representantes da ideologia política que mais caçou e matou cristãos ao longo da história. Mas o senador Marcelo Crivella (PR-RJ), um dos líderes da Igreja Universal, ao declarar que “o Evangelho é a cartilha mais comunista que existe”, além de blasfemar, evidencia o nível de prestígio e de associação com o termo “justiça” que o comunismo desfruta entre os líderes da Igreja Brasileira.

Nada há em comum entre o amor altruísta, fruto da iniciativa pessoal de alguém que se relaciona com o Deus vivo, e uma ideologia de ódio ateísta por princípio, que evoca a luta de classes para centralizar o poder político e econômico nas mãos de supostos intelectuais que consideram o Cristianismo o maior obstáculo para a Revolução Comunista.

Mesmo assim, Crivella elogiou, segundo a Agência Senado, “a luta histórica da militância do PCdoB por um Brasil mais justo”. A revolta comunista de 1935 matou 500 pessoas em uma semana. Hoje, os socialistas do PT fazem os cofres da União pagarem indenizações milionárias para gente que foi perseguida na ditadura de 64, que — para evitar a ameaça comunista em nosso país — em longos 20 anos fez um pouco mais que a metade desse número de vítimas, mas sem dúvida alguma protegendo milhões de brasileiros inocentes.

Só para recordar, milhões de cristãos foram cruelmente trucidados em governos comunistas da União Soviética, China e outros, e ninguém ganhou indenização. No Brasil é diferente: além de ameaçarem instalar semelhante regime assassino, hoje os esquerdistas radicais recebem indenizações milionárias porque foram detidos na tentativa de golpe. Gente que é sempre a favor do aborto, da causa gay, da eutanásia e que, graças a declarações como essa de Crivella, desfrutam a cada dia que passa de mais prestígio entre os evangélicos brasileiros desinformados.

quarta-feira, 21 de março de 2007

Ateu não existe

Não, não vou tratar agora das fragilidades conceituais de posições como o materialismo, o agnosticismo radical, evolucionismo e outras crenças do tipo. Se você não acredita na Bíblia, (deveria acreditar, mas isso fica para outro post) certamente não encontrará nada nesse post que vá, de fato, confrontar seus posicionamentos mais seriamente. Até te aconselho ler outra coisa, mas enfim, você que sabe, fique à vontade.

Bem agora que estamos conversados, defenderei o porquê de, como cristão, não acreditar na existência de ateus. Em Eclesiastes 3:11, o pregador diz:

Tudo fez Deus formoso em seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras de Deus desde o princípio até o fim.

(Bíblia de Estudo Almeida,Revista e Atualizada)


A passagem sugere não só o anseio do homem em buscar o sentido máximo de sua vida e de todo o plano da existência, como também dá a entender que há um conhecimento inato de um Ser Superior inerente à condição humana, ou, ao menos, um conhecimento da imortalidade, da natureza espiritual do homem, e o que reforça essa análise é são os trechos do Gêneses que tratam do homem enquanto ser criado à imagem (Gen.1:27) e semelhança (Gen. 5:1) de Deus”.

Mesmo arautos do ateísmo como Marx, Sartre e Bertrand Russel foram teístas confessos em alguma fase de suas vidas. Alguns deles, ao assumirem-se como ateus, falaram desse posicionamento como algo terrível, duro, cruel. Talvez por ter de se deparar a todo instante com aquilo que negavam. Não sei, nunca fui ateu.

Além dessa evidência interna da existência de Deus, há também a evidência externa, a qual a passagem de Romanos 1:19-20 faz referência:

Porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, como também sua divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis;

(Bíblia de Estudo Almeida,Revista e Atualizada)


Infere-se, portanto, com base bíblica, a existência da revelação interna (no coração) e a revelação externa (presente na natureza) da existência de um Ser Superior, Criador e Sustentador do mundo. Não é à-toa que o salmista foi enfático em declarar: “Não há Deus, diz o tolo em seu coração” (e eis a base bíblica para afirmar que as universidades estão repletas de tolos). Só pode ser um tolo quem despreza sua experiência vivencial mais básica e tenta fazer vistas grossas ao que a Criação manifesta constantemente. Sempre tive a impressão que ateus confessos estão “fingindo ateísmo” o tempo todo.

Vale destacar que a revelação interna se faz presente no homem também pelo simples fato dele ser parte da Criação. E é bem no homem que revelação da existência de Deus é mais gritante, pois ele é a obra máxima da Criação, feito à imagem de Deus.

Alguém logo dirá: “ei, mais essa revelação não é suficiente para salvar o homem”. Concordo. Não estou falando aqui da salvação, do plano salvador de Deus executado por Cristo. Estou falando do “acreditar que Deus existe”, não no “acreditar em Deus” e muito menos no “acreditar que só em Jesus se obtém a salvação”. Falo da revelação geral, da teologia natural. Não da revelação especial, que é a Bíblia, a Palavra de Deus. E nela que, sim, podemos ter conhecimento da mensagem da cruz e não só ter comunhão com Cristo agora e na eternidade, como, por meio dessa comunhão, perceber de forma mais completa a beleza da Criação, da vida, e do amor eterno de Deus Pai, Criador e Sustentador (pois nEle, TUDO subsiste) de todas as coisas.

segunda-feira, 5 de março de 2007

O silêncio de Cavalcanti e sua trupe

Engraçado. Todos os evangélicos esquerdistas assumidos (oi, povo do MEP) e outros que incentivaram o apoio maciço da igreja evangélica brasileira ao PT andam tão quietinhos, não é mesmo? Depois dessa cartilha do governo petista incentivando adolescentes a beijar na boca e a fazer bom uso de camisinhas, não deram um pio, num silencio análogo ao da época em que o ministro petista Nilmário Miranda lançou a cartilha politicamente correta, uma das maiores investidas totalitárias e de controle psicológico das massas já perpetrada pelo governo na história política do Brasil.

Nem tudo, porém, os cala. Robson Cavalcanti fica todo alarmadinho quando vê o atual governo liberando verbas milionárias para passeatas gays e defendendo com unhas e dentes a agenda GLBT. Mas não é capaz de assumir, que, sendo um cientista político que até deputado pelo PT já foi, sabendo que o partido sempre foi pró-gay, pró-aborto, pró-eutanásia e pró-FARC´s, tem parte nisso tudo.

Hoje ele deixou de ser petista porque não acha o PT de esquerda o suficiente para ter seu apoio. Mas progressista nenhum deixa de dar seus brados quando é hora de pular do barco, de jogar os anéis para não perder os dedos. Faz parte do modus operandi dos socialistas. É claro que Cavalcanti fez isso como se também não estivesse presente no pacote vendido pela esquerda que ele, agora, considera a autêntica (daqui a meia-hora pode ser outra facção), a típica afronta a cada um dos enunciados cristãos que é da essência mesma do esquerdismo. Mas sobre ela Cavalcanti também silencia.

O problema maior é que, para Cavalcanti e asseclas não basta evidenciar a dissonância que há entre os princípios bíblicos e o socialismo. Não basta mostrar, na ponta do lápis, e com base histórica, a inviabilidade de regimes socialistas e de outros com pesado intervencionismo estatal na economia, que saem mais caros e só agravam o problema da pobreza. Também não basta evidenciar as raízes anticristãs das ideologias progressistas e os perfis, sempre variando entre o devasso e o homicida, de todos, (sim, todos) os grandes autores e heróis do progressismo/socialismo. “Pelos frutos, os conhecereis”, para eles, talvez não se encaixe aqui, tudo não deve passar de mera coincidência.

Quase cinco décadas de dominação gramsciana no Brasil, aliada a um provincianismo repleto de ressentimento e complexo de inferioridade em relação ao mundo desenvolvido, reduziram a caridade e o altruísmo cristão à mera práxis revolucionária. E pior, em apoio incondicional a terroristas treinados pelo regime cubano e seus respectivos lacaios e entusiastas, que, do PT, saltaram para os postos de chefia de várias instituições públicas do país. Sobre isso, tudo o que temos de boa parte dos evangélicos de esquerda também é silêncio.

O silêncio deles, porém não me desgosta totalmente. Na verdade, até prefiro-os bem quietinhos. Sem falar, sem escrever artigos, livros, sem aparecer na tevê e sem querer moldar a cosmovisão alheia. O silêncio deles, sim, evitará que a ação da Igreja se transforme em atividade legitimadora de ideologias mundanas e do governo do Anticristo, que, sem querer (assim espero), os evangélicos socialistas estão ajudando a construir.


Veja também:

Os evangélicos brasileiros e as causas do Anticristo e

A ONU começa a mostrar as suas garras

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Provai e vede que o Senhor é bom

“A sua misericórdia dura para sempre”, repete o salmista incansavelmente, tomado pela alegria que o conhecimento do amor de Deus gerou em seu coração. No hebraico, o termo traduzido por misericórdia - hésed – é amplo em significado e abrange também atributos como bondade, lealdade e amor. O amor de Cristo nos constrange, comentava Paulo, que mesmo em meio às dificuldades, insistia aos irmãos de Filipos:

Quanto ao mais, irmãos meus alegrai-vos no Senhor. A mim não me desgosta e é segurança para vós outros que eu escreva as mesmas coisas (Fl 3.1).

Na que é provavelmente sua carta escrita em tom mais pessoal, Paulo reitera que está alegre e exorta seus irmãos nesse sentido. E lá está a alegria como item do “fruto do Espírito” na carta aos gálatas, o que nos leva a considerá-la como resultado direto da presença de Deus em nossas vidas (Gl 5:22-23).

Cristo disse que no mundo teríamos aflições, mas daí para dizer que esta vida é um “vale de lágrimas” há uma bela distância. Já cheguei a dizer que não acredito em depressão em cristãos maduros por motivos meramente emocionais, contingenciais, e ainda reluto em admitir que tenha exagerado. Foi Cristo que disse: “Tende bom ânimo”. Certamente há algo de muito errado na vida espiritual de quem está sempre melancólico, por mais que motivos não faltem para nos entristecer e revoltar. Mas deixar os sofrimentos do presente tomarem conta da nossa alma é ceder à “tristeza segundo o mundo”, que “produz morte” (2 Coríntios 7:10). É dessa depressão, dessa tristeza patológica a que me refiro.

Enfim, as promessas bíblicas para os que forem fiéis a Ele são muitas, e “seus mandamentos não são penosos” (1 João 5:3). Portanto, associar ortodoxia, fidelidade estrita à Palavra de Deus, a legalismo e a fardos farisaicos é um disparate que só aqueles que, segundo Eric Voegelin, “não possuem a força espiritual exigida para a heróica aventura da alma que é o Cristianismo” poderiam conceber.

“A lei do Senhor é perfeita e seus mandamentos alegram o coração”. A melhor alternativa para quem quer viver uma vida alegre é obedecer ao Senhor, buscar “o centro da Sua vontade”, como se diz. Vontade que, testificou o apóstolo, porque a experimentou: é boa, perfeita e agradável.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Procura-se contra-argumentos decentes

Se hoje há um perfil de pessoa que consegue, em qualquer conversa, calar minha boca, é aquela que, visível e assumidamente desinformada, ratifica seus posicionamentos primários, seus preconceitos mais pueris, mesmo após ouvir um considerável montante de informações novas e explanações – as quais até considera corretas, plausíveis e lógicas. Isso não só me cala como me assusta. Pois parece que nada mais importa a tais pessoas além de seus achismos simplórios, que lhe dão todas as explicações possíveis sobre tudo, bem como a medida de sua visão de mundo.

O que me preocupa na atual ideosfera brasileira não é só a existência dessas pessoas. É constatar que a maioria esmagadora comporta-se dessa forma. Disparando clichês e frases-feitas assim que se toca em certos assuntos. Tais reações variam do gracejo bobo – alguns já bem previsíveis – até manifestações de fúria e severa reprovação.

Triste é perceber que parentes, amigos e outros que até ontem eu considerava esclarecidos estão desse jeito. Antes fossem apenas os âncoras dos telejornais...

Se hoje o louco da história sou eu, tudo bem. O futuro dirá. Ficarei feliz em estar errado. Se estiver correto e se tudo continuar como está, espero que Deus me permita, quando esse futuro chegar, estar bem longe do Brasil.

Que o Senhor sare essa nação. Porque o que se planta, colhe.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Ciência, fé e caipirismos progressistóides

Pois é gente, não postei nada antes da virada do ano como pensei, mas cá estou hoje, afim de discorrer sobre a ingenuidade desse povo supostamente esclarecido e repleto de “espírito crítico” que repete cheio de fé o clichê do tal choque entre “ciência versus fé”. É que noto neles o desconhecimento sobre o que é ciência, e também o que é a vida espiritual, a religião, a teologia. Nada mais tosco do que pensar que é necessária uma reavaliação e reformulação das bases da fé por causa do progresso científico, para que os religiosos assumam uma “posição equilibrada”, afinal, “o mundo mudou”. Imaturidade intelectual e espiritual é a do religioso que adere a tal discurso. Claro, há os casos de sem-vergonhice e impostura também. Deixemos cada caso com o Justo Juiz.

Essa criancice cronocêntrica, que faz tantas pessoas pensarem que existe uma espécie de evolucionismo da verdade, começou com Hegel, se absolutizou com Marx e, na forma de uma idolatria determinista do devir histórico, mãe de todo progressismo e repleta de preconceitos imanentistas tolos, emburreceu (e corrompeu) meio mundo, impedindo milhares de mentes talentosas de descobrir as grandes lições deixadas pelos antigos.

Quem cai na conversa da “ciência versus fé” normalmente é vítima da propaganda agressiva dos ideólogos do materialismo naturalista travestido de ciência, que advoga o monopólio da definição cabal de tudo o que existe. O que é a vida, o que é o trabalho do cérebro, o que é o ato conjugal, como se formou o mundo etc. O que a “ciência” disser, concordem todos, especialmente os religiosos – retrógados e obscurantistas por excelência -, na visão dos cientificistas xiitas entusiastas do “progresso”.

Coloquei aspas na palavra ‘ciência’ na frase anterior porque aquilo que os materialistas dizem ser ciência não passa de uma visão bem estúpida do que ela realmente é. O verdadeiro cientista sabe que na mais completa e revolucionária de suas descobertas, nada mais fará do que abstrair de dados experimentais uma relação mecânica (num sentido lato) universal (uma dessas “leis”, p. ex.) entre quantidades definidas. E jamais poderá dizer que tal coisa “é realmente assim” ou é a “verdade absoluta sobre o fenômeno”. Esse cientista sabe que a abstração é derivada da experiência e que as relações mecânicas nela observadas são apenas partes do fenômeno. Newton sabia que suas leis não “eram” os porquês de alguns fatos, mas apenas descreviam aspectos mecânicos destes (1).

É por isso que ele e outros grandes gênios cientistas, como Max Plank, Werner Heisenberg, Galileu, Pasteur, Einstein, Blaise Pascal, Robert Boyle, Michael Faraday, James Clark Maxwell, Aristóteles(2), Gregor Mendel e Francis Bacon não eram ateus. Só o são esse bando de jacuzões cientificistas que influenciam outra horda de jecas-tatus: a dos progressistas teológicos.

Notas:

1- Ver o excelente O que é ciência?, de Gene Calahan.

2- Um cara com um nome muito legal, Arthur Lovejoy, disse que tudo o que a ciência faz são notas de rodapé aos livros de Aristóteles e Platão. Algo que torna isso claro é a própria história das teorias predominantes sobre o mundo físico, na qual há a linha dos deterministas (que vai de Platão a Newton) e a dos indeterministas (de Aristóteles à dobradinha Plank/Heisenberg e na atual física quântica).

sábado, 23 de dezembro de 2006

Natal, Ano Novo...

Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente.
Romanos 14: 5

Ninguém pois vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir, porém o corpo é de Cristo.
Colossenses 2:16-17

Mesmo secularizado, cheio de distorções, e ainda assim, muito perseguido onde a opressão politicamente correta se manifesta (que o digam os cristãos europeus), desejo um Feliz Natal e um 2007 cheio da presença de Deus a todos os visitantes do P.U. Celebremos a Cristo todos os dias, pois Ele é a ressurreição e a vida, o caminho e a verdade. E aproveitemos esses dias para falar de amor de Cristo para os que mal sabem o que significa este fato histórico incontestável que é a Encarnação do Rei dos Reis e Senhor dos Senhores; Ele, Jesus, é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas pelos do mundo inteiro (1 João 2:2).

E por falar no Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, que veio ao mundo como um bebê, concluo o post com The Lamb, de William Blake. Fiquem com Deus!

The Lamb

Little Lamb, who make thee
Dost thou know who made thee,
Gave thee life, and bid thee feed
By the stream and o'er the mead;
Gave thee clothing of delight,
Softest clothing, wolly, bright;
Gave thee such a tender voice,
Making all the vales rejoice?
Little Lamb, who made thee?
Dost thou know who made thee?

Little Lamb, I'll tell thee;
Little Lamb, I'll tell thee:
He is called by thy name,
For He calls Himself a Lamb
He is meek, and He is mild,
He became a little child.
I a child, and thou a lamb,
We are called by His name.
Little Lamb, God bless thee!
Little Lamb, God bless thee!



ps: Acabo postando algo antes da virada do ano... abraço, povo.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Debater o bom debate

Defender a ortodoxia, a sã doutrina, a Palavra de Deus pura e simples que nos foi deixada e que o Senhor Jesus nos mandou examinar não significa ficar de trelélé teológico com gente que se atém a pormenores e, por causa deles, se desentende, briga e deixa de ter comunhão com seus irmãos. Enfim, gente que por causa do micro, perde o macro de vista. É claro que um pouco de fermento pode levedar toda a massa, e bem sei que o apóstolo Paulo nos alertou contra aqueles que tentam nos enredar com suas vãs sutilezas. Mas percebo que há irmãozinhos que não conseguem vislumbrar para si mesmos outra atividade além da picuinha teológica com outros irmãos. Fazem disso um “ministério”. E vai aspas aí. E lá vêm as maricotas: tradicionais x pentecostais, calvinistas x arminianos, monergistas x sinergistas, além de toda aquela chateação entre as muitas linhas dentro da Escatologia Bíblica.

Engraçado é que esse povo chegado num forobodel teológico, assim que sai do ambiente reformado/evangélico/protestante (ou coisa que o valha), parece vira-lata caseiro quando sai dos domínios de seu dono e volta para a rua. Basta um ateu, um agnóstico ou um fiel de qualquer outra seita, que não pensa nas mesmas categorias que ele, bater o pé, que o zelotezinho criador de caso sai correndo. Se embanana pra responder, sente-se acuado, amaldiçoa gratuitamente, leva para o lado pessoal e mostra toda a envergadura espiritual de quem ainda não percebeu que os alicerces supremos do Evangelho estão no AMOR, no aspecto relacional, e não naquele hermeneuticismo racionalistóide vulgar dos que, por medo do cristianismo falso, não conseguem viver o cristianismo verdadeiro.

Gente, vocês vão me desculpar, mas porque vocês não vão evangelizar? Porque não vão mostrar a secularistas de diversas correntes a miséria conceitual de cada uma delas, para que, a partir disso, eles possam ver a autenticidade da fé cristã e, assim, se convertam? Para mim, ortodoxo digno do nome está muito mais preocupado e preparado para esse confronto, pois visa levar almas ao arrependimento e à salvação, do que para o debate sobre detalhes teológicos dentro dos meandros eclesiásticos. Que, claro não pode ser tido como irrelevante. Desde que feito na hora certa, no ambiente certo, com as pessoas certas. Aquele debate incondicionalmente guiado pelo Espírito Santo de Deus.

O evangelho verdadeiro nos leva a um relacionamento profundo e íntimo com o Senhor Jesus. O evangelho verdadeiro faz-nos ser guiados pelo Espírito Santo para ter comunhão plena com nossos irmãos, apesar das diferenças pontuais. A ortodoxia verdadeira nos leva ao amor, nos conduz a buscar pontos de contato e harmonia e não a buscar pontos de choque e desavença. A ortodoxia verdadeira sabe que não é uma teologia perfeita que transforma vidas e salva do inferno. É o amor a Cristo, que nos leva a submissão a seus excelsos mandamentos. É a obediência à direção do Espírito Santo, que nos levará a ter uma vida santificada. Sem santidade ninguém verá Deus.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Os cristãos que se rendem a César e o ocaso do Ocidente

Ao observar o atual quadro geopolítico e as movimentações de grupos políticos e de instituições de diversos perfis, percebo que o presente período sem conflitos internacionais entre potências está prestes a acabar. "Paz", definitivamente, não há, porque a China espalha horror no Tibete há 30 anos, num Sudão dividido a matança segue incólume e noutras regiões, como o Haiti e o sempre complicado Oriente Médio, a tensão e o medo continuam dando as cartas.

Investindo pesado nas novas armas que inviabilizarão a pressuposta DMA – Destruição Mútua Assegurada – que resguardou o mundo de tragédias nucleares colossais, russos e chineses não abrem mão de suas aspirações totalitárias e cooptam intelectuais, conspiradores, mercenários, terroristas e traficantes. Globalistas exercem influência cada vez maior na educação, na saúde e no imaginário coletivo. Graças à ONU, com seu já assumido objetivo de implantar um governo mundial, suas teses são consideradas máximas científicas cabais. E o cidadão ocidental médio acaba sem perceber e entender a intricada orquestração que visa implodir a sociedade na qual vive.

As idéias que norteiam a maior parte das mentes da Academia e da grande mídia - que a partir daí ditam quais e como serão discutidos os fatos pelas massas - nunca foram tão inadequadas para responder a tais questões e elas mesmas constituem a principal força motriz da atual derrocada civilizacional. Nessa ideosfera putrefata, imperam não só reducionismos como as interpretações mais simplórias, sempre regadas de gordurosa retórica coitadista. Legitimam-se pela técnica goebellsiana ante uma massa mais interessada nas flatulências de Shrek, nas imposturas de Dan Brown, Michael Moore e nas sandices de Saramago e Paulo Coelho. Opiniões resumem-se a slogans disparados assim que se ouvem as palavras chaves. E normalmente contêm mentiras que levam tempo e trabalho árduo para serem desmascaradas. Civilizações morrem de suicídio, não de assassinato, alertava Jean François Revel, falecido meses atrás.

Ao que tudo indica, o Ocidente já colocou a fronte à mira do revólver: a maior parte dos cidadãos ocidentais nem sabe, e muitos quando sabem, duvidam dos valores que os fazem viver no melhor dos mundos. A moral judaico-cristã dá asco, o capitalismo gera um desconforto no peito por mais que os pés estejam em confortáveis tênis Nike ou Adidas. O livre mercado, direito básico e fórmula simples e irrefutável para a diminuição da pobreza - soa como devaneio de velhotes de cartola. Como se um processo que surge naturalmente onde há seres humanos interessados em melhorar suas condições de vida, com base nas trocas livres e voluntárias fosse pior do que a centralização dos recursos econômicos nas mãos de um Estado que impõe sobre todos qual será o padrão de "igualdade" em que todos devem viver. Enfim, vivemos em uma geração que anseia por ser escrava, que, clamando por liberdade de expressão, normalmente a usa para tagarelar clichês libertinos e relativistas e defender aiatolás e ditadores. "Quando na há Deus, o governo se torna Deus." Nesse ponto, Nietzsche e Chesterton concordaram.

Quando a prosperidade alheia ofende, e a própria prosperidade traz culpa, nada resta senão entregar-se a decadência e à miséria. Quando os valores que garantem a liberdade se tornam um peso, os princípios escravocratas dos inimigos já sufocam com seus grilhões antes de qualquer guerra começar. É a derrota prévia, à qual o Ocidente parece já ter sucumbido. Eis os frutos do arcabouço de premissas prometéicas da tal modernidade, que, como bem lembrou o brilhante Eric Voegelin, não passa de um tumor dentro da sociedade ocidental, em oposição à tradição clássica e cristã.

O conhecido analista geopolítico Jeffrey Nyquist sabe que a decadência do Oeste é, sobretudo, espiritual. Nyquist é taxativo: as igrejas falharam. Infelizmente, alguns cristãos não vêem o problema dessa forma. Para eles, a solução se resume a colocar socialistas no poder. Assistem à criminalização progressiva de suas convicções e dela tornam-se cúmplices, defendendo os pressupostos que a ela deram origem e se envolvendo com os que, no futuro, farão da prática de cada princípio cristão um delito hediondo.

Talvez assim, perdendo o que tinham, sob perseguição, tendo de lutar bravamente numa nova ordem planetária, os cristãos vejam o lodaçal de equívocos no qual chafurdaram, lembrem-se do que deveriam ter feito e com quem se aliaram. Talvez assim percebam o rastro de obras infrutíferas e de alianças espúrias que deixaram e, com coração arrependido, tornem a Deus. Somente assim poderão levar o Evangelho puro e simples ao mundo inteiro. Tudo indica que será assim mesmo. A história mostra que há algo no sangue dos mártires que impulsiona o crescimento da Igreja, e o falatório subserviente dos que se deslumbram com as aspirações totalitárias de César são os primeiros sinais de apostasia.

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Espinheiro, avalanche...


Como aparar o espinheiro de enganos do homem?
Luther, W. H. Auden

Se há uma definição para a maior parte das idéias que constituem a mentalidade moderna, essa é “espinheiro de enganos”. Thanks, Mr. Auden! Pode-se pensar também numa avalanche de equívocos que pegou o homem no meio da montanha, engoliu-o, desarticulou-o e impulsionou-o com violência até um vale gelado, onde a neve evapora e forma uma densa névoa que impede a visão e fere os pulmões.

A facilidade com que o espinheiro de enganos moderno pode ser refutado me assusta tanto quanto a força com que ele se legitima e a fúria com que é defendido pelos que estão por ele enredados. Noções simplórias do que é ciência, do que é a fé, do potencial e dos limites da razão, além de preconceitos absurdos com o saber dos gênios do passado e de povos milenares. É claro que nem tudo nas tradições presta, mas mesmo muito do que a modernidade advoga ter libertado o homem é falacioso. Muitas dessas “soluções” se basearam em premissas tortas, e logo os problemas ressurgiram com contornos ainda mais macabros. Os exemplos estão aí: na política, o intervencionismo estatal é uma praga que corrói liberdades e recursos; na relação homem/mulher, o feminismo transformou mulheres em brucutus melindrosos; na ciência, materialistas transformam a abstração dos dados empíricos no fato em si e tornam-se robôs de si mesmos. E o que dizer do desespero dos existencialistas? Os exemplos compõem uma lista é longa, e os entusiastas de cada um desses cabrestos são maioria. Talvez por isso as indústrias do entretenimento e do turismo cresçam tanto. Essas pessoas não suportam mais a si mesmas, e precisam sempre de alguma atividade muito prazerosa para calar ao menos por alguns momentos aquela sede espiritual que sem dúvida é o traço mais marcante da natureza humana (e que faz os ateus militantes serem tão inquietos e importunos). Alguma atividade repleta de voluntarismo idealista também ajuda e faz o sufocado moderninho se considerar alguém importante, lutando “por um mundo melhor e pela paz mundial”, ao melhor estilo Ninrode/Torre de Babel. Já que aparar o espinheiro, ou sair de debaixo da neve requer coragem intelectual, espiritual, e o pior de tudo, está fora de moda, eis os paliativos.

- Ai, Eliot, dá um tempo! Justo hoje, no dia da rave você me vem com esse papo! Tenha dó!

Dó? Tenho. Muito!

terça-feira, 29 de agosto de 2006

A arte eterna

Se há uma forma de arte cada vez mais rara, nobre, que é mais elevada e requer maior independência e soberania da consciência do artista frente à contaminação presente em derredor, esta é a “arte pela arte”, a arte desprovida de qualquer alinhamento, qualquer engajamento, alheia a qualquer anseio “social” e livre dos ranços de matriz política, sem aquele panfletarismo vulgar.

É no compromisso com a ordem do alma do criador, no fluir das experiências dele como ser humano enquanto cria e materializa a obra, naquele processo no qual visa superar as limitações das suas ferramentas e dos múltiplos devires da sua vida interior no momento mesmo da criação, no instante mesmo da conexão plena do seu ‘eu’ com sua obra, (o ápice da arte?) é que a arte, evidenciando o que há de mais nobre no ser humano, alcance suas mais nobres prerrogativas.

A arte que permanece, que acaba por tornar-se realmente relevante, que supera a passagem das épocas e que realmente emancipa e beneficia os homens é essa, comprometida não com as agitações frívolas, passageiras e desumanizadoras (porque imediatistas, pragmáticas e ávidas por dominação) dos discursos políticos, mas sim com o que é inerente a todos os homens, com aquilo que os faz os deiformes, autônomos e cosmonômicos. A obra de arte que fica é essa, que se torna “um clássico”, justamente por evocar o que abarca e transcende todas as eras.

Quando a arte é realizada por aqueles que estão submetidos à Verdade Absoluta, esta, uma vez louvada, resgata e projeta a subjetividade humana a uma nova dimensão, na qual a inspiração se renova e o Eterno se estabelece.



ps: Como bem me alertou um visitante, usei o termo "arte pela arte" de uma forma um tanto dúbia, equivocada. No anseio de falar sobre uma arte sem ranço panfletário, fiz, sem intenção, alusão a uma outra forma de pensar a arte: aquela na qual a obra é um fim em si mesmo. Como dá para perceber no restante do texto, não era dessa abordagem que quis me referir.

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

P.R.O.P.I.N.A.

Um fenômeno que grassa o ambiente dos debates políticos num país vítima da hegemonia gramsciana é o P.R.O.P.I.N.A.. Não, não falo das safadezas daqueles que de gatos-do-mato no Araguaia passaram a ser os gatunos de smoking de Brasília. Refiro-me ao Plano Revolucionário de Ocultação Político-Ideológica Narcisista e Alienante – P.R.O.P.I.N.A. Tal plano consiste naquilo que vemos os viciados no ópio dos intelectuais praticarem todos os dias: 1- ser um ferrenho esquerdômano e dizer que não é; 2- dizer que não é de direita nem de esquerda, afirmando que estas seriam classificações anacrônicas, mas sem conseguir parar de tagarelar canhotismos um instante sequer.

É óbvio que nestas hordas, há, sim, os que praticam o P.R.O.P.I.N.A. por pura burrice e ingenuidade – os típicos idiotas úteis - aquele povinho de classe média que lê Dan Brown, assiste o canal Futura e enche a boca para dizer que "o comunismo acabou". Porém, os mais perigosos praticantes do P.R.O.P.I.N.A. sabem exatamente o que estão fazendo.

Nos dois grupos que fazem do P.R.O.P.I.N.A. sua cadeira-de-rodas mental, há um aspecto comum e fundamental: ao dizer que não é de esquerda, subentender que nada seria mais correto, moral e lógico do que defender premissas coletivistas como a "justiça social" e a "distribuição de renda". Assim reafirmam o velho maniqueísmo falacioso: solidariedade e sensibilidade aos problemas alheios é monopólio da esquerda e a direita não passa de uma horda de avarentos moralistas. Não é preciso dizer que tais alienadores e alienados nunca leram uma linha sequer escrita por Ludwig von Mises ou Eric Voegelin.

Entre os do segundo tipo, muitos até dizem que odeiam Nietzsche, mas são o retrato vivo da tamanha umbigolatria que se pode chegar o "super-homem" idealizado pelo prussiano raivoso. "Quem tem rótulo é vidro de requeijão", dizem esses que, como Nietzsche pensou, pensam poder estar além e acima do bem e do mal. Mas como são humanos, demasiadamente humanos, é claro que acabam pendendo para um lado. E como todo "último-homem", seguem a boiada que entrou na onda hegemônica.

E lá vem eles, com aquela eloqüência sui generis: "não é a questão de ser de esquerda, ah, tipo, nada a ver, mas é que, pô, olha aí 'os pobrinho', tanta gente com fome, sem emprego... poxa, capitalismo é uma....". É o que dizem nas salas de aula, nas festas de família, à mesa do bar, na qual jogam a chave do Audi TT, o celular Nokia e os óculos Oakley. (Calma, o porco capitalista aqui só está descrevendo, não está fazendo "merchand" – mas gostaria e está precisando – Anuncie aqui!).

P.R.O.P.I.N.A., Plano Revolucionário de Ocultação Político-Ideológica Narcisista e Alienante: O que toda a (not so) New Left tapuia pratica compulsivamente, seja na forma da sigla – entre seus militantes, ou na pura acepção da palavra – com seus líderes engravatados. Pois ser de esquerda está na moda, é "cool", e todo esquerdista que se preze deve estar com o modelito mais "in": no momento, trata-se de um disfarce mal feito, mal cortado, mal costurado, sujo do sangue de milhões de vítimas e que sai voando assim que os mais desprezíveis esquerdômanos brasileiros abrem a boca.

sábado, 12 de agosto de 2006

Não ofende, não é mesmo?

Como se obter paciência para lidar com essa esquerda-Häagen-Dasz que toma as dores do Hezbollah?

O quê dizer do novo anti-semitismo/anti-sionismo evangélico baseado no “vi no Jornal Nacional”? O que é que deu nesse povo? Muita novela? Levaram a sério os livrinhos de geopolítica recomendados pelo MEC?

Só mais duas:
Quem será o próximo colunista-Katiusha das revistas evangélicas brasileiras?

Quem fará o texto mais lacrimogêneo e repleto de justiça cósmica/abstrata da próxima edição da revista Ultimato?

Quem acertar leva aquela paçoquinha "trique-trique"...


ps: Alô, alô, canhotinho: antes de começar o duckspeacking orwelliano em minha caixa de comentários, leia isso, veja isso, e mais isso. Aí você diz quem é o manipulado. Dá uma passadinha aqui e aqui também.

domingo, 6 de agosto de 2006

Miséria vicia

Que o ‘bom’ é inimigo do ‘melhor’ é sabido. O que me espanta é perceber que o ‘ruim’ é inimigo dos dois, e parece ser tão cativante, ao menos para alguns. Me assombra ver tantas pessoas se contentarem com tão pouco. Sabe aquela pessoa que, de tão acostumada a ver as atrações musicais do programa do Faustão ou das rádios FM, “acha chato”, “pra velho”, escutar um virtuoso pianista executar Liszt (ah, Liszt) ou então a Sinfônica de Viena? Pois é.

Não que eu seja o mais rigoroso dos elitistas culturais, estou longe disso, e o que quero destacar é que o problema é ainda mais grave quando não se trata apenas de arte e cultura, mas sim da vida espiritual. Jesus nos prometeu vida em abundância, mas vejo muitos cristãos com uma vida capenga em tantas áreas que só posso chegar a essa conclusão: miséria certamente vicia. São emocionalmente frágeis, cheios de complexos, orgulhosos/tímidos, (nesse caso o problema é exatamente o mesmo, apenas com manifestações distintas) etc. Mas ao serem confrontados a se posicionar de forma diferente, a correr como a mulher com o fluxo de sangue em direção a Jesus e receber a cura que as farão voar mais alto, se retraem, fingem que não é com elas e prolongam suas existências (vida aquilo não é) naquela versão distorcida e amesquinhada do Evangelho que inventaram para si mesmas, para acomodar suas misérias. Triste de ver.

É preciso estar atento e pedir para o Senhor mostrar em quais áreas da vida pode-se estar nessa condição. Ninguém está livre de se viciar na miséria em alguma área, e não se conformar com ela fará com que sejamos odres novos, capazes de receber o vinho novo que nos encherá de alegria e nos capacitará para toda boa obra.

segunda-feira, 31 de julho de 2006

Post de aniversário



Neste mês o P.U. completou um ano!

Este foi o primeiro post.

Gente, obrigado pela atenção, apreço, pelas visitas e comentários! Fiquem com Deus e até depois.

quinta-feira, 27 de julho de 2006

Sobre show do Slipknot, ou ‘Incoerências filistéias’

Para mim, rock é mais ou menos como gibi ou buffet de sorvete: é legal, divertido, mas sei que há coisas melhores e só aquilo não me sacia e nem pode ser levado muito a sério. Dias atrás assisti a um show da banda Slipknot num canal de tevê a cabo. O som dos caras, dentro da proposta, é bom. A performance é impressionante. Os trajes e máscaras evidenciam uma atitude poser às avessas, na qual a vaidade mezzo gay mezzo brega a la Motley Crüe é substituída pela estética horror-subversão-casa-de-carnes. Marketing puro, nesses tempos em que a moda é ser malvadão, rebelde e monstrengo. Mas duro de agüentar é o discurso, não só pelas blasfêmias...

Certamente uma das características mais fortes atualmente da cultura de massas é a retórica da “revolta contra o sistema”. O mesmo “sistema” que permite aos artistas liberdade para criticá-lo, garantem bons rendimentos (o cd ‘Iowa’ vendeu absurdamente) e permite que adolescentes gordinhos de bochechas róseas (1) sejam levados pelos pais aos shows confortavelmente com seus Audi ou Toyota, após um reforçado lanche com Fruit Loops, Nutella, batatas Pringles, etc.

É a esses de cortes de cabelo sóbrios e bem passadinhas camisetas pretas que o vocalista da banda se refere como “novos abortos” e “maggots”. Hilário, ainda mais quando a câmara dá um zoom nos bem-nascidos. Ouve-se muito aquela palavrinha que evidencia a pobreza do vocabulário torpe no idioma inglês. E a molecada grita ensadecida...

No final das contas, engraçado, quem não vive o que prega e é taxado de burro é o crente aqui... Até meus amigos não-cristãos concordaram comigo, ao perceberem tantos contra-sensos. Alguém até pode me dizer ninguém estava ali para ser coerente, apenas para se divertir. Mas o problema é que essa incoerência, hoje, está em toda parte, tem um propósito claro e disso só discordam os que, normalmente, já aderiram a ela.



1 - Lembrei aquela do W. H. Auden sobre Nietzsche, Hitler e mais um outro.

segunda-feira, 17 de julho de 2006

Perseverar na comunhão

(...) afim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim. Oração de Jesus, em João 17:23

O Vinícius e a beleza que me desculpem, mas comunhão com os irmãos é fundamental. E não falo só do “ir à igreja”, mas sim do “perseverar na doutrina dos apóstolos, no partir do pão e nas orações”. Tenho sido muito edificado ao buscar estar mais próximo dos meus irmãos na fé. Estes e também minhas novas amizades têm contribuído para o mais importante dos crescimentos na minha vida, o espiritual, que dinamiza todos os outros, na caminhada rumo à “estatura de varão perfeito” da qual o cristão jamais deve perder o foco.

Deus manifesta seu amor por mim por meio das minhas amizades. Exortam-me, confortam-me e me agüentam, pois sou um chatão, e isso não é novidade para ninguém. Todos nós temos nossas idiossincrasias, e é por isso que Lucas usou o termo “perseveram” para descrever a atitude com que os primeiros cristãos buscavam um padrão de convívio que glorificasse a Deus. A igreja primitiva perseverava, persistia na comunhão. Comunhão requer esforço, muitas vezes. Porque amor não é sentimento, é decisão.

Para finalizar, uma ótima do Isaque: Não tenhas nojo de beber na minha taça, pois não terás nojo de viajar na minha lancha.

quinta-feira, 6 de julho de 2006

Pós-modernidade e fé cristã

Quase todas elas são bobagens sem mais tamanho, mas se há uma característica da tal pós-modernidade, (são poucos os bons teóricos que usam tal termo) é a descrença na possibilidade de um conhecimento pleno sobre as coisas, o ceticismo quanto à pura apreensão do que de fato é um objeto por parte do sujeito; enfim, a descrença na objetividade racional. “A razão sempre é afetada pelas influências externas, condicionadas socialmente”, diz o pós-moderno, conspurcando imanentismo e lançando toneladas de terrestrialização sobre os ombros alheios. De qualquer explicação lógica da origem transcendente dessas “influências externas” tais teóricos fogem como o diabo da Luz. Pois correriam o risco de ter de lançar o discurso que lhes confere autoridade e bons salários no lixo.

Engraçado é que eles criticam a validade da “lógica linear”, mas não conseguiram estabelecer qualquer lógica multilinear, não linear ou coisa que o valha para refutar as velhas premissas das teorias do conhecimento embasadas sobretudo em Aristóteles. Criticando a lama em que os porcos iluministas chafurdam, as bernes encalacradas sugerem aos seus hospedeiros os esgotos pútridos da irracionalidade.

A presunção dos parasitas pós-modernos também começa lá na metafísica tosca de Kant. Sim, não há ninguém “neutro”, tampouco livre de influências, mas essa visão puramente quantitativa da verdade, desprovida do conhecimento mesmo dos fundamentos da própria objetualidade, legitimou o pai dos métodos tronchos e modelos apriorísticos baseados no umbigo do sujeito e no desconhecimento do objeto: o subjetivismo. A partir desse “cada um na sua”, nasce nas planícies áridas da ignorância o cacto relativista.

É nisso que dá a “razão” sem Deus dos modernos e o “nem razão moderna, nem Deus” dos ditos pós-modernos. Quando a Bíblia fala que a sabedoria edificou para si uma casa, é porque tal sabedoria não só é possível, como habita num lugar definido e seguro. Quando por meio do profeta Oséias Deus declara que meu povo padece por falta de conhecimento, fica claro que o conhecimento não só é possível como é absolutamente necessário ao homem. Quando observa-se a evolução das idéias materialistas e os resultados medonhos do advento destas na sociedade, percebe-se que a humanidade jamais deveria ter esquecido que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria.

Pior do que a burrice dos materialistas é a dos sedizentes cristãos que endossam os tais pressupostos pós-modernos. Mas é assim mesmo. O suicídio intelectual e o espiritual sempre andaram juntos.

quarta-feira, 28 de junho de 2006

'Ad botocundiam', essa falácia é nossa!

Pela natureza do meu ofício, sempre procuro estar atento à presença das variadas formas de manipulações, falsificações e falácias que permeiam as relações humanas. E se há algo que aprendi, é que, seja nas conversas na fila do banco ou analisando o conteúdo dos meios de comunicação de massa, todo cuidado é pouco. De uns tempos para cá, fazendo essa pesquisa de campo às vezes até de forma involuntária, ainda assim acabei por descobrir uma nova categoria de falácia. Só no Brasil ela poderia surgir, e aqui é usada compulsivamente. Deve ter suas versões devidamente regionalizadas em outras plagas, mas certamente é a expressão mais macabra e emburrecedora que o patriotismo doentio pode parir. Uma vez identificada, classifiquei-a de argumentum ad botocundiam.

O ad botocundiam, na verdade, é uma variante do ad verecundiam, o argumento de autoridade, e se refere ao Brasil, aos brasileiros, à cultura brasileira, como se em tudo isso existisse alguma autoridade per si. Ao defender o óbvio, ou coisas que deram certo em outros países pelo simples fato de que dariam certo em qualquer lugar, o botocudo usa o ad botocundiam para afirmar que “o Brasil é diferente”, “nosso caso é outro”, e pior: “ah, mas nós devemos encontrar soluções nossas”.

Ouço tais sandices e fico pensando o que há de tão especial num povo que mal consegue se ater aos fatos – e as provas estão aí - e não contorna problemas há muito tempo superados por outras nações. Mas que ainda assim se considera o supra-sumo da humanidade, com atributos diferentes do restante da raça humana; e, por isso, distinto demais para fazer o que é certo para os outros.

Constatei também que quem usa o ad botocundiam não percebe as implicações subjacentes de sua atitude: se o Brasil nada precisa imitar de outros povos, pois é um caso à parte, logo também nada tem a acrescentar ao mundo. Mas se disso você alertar quem usa essa falácia/patriotada, ele te ridiculariza, diz que você é um desertor, que se vendeu, que é um ressentido etc. Lógica, definitivamente, não seria o forte de quem usa o ad botocundiam.

É exatamente a tentativa de driblar a consciência dessa constatação – de que a Botocúndia está longe de ser exemplo para o mundo - que faz o usuário do argumentum ad botocundiam se exaltar tão facilmente. Pois a muleta psíquica, a prótese existencial de um povo frívolo não pode ser chutada assim, de forma tão implacável. Mais que uma falácia, o ad botocundiam mostra que a desinformação e o orgulho besta podem descambar na cegueira e fazer um país sucumbir a um estado de torpor ufanista mesmo quando a corrosão institucional, a decadência, e o caos social tornam-se praticamente sinônimos do seu nome.